quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Contos Proibidos de Kunlun 7



Contos Proibidos de Kunlun

Uma série fictícia, com mais verdades que vc possa imaginar...hoje, todas as partes ridículas realmente aconteceram.

Todas as Quartas e Sextas.

Tomo VII – Só Dói Quando ele Ri


Anteriormente, em Contos proibidos de Kunlun:

-Você machucou um aluno de 18 anos, mais forte que vc, disse Muriú, ele nunca foi expulso, apesar de encrenqueiro, pois é protegido do Zháo, disse.
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-Eu não aguento mais a perseguição do Zháo, me diz Sven, vou acabar rodando.

Zháo, o chefe de disciplina do mosteiro que nunca sorria, começou a perseguir Sven desde o primeiro dia (veja no Tomo I), forçando ele a desistir.

-Ele me disse que iria fazer de tudo pra que eu desistisse...tô com duas advertências, tudo por besteira, a terceira fico no final de semana sem poder sair.

Sven realmente nunca fez o tipo caseiro...enquanto eu transito bem tanto pelo lado de aventura, quanto pelo de ficar em casa, ele odiava ficar entre 4 paredes...

Alías, certa vez ele me disse que queria ser piloto de jatos, só pra viajar o mundo todo...num podia ouvir barulho de avião na janela,que corria pra ver...sem falar nos modelos de pequenos aviões da Revel, que montava e guardava escondido no quarto.

-Calma, vamos ver o que vai acontecer...num dê mais mole para advertências, disse a ele.

Samir, o egípcio, já havia desistido na semana, indo embora de Kunlun...num queria mais ver “baixas” entre a gente...e já havia passado a vontade de sair também, depois da partida, pra sempre, de Susie.

Havia, no mosteiro,um grupo considerável de gays...ninguém tocava no assunto, afinal, em qualquer segmento religioso, até hoje, esse assunto é tabu.

Eles só se falavam entre eles, até por proteção, pois todos os discriminavam, e quem sequer falasse com algum deles, ou era zoado, ou considerado simpatizante.

Fui o primeiro no mosteiro a falar com um deles.

Haviam alguns mais afetados , e outros sem qualquer aparência, tanto no jeito, quanto na voz.
Certa vez, no refeitório, um deles viu que a comida era peixe...e ,com dedinho na boca e voz “afetada”, disse: Pêixeeeee....ai, nãaao...!

Eu também não gosto de peixe...e por isso até hoje lembro daquela cena...mas nunca reclamei desse jeito (kkkk)!
Mas a primeira vez que me dirigi a um deles, foi com Jiang, que não tinha trejeitos, nem voz “afetada”.

Ele estava sentado perto do jardim de meditações do mosteiro (onde volta e meia eu via uma borboleta), e dizia, sem parar: Pecado, pecado, pecado....

-Ei amigo...não fique com a culpa de pecados...isso não vem de Deus!
-Pecado, pecado...não consigo...

Naquela hora, sabia extamente do que Jiang estava falando...bateu um feeling...e fui movido de íntima compaixão para com ele.

-Não fique assim...deixe que a graça e o amor de Deus vá curando, somente isso.

Naquele instante, amigos da turma de Jiang viram a cena...e a partir daquele dia, todos os orientais da ala gay do mosteiro, se dirigiam a mim, me cumprimentando.

Sven não gostou: - vc foi falar com esses viadinhos, agora tão até me dando bom dia!
-Ah, loiro e de olhos azuis, logo vc vai estar num poster no quarto deles- kkkkk!
-Sheisse!! Tudo culpa sua!, xingou meu colega de quarto alemão.

Sven não sabia separar as coisas,como a maioria das pessoas, até hoje.
Vários deles, no mosteiro, foram expulsos de suas casas, rejeitados pelas famílias, quando descobriram que eram gays.

A mesma coisa acontece hoje, quando são descobertos em seus empregos, por suas famílias, etc.
O indice de suicídio, entre eles, é alto, por causa disso.

O que Sven nunca poderia imaginar, é o que ocorreria depois desse episódio.

Ele levou a terceira advertência, e assim, teria que passar o final de semana estudando na biblioteca...Zháo, o chefe de disciplina que nunca sorria, o ferrou mais uma vez, por um atraso de dois minutos.

Sven ficou P da vida...e naquele dia, Zháo também ficou no mosteiro, na esperança de dar mais uma advertência a ele.

