terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Memórias 2- O Cinema em minha Vida



Cinema é a maior diversão”, dizia o cartaz da Severiano Ribeiro, em minha época de adolescente...mas no meu caso, era mais do que isso:era um refúgio, um escape.


Primeiro,como a maioria até hoje, comecei com os filmes da Disney, mas não era desenho animado: foi um filme que tinha uma cama voadora, esqueci o nome.
Depois, com as comédias do fusca Herbie. Em todos, era levado por meu pai.


Quando viajamos, eu ainda criança, pra morar fora, em vez de filmes dos trapalhões, como a maioria de minha geração, ou do “Didi”, da geração de hoje, junto com os filmes da Xuxa, eu dei um salto maior: assistia comédias francesas.


Meu primeiro ano de criança lá fora foi na Grécia, e lá, junto com meu pai, ia toda semana ao cinema, que passava reprises de filmes de 2,3 anos antes, ou mesmo clássicos.
Assim, vi todas as comédias do Lois de Funnés, um comediante francês, o melhor da europa na ocasião- anos mais tarde, vi uma entrevista que o Renato Aragão dizia se inspirar nele.


O melhor filme dele foi “ As Loucas Aventuras do Rabbi Jacob”, em que ele se disfarçava de rabino, acaba sendo confundido com o verdadeiro Rabino Jacob que ia visitar uma comunidade judaica na França, e é perseguido por terroristas,etc.


A cena dele entrando na sinagoga, todo mundo feliz esperando ele ler a Torah, e ele sem saber lhufas de hebraico, é hilária...bem como a cena da dança, ele sendo obrigar a participar daquelas típicas danças israelenses... vou tentar achar e postar na sessão revival, que hoje será dos filmes que me marcaram.


Da Grécia fui pra Alemanha, sempre pequeno...e agora apaixonado por cinema.
Na minha cidadezinha, tinha um cineminha em que não só revi o Rabbi Jacob, como também os do fusca Herbie. Ia ao cineminha de bike, botava o cadeado de segredo nela (combinação: 667) e mandava ver um filminho, sempre ás sextas.


Na volta ao Brasil, foi um choque muito grande pra mim: já estava acostumado a outra cultura... pra vc ter idéia, na 3ª série, eu já resolvia equação de matemática que aqui só vi na 6ª série- O Brasil era muito mais atrasado do que é hoje.
Somando o choque cultural, e mais a ausência de meu pai por longas viagens de serviço, assim como um mau casamento de meus pais, e a falta de atenção dele nesse período (chegou a passar sete anos longe de casa), eu quase pirei.


Hoje, fico vendo como Deus se utilizou dessa minha paixão por cinema pra que não me perdesse.
O certo, seria uma ajuda profissional...mas psicólogo?


Naquela época, isso era “coisa pra maluco”, dizia minha mãe..hoje todo mundo faz análise e muito mais...


E a Igreja?
Meu pastor de então estava fazendo faculdade de filosofia...empolgado, deixou as verdades bíblicas de lado, e só dava Sócrates, Aristóteles e Platão nos sermões...
Nego na congregação ficava olhando um pra cara do outro...uma geração inteira morreu de “fome espiritual”- todos secos e famintos da verdadeira palavra.


Foi a época em que tudo veio ao mesmo tempo, uma espécie de “pacote do mal ”:

Me ofereceram drogas...eu via nego cheirando lança-perfume e fumando maconha- todos diziam que era bom pra viajar ;


Me chamavam pra dar calote no ônibus e furtar pequenas coisas nas Lojas Americanas ou nas lojas de roupas, e chocolates em supermercados;


Os convites para ir ao puteiro, pra perder minha virgindade;


Os convites para 'aprender a beber'...e por aí vai (dois amigos viraram alcoólatras hoje,começaram nesse período).


Foi aí que nessa época o cinema deixou de ser só um prazer: virou um refúgio, uma necessidade, uma proteção - o cinema virou o meu
bunker.

Quando estudava de manhã, emendava no cinema para chegar em casa mais tarde.


Assim durante um daqueles anos, fui ao cinema 82 vezes, meu recorde até hoje: ia na semana e aos sábados, e na grande maioria das vezes,ainda sem idade para entrar.
Esse ano, fui 24, 25 vezes- todos com idade para eu entrar...rsss!


Se o Rabino Jacob marcou a infância, dois filmes marcaram a adolescência:

A Força do Destino e De Volta Para o Futuro.


No primeiro, ainda sem idade para entrar (era 16 ou 18 anos) mas já com altura, fiquei engasgado pra não chorar (já no prelo a mensagem: homem chora?):


Parecia que me via na tela...o pai do Richard Gere no filme, além de se parecer fisicamente com o meu, não ligava muito pro filho (como o meu) era da Marinha (como o meu) e vivia cercado de putas (como o meu)!


Mas no final, com a música que levou o Oscar (vc vai ver na sessão revival) era como se estivesse dizendo pra mim: apesar de tudo, ele conseguiu vencer, vc também pode vencer...


Desde então, devo ser um dos raros homens (macho, hoje tem que falar assim) que acompanha a carreira de Richard Gere, desde então -esse ano, vi dois filmes com ele, todos no cinema- sou fiel aos meus amigos que me ajudaram.

No caso do De Volta Para o Futuro, era puro sonho mesmo...


Acho que queria aquele carro pra voltar no passado, e ter uma família feliz de verdade- como aconteceu com a dele, antes de voltar no passado: tinha uma família infeliz, mas tudo se consertou, graças a uma ida ao passado, e a volta para o futuro.


Até hoje, pode repassar esse filme, que revejo- aconteceu numa madrugada dessas de sexta.
Poderia falar de tantas coisas mais sobre cinema...mas bateu cansaço, e não quero também cansar vc.


Lee- cujo cinema começou como paixão, virou refúgio, e agora,é de fato...a maior diversão.


Amanhã: Memórias 3 - vida de goleiro

Na sessão revival, veja os filmes que me marcaram:O tema de A Força do Destino, De Volta para o Futuro, e Rabbi Jacob-veja nos vídeos do meu orkut.