sábado, 23 de maio de 2009

O Pai, O Filho, o Irmão, e a Grei de hoje


"E disse Jesus: Um certo homem tinha dois filhos;

E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.

E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.

E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.

E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.

E, tornando em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui morro de fome!

Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;

Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus empregados.

E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;

E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;

Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.

E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.

E, chamando um dos empregados, perguntou-lhe que era aquilo.

E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.

Mas ele se indignou, e não queria entrar.

E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;


Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as prostitutas, mataste-lhe o bezerro cevado.

E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;

Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se" . (Lucas 15.11-32)


Essa história que Jesus contou, a parábola do filho pródigo , é uma das mais conhecidas dos evangelhos.

Cansei de ouví-la desde pequeno, como forma “evangelística”;

E depois de uns tempos pra cá, percebi algumas pessoas pregando sobre o irmão do filho pródigo.
E em algumas dessas pregações, vi gente defendendo o ponto de vista do irmão mais velho...afinal, ele sempre foi justo, e nunca “pecou”, nunca deu trabalho para o pai.

Acho esse tipo de afirmação danosa ao evangelho da graça que Jesus pregou.

Ninguém pode ser achar mais justo do que outro, ainda que esse outro “rache a cara”.

Sim, o irmão mais novo, “rachou a cara”, indo pruma terra bem distante e torrando o dinheiro com prostitutas.

Na verdade, o que eu sinto quando leio esse texto, é como se o irmão mais velho estivesse com inveja:

Ora, se soubesse que o pai dele trataria assim a questão, ele teria feito a mesma coisa.

A atitude exterior do irmão mais velho era uma, mais a atitude do coração dele era outra.

Na verdade, por ele, que não se alegrou com o irmão" que estava morto, mas tornou a viver", seu irmão tinha que continuar era no meio dos porcos.

Eu vejo muita gente, nas greis de hoje, fazendo a mesma coisa:

Quando uma pessoa se afasta, e depois volta, as que “permaneceram puras” muitas vezes fecham a cara para eles.

Certa vez, um rapaz que engravidou uma menina, ambos da igreja, foi proibido de entrar na grei pelo próprio pastor.

Esse foi um dentre vários absurdos que vi na vida.

A Igreja, que deveria ser como o pai dessa história acima, que ao invés de deserdar de vez, deu foi um anel pro filho, fez festa, teve churrasco e um scambal.

Mas se comporta, muitas vezes, como o filho mais velho:

Que droga, por que fazem festa para um pecador?

Várias vezes, tem festa no céu, mas não na grei que não perdoa nem tolera o pecador.

Por isso, muita gente confunde pedir perdão a Deus, com pedir perdão a igreja.

O filho pródigo pediu perdão ao pai, não ao irmão, nem aos empregados.

Certa vez, um homem que traiu a sua mulher, retornou a igreja, e pediu perdão, lá na frente, para a igreja.

Eu jamais permitiria isso.

Nunca peça perdão ao sistema religioso;

Nunca peça perdão “as pessoas” que não tiveram a ver com seu problema;

Nunca diga: "padre, me perdoe, pois eu pequei".

Só quem perdoa pecados é Deus.

A ele, primeiramente, e as pessoas envolvidas, é a quem devemos pedir perdão.

Jesus sempre preservava os pecadores arrependidos, nunca os expunha.

Ela expunha os fariseus:

Com esses, ele nunca teve paciência, esculachava mesmo, era de “raça de víboras” pra cima.

Sejamos sempre como o pai carinhoso que correu de encontro ao filho arrependido:

Façamos festas para os arrependidos, abracemos quem tava na lama.

E não fechar a cara, resmungando de inveja, como o irmão mais velho, que vivia corretamente, mas sem um pingo de amor e compaixão:

Ser correto sem amor e compaixão é como o sal que perdeu o seu sabor, ou o açúcar que perdeu seu doce...

Num serve pra nada.

Lee, que se entristece com quem vai comer com os porcos, mas se amarra quando eles tão de volta.