sábado, 4 de julho de 2009

4 de Julho: 250 anos de Tijuca

Floresta da Tijuca
Praça Saens Peña,"Capital" da Tijuca

Cine América, ao lado da rua das Flores...retiraram de mim...hoje é uma farmácia

Independência dos EUA? Nada disso.

Dia 4 de julho é quando a Tijuca, bairro onde nasci e moro, comemora o seu niver.

Esse ano, completa 250 anos.

Eu nasci no hospital Naval, na Conde de Bonfim, uma das principais ruas do bairro, assim que sai da praça Saens Peña:

Sou tijucano da gema, e diz a lenda que, em qualquer lugar que um tijucano for, seja no Alaska ou em Saigon, ele continuará sendo um Tijucano.

A Tijuca viu nascer toda essa galera que produziu a música nacional, que é tocada até hoje...

Vou colar pra vcs um trechinho de um livro, pra vcs terem idéia do que a Tijuca produziu:

“O bairro da Tijuca, na zona norte da cidade, foi o ponto de aglutinação de uma geração de garotos talentosos que sonhavam em ser americanos, vestir-se como americanos, cantar como americanos, viver como americanos ( happy independence day, Amy).

Seus ídolos eram os mesmos - e todos americanos: Elvis Presley, Little Richard, James Dean, Marlon Brando (já sabe quem foi ele,Toddynho? Wikipédia nela), Marilyn Monroe, Superman, Capitão América...

E todos preferiam Coca-Cola a guaraná e só não passavam as tardes no McDonalds porque essa marca ainda não tinha chegado ao Brasil.

O pessoal se reunia então em frente ao Bar Divino, na esquina da rua do Matoso com Haddock Lobo, próximo ao Cinema Madri e ao Instituto Lafayette.

Espécie de Memphis do rock nacional, aquela esquina da Tijuca atraía garotos como Tim Maia (na época apenas Sebastião), Erasmo Carlos, Jorge Ben (que nos anos 90 mudou o nome para Jorge Benjor), Lafayette, Wilson Simonal, Arlênio Lívio, Luiz Ayrão, futuros Blue Caps como Renato e Paulo César Barros, futuros Fevers como Luiz Carlos e Liebert Ferreira...

Raul Seixas não andava por ali porque morava na Bahia, mas logo, logo, alguém que vivia mais perto, um capixaba chamado Roberto Carlos, estaria se enturmando naquele clube da esquina carioca - ou quase americano” ( Trechos do livro "Roberto Carlos em detalhes", de Paulo Sérgio de Araújo).
Ou seja, contribuímos muito pra música nacional, com as feras que vc viu ali em cima.

A Tijuca, durante anos, teve os melhores colégios do Rio de Janeiro:

Colégio Militar (originalmente apenas para filhos de militares) Pedro II (espécie de Klingons para os do CM...inimigos mortais...ah, vai ver Star Trek!), e o Instituto de Educação, então somente para meninas, á fim de serem professoras (as famosas normalistas).

Foi-se um tempo no Rio, em que estudar em uma dessas casas era sinal de “status”.

Alías, por um bom tempo aqui ficou sendo um pólo estudantil, já que tinha a UERJ (até hoje, mas bem caidinha, é super disputada em vestibulares) e a então apenas Faculdade Estácio de Sá...

A Estácio começou com uma casa na rua do Bispo 83, com o curso carro-chefe de direito, mas que chegou a ter cursos pitorescos como Arqueologia (não tem mais), que a época do primeiro Indiana Jones, muita gente quis fazer apenas para ser um aventureiro igual ao Dr. Jones...

Hoje, a Estácio é Universidade, e tem filial até na lua...e cursos menos pitorescos como nutrição, ou mais raros em outras faculdades pelo país, como Cinema (yesss).

Os colégios públicos, como Mário da Veiga Cabral e Orsina da Fonseca, eram disputados...alías, estudei nos dois, onde fui goleiro titular das minhas turmas de quarta e quinta série.

Foi no Mário da Veiga que conheci Dona Ângela, que viu meu potencial de redação e começou a me municiar de livros infanto juvenis para eu ler...isso na quarta série.

Ela mora, até hoje, há uns dez minutos de minha casa.

Estudei também no Santa Rita (que hoje é uma unidade da Cândido Mendes), por 2 anos (sétima e oitava série) onde tive a mais louca turma de todos os tempos:

Barney, Cabeção (que foi expulso), Maurício “mumu”, Silvio Gay, Cláudius Mongus, Miúdinho (um gordão de 120 kilos), Fabião cara de Mongol, Ricardo Coração de Mongol...

Nunca mais os vi...o único resgatado foi o Barney, que está hoje no meu orkut com o nome verdadeiro (ele tava on até agora há pouco)...mas só consigo chamar ele de Barney.

O Barney, na época, viu Star Wars sete vezes seguida, só pra desenhar uma das naves espaciais (ouve uma época, antes dos Kinoplexs da vida, com lugar marcado, que vc comprava um ingresso e passava o dia inteiro revendo sessões, se quisesse).

Eu vi de Volta para o Futuro 3 vezes seguidas, assim...alías, o cinema é um capítulo á parte, na Tijuca.

Antes de eu ser Teen, haviam aqui 13 cinemas, mais ou menos....depois da Cinelândia, era o bairro com maior número de cinemas no RJ.

