segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sobre Ostras, Pérolas e dores


Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.

(2 Corintios 4.8,9)

Se vc parar pra pensar em quantas vezes pensou em desisitir, pode se surpreender.
E muitas vezes, vc realmente se abateu, mas não foi destrúido.
Muitas vezes, tal como na “ilha de Lost”, vc tentou fugir dela: mas a iIha te segurava, sempre dava um jeito...
Ou até mesmo consegui fugir dela, apenas para ver que precisava voltar.
Não, vc não está perdido: um dos métodos favoritos do “Chefe” é fazer passarmos por dores dos mais variados tipos, com um fim: produzir algo de bom.
Ás vezes, temos que passar por situações que vão nos fortalecer, fazendo com que produza em nós algo até mesmo belo.
Num trecho de um livro de Rubem Alves, pude ver esse exemplo, essa semana.
Em seu livro 'Ostra feliz não faz Pérola', ele diz o seguinte:

“Havia uma ostra muito triste pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos.As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma...”
Aí então lembrei que minhas melhores performances sempre foram debaixo de dor.
Minhas melhores linhas foram quando eu estava com dor na alma; pensava: ' como posso
escrever isso, sentindo tamanha dor?'
Uma de minhas melhores aulas, eu estava moído por dentro; mas houve uma grande conquista, naquele dia.
Falando 'de público', num niver de 15 anos, salão lotado, o tio da aniversariante agradeceu minha palavra, efusivamente, e me deu abraço assim que acabei de falar.
O que ele não sabia, é que se pudesse, teria ficado na minha batcaverna: estava em frangalhos, emocionalmente.
Mesmo no plano físico, isso também aconteceu: jogando gripado, ou entristecido,peguei até pensamento,enquanto 'inteiro', engoli vários frangos ridículos;
Fui campeão num torneio de Jiu-Jitsu sem fôlego e sem forças (ah se o canadense soubesse...) no fim, nem consegui abrir a garrafa de Gatorade, tiveram que abrir para mim- a mão tremia mais que o trem que vai pra Central ( não o coreano, claro).
Deus permite que essa dor venha, para provocar algo de bom em vc:
Uma pérola está sendo formada, e logo, todos vão admirá-la.
Dói, mas é como diz a propaganda da Mastercard:
Não tem preço.