sábado, 6 de junho de 2009

Hélcio Lessa também se foi


Pastor Hélcio Lessa, que foi pastor por 30 anos de minha atual igreja, Igreja Batista de Itacuruçá,também partiu na madrugada dessa sexta (5 de junho) aos 82 anos.

Ele já estava bastante debilitado pelo mal de Alzenheimer, e foi sepultado no cemitério de Jardim da saudade, ás 9h da manhã deste sábado.

É mais um grande líder Batista, uma cabeça pensante, que se vai, deixando a denominação cada vez mais órfã de liderenças com "boa cabeça", pois outros como Darci Dusilek, também já partiram...

Lessa foi daqueles raros pastores "cabeça aberta", em tempos de extremo legalismo, onde se expulsavam gente de igreja por cortar cabelo curto (mulheres) e onde homens não podiam usar barba e cavanhaque a lá "Che Guevara".

Aliava a fé com a razão e reflexão, e influenciou seus alunos do seminário, entre eles Carlos Novaes, que foi meu professor...alías, Novaes conta, no blog dele, uma historinha que colo abaixo pra vc ter idéia de quem foi Lessa, e como o pensamento dele era muitos anos á frente:

"Certa vez Lessa sentou-se do meu lado, ao iniciar uma das nossas conversas, e detonou:

Estou procurando alguém que consiga me provar que quando Jesus Cristo pensou em igreja, havia pensado nisso tudo que anda por aí.

Fiquei olhando para ele à espera do inevitável complemento jocoso, que não tardou:

E se alguém conseguir me provar que era isso mesmo que o Senhor Jesus queria, vou ter que começar a desconfiar do bom senso do Mestre.

E olha que naquele tempo, lá por meados da década de 80, nem tínhamos essa explosão de igrejas neopentecostais, escândalos de pastores sendo acusados de fraudes fiscais, comunidades abertas em cubículos que se denominam sedes mundiais, programas de televisão anunciando curas e prodígios espetaculares, desfiles de pseudo-artistas que se apresentam cantando essa música desprovida de qualquer beleza estética e qualificada de gospel, estranhas eclesiologias hierárquicas com seus bispos e apóstolos e os apelos manipuladores que só pretendem extorquir os desavisados para sustentar projetos pessoais de poder e estrelismo.

Hélcio também criticava a denominação Batista, sem dúvida.
E demonstrava ter uma visão aguçada e lúcida dos sinais dos tempos, acusando especialmente os líderes da época de conduzirem os caminhos denominacionais sem metas ou desafios contemporâneos, elaborando planos e programas com aparência de atualidade e ineditismo, mas que conservavam uma permanente defasagem de, ao menos, cinquenta anos em relação aos desafios e apelos da sociedade moderna".

Pois é...tudo o que o Novaes escreveu acima, já começava a acontecer naquela época...o monstro cresceu, e taí no que deu hoje.

Mas em vez de fazer média com donos de rádio, etc, Lessa não compactuava com o que via de errado, e na época da ditadura, ao contrário de famosos pastores que beijaram a mão de Figueiredo e cia, em troca de espaço na TV, criticou duramente o regime,numa época em que nego que fazia isso, ia parar no quartel da PE da Barão de Mesquita , ou no de Realengo:
Todos recebiam "um carinho"...

Lessa também tinha um jeito ás vezes largadão, que pegava os seminaristas de surpresa:

Vários deles foram chamados para pregar faltando meia hora pra começar o culto, simplesmente por que naquele dia ele "num tava á fim de pregar"- alguns deles se desesperavam, qdo isso acontecia, e a congregação nem desconfiava...rss!

O forte trabalho de ação social dele deixa marcas na grei até hoje:

Em Ita, tem serviços como o de psicologia, serviço médico, assistência jurídica (consultoria) e uma série de cursos que vai desde o artesanato aos instrumentos musicais.

Lessa é mais um dos que admirei e não conheci, mas vamos levar altos papos "mais tarde".


Lee, in memoriam de quem vale a pena ter memoriam.