quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ao Chorarmos a Saudade do Colégio Militar

Casa Rosada hoje pela manhã: Niver do Colégio Militar do Rio (foto by Lee)

Mais um dia o pranto há de
Nossos olhos inundar:
Ao chorarmos a saudade,
DO COLÉGIO MILITAR”
(trecho do hino do CMRJ)

Eu precisava ir hoje ao Colégio Militar, aqui no Rio: Todo 6 de maio, sempre tinha alguma coisa me impedindo de ir, cada ano que passava, fosse trabalho, ou coisa qualquer.

Entrar no CM, onde estudei por apenas 2 anos, mas que me marcou com recordações inesquecíveis, foi como entrar no túnel do tempo...

Sim, eu voltei novamente a década de 80, considerada por muitos a melhor década do século passado, especialmente nas artes do cinema e na música.

Bem, por onde começar, são tantas histórias...já que falei em artes, vou começar por ela.

Fui um dos figurantes na mini-série Anos Dourados, com a Malu Máder, que é gente finíssima, e que fazia o papel de uma normalista do instituto de Educação, que fica aqui também na Tijuca...boa parte das cenas, foi no CM:

O Felipe Camargo era o aluno do CM que namorava com ela.

Apareci em algumas cenas nessa série que marcou época na década de 80...nego me reconheceu na grei, não contei pra ninguém, e me zoaram.

Percorrendo o portão de entrada, eu sabia que iria fazer um “tour” particular de lembranças, e por isso foi bom não ter encontrado praticamente ninguém, eu queria ficar a sós com as recordações...

Revi onde formava a minha turma, a infantaria, que aliás, não fica mais lá...e me lembrei dos Sargentos Favre e Fidélis, que tomavam conta da gente, e do subtenente Florentino.

O Sargento Fidélis foi quem me chamou para ser o goleiro da infantaria (esse é um capítulo a parte, lá embaixo);

E o sargento Favre memorizava todos os nomes e números dos alunos...o meu era 3154.

Revi onde tomava o Mate do seu Manél, um português que servia mate naqueles copos de papel sobre um copo de ferro...ele já morreu, mas revi exatamente onde ficava o mate.

Alías, eu adoro mate...aquele mate era uma delícia, e só depois que eu saí, um colega descobriu o segredo daquele mate ser tão bom:

Ele foi conferir quando o Manél foi trocar, repor o mate...aí, ele olhou bem na sobra, o restinho que ficou, e viu a perninha de uma barata!

Viu por que o mate era gostoso? Cada um tem seus segredos!

Revi minha sala de química, que agora não é mais sala de química, e sim de reuniões de professores...

Nessa sala, uma vez ao término da aula, eu enchi um saco com água, amarrei e joguei no ventilador, perto da saída, pra molhar a galera.

O problema é que o professor (chamado de Tulsa Doom, a cara do feioso inimigo do Conan, feito por Schwarznegger no cinema) tinha ido jogar lixo fora, atrás da porta de saída...

Se escondeu do meu raio de visão, pensei que ele já tivesse ralado, e quando voltou, tomou um belo banho!

Claro que ele quis saber quem foi, e eu me acusei:nunca deixei nego pagar pelos meus erros...peguei uma detenção de dois dias.

A detenção consistia em ir ao CM no sábado (se fosse apenas um dia) ou também no domingo ( se vc pegasse dois dias)...tinha que se apresentar quando hasteavam a bandeira, e só ia embora quando a bandeira descia.

Ficávamos confinados na biblioteca, pois a punição era o “saber”...poderíamos ler o que quiséssemos de livros, tanto de lá, ou levados de casa.

Mas eu levava gibis escondidos...Hulk, Capítão América e Homem- Aranha, que eu colecionava, eram meus companheiros...alguns colegas levavam revistinha “de sacanagem”, e colocavam por dentro dos livros, vendo mulher pelada.

Me lembrei também dos colegas que me deram uma força nas provas de matemática e física, trocando de prova comigo, arriscando suas peles, pois se pegos, era expulsão na hora.

Agora sim, vou falar do futebol...a primeira coisa que fiz ao chegar hoje no colégio, foi ver o campo de futebol, e olhar para os gols onde agarrei (vc vai ver as fotos de hoje no orkut)...

Em 2 anos, disputei 6 títulos, e só fui vice em uma competição: o restante, vencemos.

Fui goleiro titular da infantaria por 2 anos, e goleiro da seleção do Colégio também por 2 anos, o primeiro como reserva, o segundo já como titular.

