quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Contos Proibidos de Kunlun 3



Contos Proibidos de Kunlun

(Série fictícia, mas com um “fundo de verdade')


Toda quarta, e agora também as sextas!


Tomo III – A Chegada ao Mosteiro


Finalmente, após 15 minutos, o caminhão chega até a porta do mosteiro...bem em cima do portão de entrada, havia uma frase escrita em Chinês.

- Sabe o que está escrito ali em cima, Lee-san?, perguntou Muriú.
- Humm..xôvê...”pague para entrar, reze para sair “? Debochou Lee.

- Engraçadinho vc,disse Muriú, virando-se para a frente.
Da caçamba do caminhão, Lee continuou: - Já sei: “ Vamos abrir a porta da esperança!”... dessa vez foi Sato, o motorista, que virou pra Muriú, rindo...

- Ou quem sabe, “Bem vindo ao castelo mágico da Disney - China!”.
- É, concordou Muriú, e o Pateta acabou de chegar, disse...Sato explodiu numa risada, e Lee logo parou de tagarelar.

Muriú não disse o significado da frase...Lee num deu a menor bola para isso.
Assim que chegaram, todos os novos alunos foram direto para o pátio principal com suas mochilas, alguns com malas, outros, eles própios eram malas...

De uma grande varanda, igual o Papa faz na praça de São Pedro, todos ouviram a mensagem de boas vindas do velho ancião, o Abade do mosteiro.

Perfilados, todos escutaram que aquela era uma oportunidade ímpar de estarem ali, que nunca o mosteiro tinha sido aberto a ocidentais, que os que ali estavam deveriam se lembrar disso...e que “muitos foram chamados, mas poucos seriam escolhidos”.

Terminada as boas vindas, foram conduzidos aos quartos por Zháo, uma espécie de 'chefe de disciplina' do mosteiro...ele tinha a cabeça raspada,e tinha fama de ser rígido- nunca tinham visto ele sorrir...Lee veria, mas em curcunstâncias que vcs só saberão mais adiante.

No quarto, Lee teve a grata surpresa de conhecer Sven, um aluno alemão...assim, podia praticar o idioma, na terra onde foi descoberto por Muriú...ficariam juntos naquele ano, pois a cada ano havia uma troca.

Eram dois por quarto, e haviam cerca de 30 alunos começando aquele primeiro ano de 4 'estágios' como dissera o Abade...a 'prática' seria na vida real.

A maioria dos alunos eram orientais da China mesmo, mas tinha um tailandês...

Dos ocidentais, Lee, Sven, Sam (americano), Rwalla (um jovem príncipe vindo do Congo) e Samir, do Egito.

Duas horas depois, já no almoço, já estávam vestidos de 'monges'...mas as hostilidades começaram: a Chinesada toda chamava os alunos do primeiro estágio de 'bichos'...a maioria não concordava com a presença deles ali, e todos se comunicavam em inglês- era a ordem do mosteiro, para unificar tudo.

Os do 4º estágio eram os mais ferozes...Chang, o chinês mais alto (devia ter 1.90m, a maioria dos chineses não passava de 1.60m) e forte, era um dos mais cruéis...ele pegava a carne das bandejas dos pratos dos alunos, e distribuía entre os amigos deles, rindo, caçoando dos outros novatos, que ficavam sem carne.

Até que chegou na mesa onde estava a maioria dos ocidentais...e ia tomar a carne do prato de Lee...na hora em que ia meter a mão, Lee puxou a bandeja.

- Como ousa negar minha comida?? Isso me pertence por direito!!, disse o valentão Chang.
- Por direito? Num tô vendo teu nome na carne não, disse Lee, sarcástico, e levantando a parte de baixo da carne: “Pode ser que esteja aqui embaixo...”

- Verme do ocidente!, disse Chang, enpurrando Lee da grande bancada de cadeira de cimento.
Enquanto este ia de costas ao chão, Sven gritou: - Quer a nossa comida? Então toma!”, e sentou a bandejada na cabeça de Chang, que ficou mais surpreso do que atordoado.

Chang pegou Sven, que não era baixinho, e o arremessou sobre a mesa.
Quando se virou, Lee o acertou com um soco na cara, e Chang 'bambeou' para o lado...estava armada confusão, que só pararia uns dois minutos depois, com a chegada de Zháo, com seu apito.

Naqueles dois minutos, havia um misto da turma do 'deixa disso', com a turma do 'quero isso', a adrenalina foi a mil...os chineses do quarto estágio se surpreenderam com os ocidentais- não esperavam que sabiam lutar.

Sven encarou dois chineses, ágeis, que o machucaram, mas ele ficou de pé, tentando ir na direção de Chang;

Kwalla, baixinho, parecia um macaco saltando por sobre as mesas, pegando impulso nas paredes e pulando e socando o que se movia pela frente, a la Homem-Aranha... Não foi a toa que em Kunlun, ele escolheria o Kung-Fu estilo do Macaco, para se desenvolver.