Em solidariedade ao meu amigo, que se sentia enjaulado, não saí do mosteiro, também...eu tava quase me recuperando da partida de Susie...naquele dia, li uma parte de Moby Dick, na biblioteca...comecei a gostar de baleias.

Mas á noite, bem de madrugada, é que veio a vingança de Sven...

O banheiro era coletivo, e em cada andar havia um...assim, quando ele foi ao banheiro de madrugada, ouviu” barulhos estranhos”, e correu pra me acordar.

-Tá rolando alguma coisa no banheiro lá de baixo, me disse...vamos ver!
Peguei minha lanterna e realmente, quando descemos a escada, no segundo andar, tinha barulho...mais da metade do mosteiro saía, e o silêncio propagava qualquer som.

Quando já estávamos no primeiro andar, ouvimos: - Aaaiii!!!
Na mesma hora, olhamos um pro outro, e cada um colocou sua mão tapando a própia boca, pra não gargalhar...já sabíamos que “ai” era aquele.

-Tem alguém se dando mal, disse Sven baixinho, se controlando pra não rir...
-E bota mal nisso!, disse eu, doido pra dar uma gargalhada.

Seguimos o caminhos dos ais, que levava até o banheiro coletivo do primeiro andar...só uma das luzes estava acesa, mas deu pra perceber que era Zháo lá dentro:

O chefe de disciplina, vestido de mulher, com peruca, e imediatamente em sua “retaguarda”, Chang, o encrenqueiro! E Zháo estava sorrindo, todo alegre!

Eu e Sven ficamos surpresos...mas a frase a seguir é que entregou nossa presença ali...

Muitas frases me marcaram em Kunlun...as tiradas filosóficas-existênciais de Muriú, frases de outros mestres, etc...mas a frase abaixo também é inesquecível, que ouvi naquele dia no banheiro coletivo de Kunlun:

- Devagar! Quem tá dando o (piii-censurado) sou eu: então sou eu que tenho que saber se está doendo ou não!!!

KKKKKKKKKKK!
E foi isso isso que fizemos: gargalhamos na hora, num aguentamos, e saímos correndo para nosso andar, lá em cima...entramos no quarto e trancamos a porta.

Zháo foi lá em cima, a seguir, bateu na porta, desesperado...Sven abriu a porta, e Zháo, já sem peruca e vestido, quis dar uma de “macho” pra cima dele:

-Seu bisbilhoteiro! Eu vou expulsar vc! Na segunda- feira vou recomendar sua expulsão, disse desesperado.
-Não vai não, disse eu, indo na direção dele...eu também vi.
-Ora, não se meta! Isso é entre eu e esse alemão fedelho!

-Não é mais, disse Jiang, aparecendo de surpresa, com vários outros internos que ficavam nos fins de semana- a grande maioria dos gays rejeitados por suas famílias...eles ouviram o escândalo que Zháo fazia e foram lá ver o que estava acontecendo.

-Se vc tentar prejudicar um dos dois, iremos todos na sala do Abade, na segunda-feira, te entregar...todos nós sabemos que vc é gay enrustido, disse, com a concordância de uns 20 deles, da ala gay.

-Se vc continuar me perseguindo, vou te entregar, disse Sven a Zháo, e mais:
- A partir de agora, vou colocar tudo o que quiser no meu quarto, e vc não vai me impedir.

Zháo tava morrendo de raiva, mas assustado...

Só sei que nas semanas seguintes, nosso quarto recebeu vídeo-cassete, geladeira pequena, Sven pode exibir seus aviões, torradeira elétrica, liquidificador ...

Eu, que simplesmente tinha tomado a iniciativa de falar com a ala gay, sem absolutamamente nenhum interesse (em todos os sentidos) e agora, poderia contar com eles, caso tivesse que entregar Zháo...Sven passou a dar bom dia pra eles, ao invés de só responder.

Alías, na semana seguinte, Sven me deu 3 posteres de presente, daquilo que eu havia desenhado na parede: a borboleta, o coração, e a estrela.

Quando fui agradecer, percebemos que nosso abraço, foi meio incompleto, meio que travado...ainda estávamos com trauma da cena que nós vimos...rsss!

Nos olhamos, segurando uma das mãos no ombro do outro, e com a outra apontando um pra cara do outro, e dissemos juntos:

-Sem viadagens, Sven/Lee...kkk!

(Na Sessão Revival, Os Mamonas Assassinas e seu Robocop Gay- veja em vídeos)