Em minha época teen, eu contei 11 cinemas:
Naquela época, os cinemas eram na rua, como é o Roxy, em Copacabana, um dos últimos sobreviventes dos cinemas de bairro de rua, no Rio de Janeiro.

Hoje é tudo em Shopping.

O meu favorito era o Carioca, que tem pilastras bonitas e escadarias de mármore.

Ali vi os melhores filmes da minha vida...um dos últimos, foi o Titanic.

Fiquei com muita raiva quando a Universal comprou aquele cinema...já tinha raiva desses picaretas, só aumentou depois disso...pelo menos não destruiram as pilastras e escadas de mármore: eu entrei um dia lá pra conferir.

Desses 11 cinemas de minha época, cada um virou o seguinte (com os filmes que mais me marcaram, em cada uma):

Dois viraram “igreja “Universal (A Mosca/ De Volta para o Futuro);

Um, virou drogaria Pacheco (Comando Para Matar);

Dois, viraram pré- vestibular do Bahiense ( A Força do Destino / Robocop );

Um, virou Igreja Maranata (mas antes foi danceteria Mamute)- lá passavam reprises de filmes (O Império Contra-Ataca);

Um, filial da Lab's (Um Sonho de Liberdade);

Dois, Casa & Vídeo, aquela grandona da Saens Peña ( Rocky 5/ Coragem Sob Fogo)
(obs: os que estão em itálico, são "filminhos do coração").

E um, pequeno, também só para reprises, academia de ginástica, que depois faliu (nesse eu revi Fúria de Titãs, eu era muito pequeno qdo passou).

E um grandão, que hoje é da Leader (Karatê Kid 2, o melhor dos karates kids).

Nessa época, eu saía muito mais com o pessoal do meu prédio, do que com o pessoal da grei;

Todos eram da mesma faixa etária, enquanto o pessoal da grei era quase estourando idade pra fazer 18 anos, eu era um dos mais novos...e eles não eram tijucanos, moravam mais distantes.

Eu percorria boa parte das ruas de bicicleta, o que mais tarde,com carro, sabia todos os atalhos pra fugir o máximo possível do trânsito...só não decorava o nome das ruas, mais pegava cada atalho que chegava rapidinho.

Na Tijuca, fiz também o seminário, minha primeira faculdade, no então conceituado Seminário do Sul (hoje ás mínguas)...eu quis morar lá, e morei.

Vi a falência de lojas famosas que eu ia, como a Mesbla (hoje uma Sendas), lojas Pernambucanas (hoje casas Bahia) ...

Vi a era digital acabando com os fotógrafos lambe-lambe da Saens Peña...

A chegada do Shopping Tijuca, provocando falência em várias lojas...

Mas vejo a resistência dos pipoqueiros, que cobrem a praça Afonso Pena...e dos famosos Podrões da Tijuca, que vendem seus hot-dogs até de madruga, fazendo a festa do pessoal taxista e de quem sai na rua, até altas horas.

E faço a barba há anos com seu Ramos, de 84 anos, que já tá fraco, e qualquer hora dessas, faço um post especial sobre ele...
Ele é um dos últimos da antiga geração só de barbeiros masculinos (cortam só cabelo de homem e fazem barba e bigode), aqui na Tijuca- só tem 7 salões desse tipo assim aqui (antes, era um monte) pois agora, tudo é salão pra mulherada (todos estourando de cheios) tem um monte assim agora.
A Tijuca tem a terceira maior floresta urbana do Mundo, a floresta da Tijuca.

E tem um dos acessos, via alto da Boa Vista, ao Corcovado:
É so eu descer a rua eu vejo Cristo Redentor de pertinho.

Tem o mais famoso estádio do mundo, o Maracanã:

Moro há 20 minutos a pé, dele.

Tem clubes tradicionais, como o Monte Sinai , o Tijuca Tênis Clube (lar do Rio de Janeiro - Rexona, do Bernardinho ), e vários clubes portugueses...

Foi no Tijuca que fui campeão Internacional de Masters no Jiu-Jitsu, 2 anos atrás...

Eu ia deixar um Canadense derrotar um Tijucano em sua própia casa?? É ruim!

Ah, sem falar no América, com aquela sede enorme e bonita...como eles conseguiram apequenar o mequinha (hoje na segunda divisão carioca), onde fui goleiro de Futsal dos 13 aos 15 anos?

Mais uma coisa que sempre vejo, desde Teen, e que nunca mudou nesses anos,é o Raimundinho, o maluco- andarilho que mora no meu prédio, que deve estar hoje perto dos 50 anos...e mora sozinho.

Desde aquela época, eu vejo Raimundinho andando sem parar nas principais ruas da Tijuca...antigamente, só de sunguinha enfiada no rêgo, “a lá Gabeira,"mesmo sem ir a praia ou piscina- e descalço...

Hoje mesmo, ele passou por mim no Shopping:

Mas sem sunguinha, tava vestido.

Lee, que se um dia surtar e virar terrorista,vai explodir as lojas que roubaram os meus cineminhas- a Universal vai ser a primeira.
Como é bom ser tijucano...parabéns, Tijuca.


Na Sessão Revival, o tema de karatê Kid II legendado, que concorreu a época ao Oscar de melhor canção:

http://www.youtube.com/watch?v=ULsJ9OcT2XM