segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Niver Day – memórias: parte 1


Nessa semana, aproveitando a semana do meu niver, farei uma mini-série de memórias, que espero que seja só em 3 ou 4 partes:o problema é que adoro sequências, mas vou tentar manerar...rss...se não, cansa, a vc e a mim.


O dia do seu niver deveria ser uma espécie de feriado pessoal - nesse dia, vc não trabalharia, não ia pra aula, nada, iria tirar o dia só pra vc.


Como a maior parte da vida trabalhei em regime de plantão, só uma vez que trabalhei no meu niver, e não contei a ningúem.


No dia do niver da gente, é pra comer o que a gente quiser, estar com quem a gente quiser, fazer o que a gente quiser, ir aonde a gente quiser.
Infelizmente, nem sempre isso é possível.


Dias de niver pra mim, sempre foram meio...complicados.
O melhor niver de minha vida foi com uns 8 anos de idade, na época que morei na Alemanha- todos os meus amiguinhos de escola e vizinhos encheram a casa...
Bolo, doces, presentes, mas muito mais que presentes ou comidas, uma coisa que me deixou alegre foram as pessoas- eu sempre gostei de gente. Tenho a foto daquele niver até hoje.


O pior foi o de 10 anos de idade...eu tinha acabado de voltar, e aqui no Brasil, não tinha amigos...pra piorar, tiveram a brilhante idéia de comemorar com o primeiro aniversário de uma de minhas sobrinhas, que fazia um ano... resultado:
Um monte de gente desconhecida pra mim, que passava e deixava presentes de criança pequena, tipo mamadeiras,chupetas e roupinhas, e quando descobriam que eu também era um 'homenageado da noite”, sem graça, diziam: “ah, parabéns pra vc também”.


A sensação na minha cabeça era: "Ah, Parabéns Pra vc também, seu merda!" KKKK!


Nem preciso dizer que não ganhei nada de presente, aos 10 anos: mas, o problema não eram presentes, eram os presentes, ou seja, um bando de gente estranha que nunca vi na vida:
E que me trataram com indiferença e frieza.

Chorei baldes naquele dia sozinho no quarto, a noite, no escuro (saco, tá vindo lágrimas)...queria voltar pra Alemanha...queria voltar pra minha escolinha...queria voltar pros meus amigos.


Outra “maldade” que sempre faziam comigo era dar roupa em vez de brinquedo -foram raros os brinquedos que ganhei de niver...de cabeça, me lembro do tufão da estrela, e de um tanque de guerra...me davam mais “roupa”- quem disse que criança gosta de roupa?


A coisa só foi melhorar já adolescente- com a mesada, comprava jogos, que adoro.
Essa péssima experiência de niver me fez ficar recluso nos anos seguintes, uma espécie de proteção:


Nunca mais, na minha vida, iria comemorar niver com ninguém- eu poderia ser gêmeo siamês que não iria comemorar...sabe esses lances de aniversariantes do mês, da semana, etc, que chamam todo mundo? Sempre corri disso- não rola.
Desde então, sempre foi complicado...aí decidi que, se não poderia passar com quem queria, ou com amigos que quisesse, era melhor passar sozinho.


Por isso, quando convidado a um niver, vou até ele com todo carinho, compro um presente sempre a agradar o aniversariante, e se num conheço o gosto dele, dou um daqueles vales da Saraiva (livros), C&A, etc...tem nego que, acredite, dá fôrma de gelo!


Se vc receber uma fôrma de gelo no seu niver, dê uma porrada na cara de quem lhe deu e diga:
“Calma, vou estrear sua forma de gelo, deixa eu só colocar água e botar no congelador!”


Bem...hoje eu vou tomar um super-café da manhã, a la americano, com bacon, ovos, suco de laranja, banana com mel, sucrilhos, café com leite pequeno (mais escuro) e uma Coca- tem um posto com um daqueles lanches 24hs que tem isso aqui perto.


Vou almoçar ou no B- 52 ou no Outback, ou onde me der na cabeça:comer tudo aquilo que geralmente não como.
E, lógico, cineminha...teve um niver que vi três sessões na sequência.


E sozinho...estou numa fase de transição, atualmente os amigos mais chegados estão um pouco mais distantes...descobrindo ou tentando ser descoberto por novos amigos:
Um estranho é, nada mais, do que um amigo em potencial: já passei vários minutos conversando com gente que nunca vi na vida, mas que esbarrei em algum momento, em conversa agrádável, mais do que gente que a gente costuma ver toda a semana, mas é um sebo só.


Ah, “Chefe”: obrigado por tudo o que tens feito...se num fosse vc, já teria ido praí antes do tempo...eu não tenho palavras, nem atitudes pra agradecer...tem sido um longo deserto, dói e cansa pacas, mas é bom só ser “preso só á vc”- quem caminhou na minha frente viveu isso, e se deu bem- essa liberdade, esse desapego as coisas daqui, nego num entende, só a gente que é doido!


Lee, curtindo o primeiro ano do resto de minha vida.
(amanhã: memórias 2 – O cinema na minha vida)
Na sessão revival, o Ira! canta “envelheço na cidade”- veja em vídeos de meu orkut