No meu primeiro ano, como calouro de viagem, e ainda reserva da seleção, fomos jogar em Campinas, contra a EXPCEX.

Entre os trotes qua passamos, estavam o surf rodoviário (ter de ficar em pé no corredor, surfando, sem agarrar em nada, só se equilibrando...quem caísse ,ganhava uma “pedalada”;

Mas o pior trote era o “banheiro coletivo”, feito dentro do ônibus, mesmo...

Sabe aquele banheiro minúsculo dos ônibus rodoviários?

Havia um recorde a ser batido, e foi batido naquele ano...o de quantas pessoas novatas caberiam dentro dele!

Dos vinte jogadores, só poucos eram veteranos...

Naquele dia, conseguiram trancar 12 pessoas dentro daquele banheiro...incluindo eu e o Juruna, os maiores dentre os novatos!

Pensei que o vidro do banheiro ia explodir de tanta pressão...num dava pra abrir muito, pois senão nego caía na estrada...mas tivemos que correr esse risco:

Alguém desesperado, peidou-Que tortura!

Revendo o campo,me lembrei do penalti defendido contra uma seleção de cadetes americanos...eu já era titular da seleção, mas acabei fazendo um penalti bobo.

Só ouvi o Eraldo (técnico), do banco, gritando: Ele fez a merda, vai ter que consertar!

E consertei: Esse foi um dos 5 penaltis que defendi naqueles dois anos...o segredo?

Nunca pular antes...anos mais tarde, eu como goleiro, passei a também bater penalti.

Eu fiquei muito popular naqueles 2 anos, mais do que gente que tava há muito tempo no colégio, o que despertava inveja.

Como atleta, tínhamos comida especial...farta....uma vez, comi uns 7 bifes direto...

E na excursão em Campinas, bem como no Colégio Naval, lá em Angra, eu comi 14 potinhos de Flan de caramelo, de uma sentada só...DE GRAÇA, TUDO ERA FESTA!

Seleção -base de Futebol campeã do Colégio, vencendo a EPCAR, a ESPECEX e o Colégio Naval, em nosso campo lotado, na Tijuca:

Lee (Infantaria, G), Josimar (oitava série, LD), Tarso (artilharia, Z), Torres (artilharia, Z) e Cordeiro (infantaria, LE); Juruna (Infantaria, Volante), Amendoim (cavalaria, MC), Americano (cavalaria, MC), Hermógenes (infantaria, MC); Marcondes (Infantaria, AT) e Porto (comunicações, AT).

Entravam frequentemente: Tubagi (artilharia, A), Pepê ( lateral, infantaria).

Revi a piscina onde fazíamos natação...

Revi o bosque onde nos escondíamos do terrível coronel Petrone, o caça-alunos...

Me lembrei de minha professora, que disse que eu poderia ser escritor...

Mas que teve que me entregar pro Petrone, pois eu escrevi palavrões numa redação...

Mas faz parte do contexto da história, professora”, tentei argumentar...nada feito.

Revi alunos setentões e sessentões...bem como moleques recém saídos, e garotas recém saídas, também;

Revi o comediante Castrinho, famoso ex-aluno, que sempre vai no 6 de maio rever sua turma;

Revi o busto do aluno que foi esfaqueado por um compasso, da turma de 1954...

Ele, junto com outros do CM, se envolveram nas célebres brigas contra o pessoal da escola técnica...também tínhamos rixa com os cagões do Pedro II...

O CM sempre enfiou a porrada, então eles passaram a apelar com compassos e tesouras.

No caso do Horácio, que tinha só 16 anos, foi um moleque da escola técnica, que puxou o compasso.

Desfilei na turma da década de 80, sendo aplaudido pela multidão...é impressionante como automáticamente, vc começa a marchar no compasso do bumbo...perna esquerda primeiro.

É igual andar de bicicleta: Vc não esquece.

Via nego marchando de terno, de esporte fino, de uniforme (os ex-alunos militares), á vontade, como eu, nego de piercing, de cabelão, etc...

Enfim, entrei no túnel do tempo...voltei nos anos 80...

Pena que naquela época num tinha mulher no colégio...hoje, tem.

Lee, De Volta para o Futuro.

Veja no Orkut as fotos do 6 de maio no CM;

Na Sessão Revival, música e filme que me marcaram nesse período:

De Volta Para o Futuro:

http://www.youtube.com/watch?v=-NMph943tsw

Survivor legendado, e com "ele", com uma música que tem tudo a ver comigo:

http://www.youtube.com/watch?v=TkflAd1uy7Y