Samir dava potentes chutes que varria quem estava na frente dele...nego gritava de dor;

Sam fazia o estilo 'Kickboxer'...enfim, Zháo apitou, e uma das regras era obedecer imediatamente o apito dele, senão era 'rua'.

Terminada a confusão, Zháo chamou Sven na sala dele...e um aluno do quarto ciclo.
Quero nomes! Cabeças vão rolar!, disse Zháo.
O aluno do quarto ciclo ficou em silêncio, de cabeça baixa.
-E vc, o que me diz?, perguntou para Sven.

-Vocês tem suas regras, nós temos a nossa, respondeu Sven, sério.
- Muito bem, seu alemãozinho...eu vou ficar de olho em vc...um deslize, e vou recomendar a sua expulsão, disse Zháo, que passaria a perseguir Sven, a partir desse episódio.

Sven já tinha 14 anos, e Lee iria fazer 14 no dia seguinte, mas não contou a ninguém...naquele dia, todos puderam ligar pras suas famílias, dizendo que haviam chegado bem...as ligações eram limitadas a uma vez na semana.

O episódio no refeitório fez com que aquela turma fosse respeitada por todos no mosteiro...não sabiam que eles tinham um passado nas artes marciais: só descobriram na cara deles, mesmo.
Lee foi aplaudido quanto entrou na aula á tarde, pela turma...Chang o deixou em paz, naqueles primeiros meses...

As aulas começavam seis da manhã, com a alvorada, seguido do café, e depois exercícios físicos, e artes marciais...Zháo puxava a parte física, e começou a pegar no pé do Sven, torcendo para que ele desistisse.

Os alunos foram divididos em dez para cada professor, que contando com Muriú, eram 3, de artes marciais.

Muriú puxou Lee para sua turma, e frequentemente, o treinava separado dos outros, dando sequencia ao que havia sido interrompido anos antes...só que dessa vez, Lee mais forte, era barra pesada mesmo...extenuante.

Depois, das nove ao meio dia, eram aulas mesmo, ciências, matemática, filosofia geral...parada pro almoço, um breve descanso, e mais estudos a tarde.

De início, Lee e os outros apagavam nas aulas, pegando no sono.

Cansado depois da janta das seis, era noite em Kunlun...ao sair do refeitório, Lee se encontra com Muriú...e soube, através deste, que Chang havia tomado três pontos no supercílio, na enfermaria.

-Você machucou um aluno de 18 anos, mais forte que vc, disse Muriú, ele nunca foi expulso, apesar de encrenqueiro, pois é protegido do Zháo, disse.

-Mas não vacile mais, se não poderão te expulsar, disse Muriú.

Meses depois, Chang seria expulso...e Sven ficou com Zháo nas mãos...mas isso é assunto para mais adiante.

A lua não aparecia, mas dessa vez quem iluminava os céus de Kunlun eram as estrelas...estavam brilhantes...

- Aprenda com as estrelas, Lee-san, filosofou Muriú...sozinhas, elas não iluminam quase nada, mas juntas, clareiam toda a escuridão...vocês se juntaram pela manhã, e por isso a escuridão não prevaleceu, disse.

Lee ficou pensando...e dessa vez sem gracinhas, concordou.

- E principalmente, lembre-se quem é a nossa “estrela da manhã”, disse, referindo-se ao “ Mestre de ambos ”...Muriú saiu em seguida.

No quarto, ás luzes eram apagadas ás dez da noite...Lee e Sven estavam exaustos, e o amigo alemão 'apagou' mesmo com a luz acesa.

Lee, no entanto, foi a janela, e reviu as estrelas.

Lembrou-se da borboleta azul-roxa que pousou em seu ombro esquerdo no caminho, e na 'transformação' que agora se iniciara...

Pensou no conselho de Ad-Rahmir, na aldeia...tava morrendo de curiosidade de ver como era a Krishna, filha dele, e assim que fossem liberados pro final de semana, iria lá...

E agora, pensou em Muriú falando sobre as estrelas...assim, apanhou um lápis, e desenhou, bem na parede em frente a cama dele, uma borboleta, um coração, e uma estrela.

Assim que acabou de desenhar, as luzes se apagaram...e ele se deitou em sua cama, pegou sua lanterninha, e ficava iluminado uma de cada vez:

A borboleta...o coração...a estrela...
Borboleta...coração...estrela...

-vai dormir não?, resmungou Sven, virando-se de lado na cama dele.
-Já vou, Sven...já vou dormir...e continuou a iluminar:

Borboleta...coração...estrela...
Borboleta...coração...estrela...
Borboleta...coração...estrela...

Click.

Na próxima sexta-feira:o Retorno a Aldeia
(Na Sessão Revival, veja Muriú treinando o jovem Lee em Kunlun - vá em vídeos do orkut!)