sábado, 22 de março de 2008

A Volta Do Que Se Foi



Aos doze anos, fiquei muito triste.
Foi um dos anos mais melancólicos de minha vida.
Naquele ano, roubaram algo muito preciso que eu tinha...
Roubaram meu Batmóvel!!
Não era um Batmóvel qualquer – esse era importado, tinha cerca de 15 centímentros, era apaixonado por ele.
Era provável que poucos meninos tivessem, na época, um original daqueles...
Mas pior que ter seu carrinho favorito roubado, é saber que ele foi roubado por alguém que você achava que era seu amigo.
Foi depois que ele saiu de minha casa, que senti a falta.
Eu sabia que foi ele, mas num podia acreditar...e não falei com ninguém nada a respeito.
Roubar o carrinho favorito de um menino equivale a roubar a boneca favorita de uma menina.
Ou a jóia favorita de uma mulher.
Ou o carro dos sonhos de um homem.
Convivi com esse “falso amigo” dos 12 aos 18 anos.
Só lá pelos 17, é que vi que era um invejoso, um interesseiro.
No final do ano passado, o revi numa festa de amigos comuns.
Pergunta se eu fui lá na mesa dele...
Ás vezes, a gente convive com muita gente que rouba os sonhos da gente.
O melhor é se afastar deles, ainda que outros o considerem ”acima de qualquer suspeita”, como era o caso da figura que citei.
Quanto ao Batmóvel, estava eu numa banca de revistas, quando algo me chamou a atenção.
Lá estava ele, agora fazendo parte da série de carrinhos da “Hot Wheels”, uma série de carrinhos miniaturas.
Por apenas 9,90 ( nem de longe o preço e o tamanho do que o do que eu tinha) lá estava a réplica do Batmóvel do seriado de tv das antigas, que eu via quando menino.
O valor sentimental é enorme, muito mais que o preço dele.
Não dá mais pra brincar, claro...mas olho para ele sempre com um sorriso, como a dizer: “Que bom que vc voltou”.