quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Padre e os balões, o Pastor e as Luvas de boxe


Fiquei pensando muito nesse caso do Padre com os balões.
Padre Adelir, que na tarde do último domingo decolou a bordo de mil balões de gás hélio
(o mesmo de festas de criança) da cidade de Paranaguá, no Paraná, e caui logo depois no litoral de Santa Catarina, dificilmente será achado vivo.
Afinal, ele não possuía experiência em vôo livre e sequer licença para realizar a atividade.
O Padre teria sido expulso há três anos de uma escola de vôo livre em Curitiba, onde fazia treinamento para voar de parapente.

O professor Kauan Felipe Lichtonow, do curso Vento Norte, disse que Adelir foi desligado depois de um mês de aulas, pois era um aluno inexperiente e indisciplinado.
Qual foi a finalidade dele em fazer algo tão arriscado e sem propósito? Aquilo nem balonismo foi, pois era balão de aniversário, e tinha tudo pra dar errado...
Mas o “sem propósito” pra mim é que é a questão.

Pelo que vi, ele não estava arrecadando fundos para a igreja dele, ou para alguma obra de caridade ou mesmo missionária.
Se fosse “desafio pessoal”, teria sido melhor nadar o canal da mancha, pedalar do Paraná até Santa Catarina de bicicleta, ou dar uma de Forrest Gump e sair correndo o páis afora, do Oiapoque ao Chuí.
Mas morrer desse jeito chega ser ridículo...deixou o rebanho dele sem pastor, e sumiu junto com os balões - alías, só estes foram encontrados.
Foi pensando em seu rebanho que o Pastor George Foreman voltou aos ringues.

A igreja dele, pequena, precisava de reformas, e também comprar bancos novos.

Ele, em vez de ficar pedindo dinheiro ao povo, coisa muito comum atualmente, foi literalmente a luta.
Estava afastado do boxe há mais de dez anos. E estava uma bola, pesando quase 150 kg.

Só perdeu 20, e no início, mal conseguia correr, virando motivo de chacota na rua.
Acabou se tornando o mais velho campeão mundial dos pesos pesados, com 45 anos de idade, lutando com um adversário de 29.
Construiu a igreja, e depois, em consequência de sua volta, ficou rico com o famoso “Grill do George Foreman” que vende até nas lojas de magazines do Brasil.
Isso sim, é um desafio com um grande propósito.
O restante, são desafios pessoais, a maioria até bacanas de se ver...
Menos passear com balão de festa de criança, em cima do mar.
Faça-me o favor...