segunda-feira, 16 de março de 2009

Vc se lembra? E te faz mal?


Li uma reportagem completa na revista Época, do ano passado, sobre Jill Price, que vc vê acima.
A revista estava no salão do Seu Ramos, onde faço a barba.

Pra sintetizar, extraí um pouco do texto do Sérgio Ávila, em seu blog da Uol :

"Há uma mulher de 42 anos na Califórnia que se lembra de tudo o que aconteceu em todos os dias de sua vida desde que ela tinha oito anos.

Não só dos eventos mas também da data e em que dia da semana caiu.

Ela não tem uma memória fotográfica ou uma inteligência enciclopédica -como a do personagem-título do filme "Rain Man", por exemplo, que era capaz de recitar sem erro todos os campeões de todos os campeonatos de beisebol da história dos Estados Unidos, ou algo assim.

Ela só se lembra do que aconteceu com ela.

Jill Price, que acaba de lançar sua biografia, "The Woman Who Can’t Forget" ("A Mulher Que Não Consegue Esquecer", Free Press), sofre de uma doença raríssima e tão recentemente diagnosticada que não tinha nome até ela cruzar caminhos com o professor de neurobiologia James L. McGaugh, da Universidade da Califórnia.
Depois de cinco anos de testes, ele escreveu sobre o caso num artigo da publicação especializada Neurocase, em que chamava a paciente de AJ".

Bem, deixe-me falar um poquinho mais sobre ela...

Se vc disser um dia e mês de determinado ano, ela vai saber dizer o que comeu, vestiu, e as principais notícias daquele dia (uma das maneiras que os estudiosos verificaram pra ver se ela não estava mentindo).

Eu fiz um rápido exercício mental, e não consegui lembrar o que comi na sexta!!

Mas Jill, se lembra de todas as coisas, inclusive as ruins:

Sofre por se lembrar da morte do marido (de câncer), e de pessoas que a magoaram.

Sim, isso é um distúrbio...

Mas e as pessoas que sofrem com lembranças de outras que a magoaram até hoje?

E as que sofrem com perdas, que sempre se relembram?

Que mantém o quarto cheio de Ursinho de pelúcia, da filhinha aque morreu precoce?

Tive uma vizinha, que demorou 2 anos para vender o Fusca do irmão dela que morreu com 22 anos...ele era meu parceiro de vôlei aqui no condomínio.

O Fusca ficava no estacionamento aqui do prédio, e posteriormente, quando ela conseguiu vencer isso e vender o carro, ela disse que era como se ele , o irmão, estivesse partindo em definitivo.

Muita gente acaba com a vida, ficando com a mesma estagnada, pelas lembranças de alguém que partiu.

Outras carregam mágoa, de quem lhe magoou, por anos a fio.

Para mágoa, Deus criou o perdão- foi o remédio que ele fez para a cura desse mal.

É um remédio meio amargo...num é que nem aqueles remédios doce, de criança...

Mas cura....a dor passa na hora, e o ranço cai- seja perdoador.

E com relação as lembranças, muita gente carrega as lembranças de dor, anos a fio, ou mesmo pra sempre...algumas morrem mais cedo por causa delas.


o Rei David teve um filho morto precocemente...ele orou, quando o menino estava naquele vai - num vai, jejuou (se absteve de alimentos, uma consagração espiritual), enterrou a cara no chão.

Mas seu filho morreu...sabe o que ele fez?

Assim que recebeu a notícia da morte de seu filho, ele se lavou, se ungiu, retornando ao seu cotidiano...

Seus auxiliares se assustaram, e perguntaram o por que da súbita mudança de atitude.

Ele disse: orei, pra quem sabe, Deus o curasse a criança, mas agora que está morta, eu e que irei a ela.
E imediatamente ele retornou a seu cotidiano (II Samuel 12.15-23).

Pancadas desse tipo acontece em nossa vida.

Mas se ficarmos apenas olhando fotos, guardando roupas, ursinhos, carros, seja o que for, só iremos fazer uma coisa:

Prolongar nosso sofrimento.

Sei do que falo...meu pai saiu sorrindo, e voltou num caixão fechado, já disse isso aqui:

Eu era adolescente.

Posso dizer pra vc que não derramei uma lágrima no enterro.

Ele não estava ali! Estava longe, bem melhor que todos nós! Feliz na eternidade.

As roupas dele, eu abria o armário e sentia o cheiro do perfume que ele usava...

Aí, batia vontade de chorar...minha mãe deu, sumiu com as roupas, sei lá...

Parou com o sofrimento rapidinho.

Você não precisa ficar sofrendo todos os dias, com lembranças dolorosas, como a Jill.

Tenha boas lembranças:

Perdoe, e vc vai continuar lembrando de determinado episódio, mas sem mágoa, e sem dor;

Libere quem já foi, guarde ele ou ela com carinho,mas apenas na lembrança...

Não construa altares para eles...a linha entre preservar a memória e idolatria, é muito curta.

Siga em frente, Deus estará com vc.

Lee, que não consegue se lembrar de muita coisa antes dos sete anos de idade, e só se lembra do que é essencial dali em diante...por que encheria a bola de quem me magoou?
Perdoados estão, e não se fala mais no assunto- só quero me lembrar de coisa boa!