sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Contos proibidos de Kunlun 8


Contos Proibidos de Kunlun

Das Kunlun Vorbitten Geschischten,diria Sven

Uma série fictícia, com pitadas de verdade
Toda quarta e sextas-feiras

Tomo VIII – O Ataque dos Salteadores

Anteriormente, em Contos Proibidos de Kunlun:

Foi assim que vi Kalaffiah chegar, de branco, da cidade onde ela estudava enfermagem, algo tipo um curso técnico:

-Oi, tudo bem com vc? Vai descer pra cidade? Perguntou ela, num belo contraste moreno- árabe com a roupa branca que usava.
-Oi! Não, eu to esperando uma amiga...tudo bem?
-Tudo...é alguma amiga da aldeia? Perguntou ela, num tom curioso-ciumento.

-Ah não, é uma amiga de infância, ela chega daqui a pouco.
-Ah tá, disse ela com um semblante um pouco mais aliviado...bem, apareça por lá na aldeia, quando der...bye!

- Podexá, vou aparecer sim (no dia de São nunca, pensei)...bye!

Nós já havíamos sido alertados do ataque de salteadores...eles viviam roubando as pessoas, e muitas vezes, as espancando...havia relatos de pessoas que nunca mais tinham sido vistas, especialmente mulheres.

Naquela semana, Muriú tinha nos iniciado em combate contra mais de uma pessoa...meu braço ficou roxo, e meu tornozelo um pouco inchado da pancadaria.

-Lembrem-se, disse o Sensei, quando mais de uma pessoa for atacar vc, o primeiro a lhe atacar vai ser o que fica atrás, o covarde.

Assim, fomos orientados a atacar primeiro o que estava atrás da gente, aquele que se posicionaria pra nos dar o bote.

-Mas se não tiver ninguém atrás? Perguntei.
-Então, tome a iniciativa, pois se eles se juntaram, eles vão pegar vc...ataque sempre o mais próximo.

Muriú tinha um bambu seco, que batia na gente pra corrigir...ardia pacas...ele não gostava que ninguém recuasse, a não ser estratégicamente, se não, largava o bambu nas costas ou nas pernas de quem recuasse.

Isso serviria pra muitas lições de vida, também...alías, tudo o que ele fazia e falava, servia de exemplo de vida.

Sven, Rwalla e outro colega chinês me cubriram de porrada, me deixando as contusões acima citadas...e isso por que eram amigos!

No fim de semana, Sven ia me mostrar uma aldeia que ele tinha visto e gostado...pegamos nossas bikes, e deixamos o mosteiro.

Na metade do caminho, ouvimos um grito, seguido de um barulho de tapa, e algo como alguém abafando o barulho.

Vinha de dentro do matagal, fora da estrada...olhamos um pro outro, fazendo sinal de silêncio...ainda bem que naquela hora, a gente não estava conversando, como fazíamos quase sempre: por isso deu pra ouvir.

Saímos da estrada, e quando olhamos a cena, três salteadores(bandidos) estavam numa clareira depois do matagal: um segurando a mochila, outro segurando uma garota, e o terceiro, mas forte, ameaçando ela.

-Putz...conheço aquela garota...ela é da aldeia, disse a Sven.

Provavelmente, haviam surpreendido Kalaffiah na subida, quando ela chegava da pequena rodoviária...o bandido mais forte a ameaçava:

-Eu não falei pra vc num gritar? Agora, vc vai gritar de verdade!
-Sven, volte, pegue sua bike, entre aqui distraindo eles...quando forem pra cima de vc, vou pra cima do grandão, e depois fugir com ela, disse preocupado.

-Já é...cuidado, esses caras são barra pesada.
-Siga em direção a pequena rodoviária, lá tem um posto policial...tentarei te seguir, mas se alguma coisa babar, avise a polícia, disse.
- Jawohl, vou pegar a bike!

Assim que Sven voltou, entrando com a bike e chamando a atenção, deu meia volta, e os outros dois bandidos que não estavam com Kallafiah foram atrás dele, a pé.

Nisso, aproveitei e disparei com tudo na direção do bandido mais fortão...e agora?
Ele empurrou Kallafiah pro chão, e me encarou...era mais alto e mais forte, mas pelo menos, ele tinha deixado ela...

A aula prática de Muriú estava sendo fora do mosteiro, como ele sempre quis nos preparar, para a vida...mas ali, era pela sobrevivência.

O fortão tenta um chute, que desviei, seguido de um soco direto, que se me acerta era nocaute...ele se surpreende, por não ter recuado, apesar de estar apavorado, mas não podia demonstrar...

O contra-golpe foi com a lateral da mão no pescoço, que dói e tira o ar na hora...ele fez: coff!
Corri em direção a Kallafiah, pois os outros dois perceberam que Sven não estava só e voltaram, e puxando- a pela mão, corremos em direção a minha bike...

-Dá pra vc largar essa mochila??
-É ruim, hein, minhas coisas estão aqui, nada disso!
-E o que é que vc carrega aí, posso saber? Vc é pequena , mas tá pesada!

Conseguimos nos desvencilhar até chegar na bike, e como era descida, o peso da mochila de Kallafiah até que ajudou (ela foi na garupa- houve uma época, em que as bikes tinham garupa)...eles tentaram correr atrás de nós,mas desistiram, pois estavam a pé...

Kallafiah me contou como foi surpreendida, e disse que eles são uma turma de salteadores das redondezas, que nunca foram pegos.

Um jipe da Polícia de Kunlun vem ao nosso encontro...Sven já havia chegado lá embaixo...Kallafiah, mais fluente e conhecedora do local, diz aonde era...e segundo entendi, disse que não iria dar queixa, pois não adiantava e era perigoso.

Assim, vou até a entrada da pequena aldeia com ela...

-Pode me deixar aqui, Lee.
-Ufa,pensei... vc tem certeza, vc tá bem?
-Sim, estou melhor, obrigada...em minha cultura, agora sou devedora de um favor á vc, disse a morena-árabe.

-E em minha cultura, quando a gente salva a mocinha, a gente faz assim ( dando um beijo nela, que se surpreende)...
-E em minha cultura, eu deveria dar um tapa agora em vc, assanhadinho, diz ela, me empurrando...
-Que bom que somos de culturas diferentes, não é?, Disse a ela, rindo.

- Maas Salama, Lee...e muito obrigada pelo que vc fez, disse ela, sorrindo, e indo para a aldeia.
-Adeus, Kallafiah...se cuida...nem sempre vou estar por perto, disse rindo.

Ela falou algo em árabe, mas num entendi...me soou como “convencido”, algo assim.

Sven me olhava, de cima da bike dele, já havia subido novamente...e ria pra mim.

Decidimos que era melhor voltar ao mosteiro, e esperar uma semana pra sair novamente, por motivo de segurança...vai que os caras iam atrás da gente naquele dia...e ele pergunta:

-Vc realmente adora as morenas, hein?
-Eu não...num faço distinção...por que?

-Ah não? E o que foi aquilo que eu vi?
-É uma forma de amigos se despedirem, na minha terra, menti pra ele.
-Ôpa...Sven imediatamente se afastou de mim....

-Amigo com amiga!! kkk!!
-Vcs não tem esse costume, isso tem no Marrocos e em alguns países, mentiroso.

Cruzamos as portas do mosteiro, e fui pra biblioteca naquela tarde...

Mas não continuei lendo Moby Dick;
Havia um livro sobre primeiros socorros, interessante, dei uma folheada...

Mas depois li mesmo foi o Teatro Completo, de Shakespeare.

(Na Sessão Revival, Mariah Carey: Hero)