quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Espera de Atenção


Uma senhora que chegou a minha grei a época com seus 22 anos, contava a sua história.

Tinha acabado de se desquitar, pois na época nem existia divórcio.

“Desquite” era uma das nossa aberrações jurídicas, pois ele dava direito tão somente a uma “separação de corpos”, mas na prática, “continuavam casados”.

Imagine então o fardo de uma pessoa “separada e ainda casada”, ao mesmo tempo.

Por isso, que naquela época, antes de 1977, muita gente vivia separada mas casada dentro de casa, mesmo.

Ela chegou na igreja arrasada, e chorava muito, todos os culltos.

Aos 22 anos, na flor da juventude, não sabia em que grupo ficar...afinal, se até hoje em igrejas legalistas os descasados são descriminados, imagina naquela época...

E era vista como “ameaça para os outros jovens casais”- ainda que ninguém dissesse isso.

Foi quando o então pastor da igreja, Hélcio Lessa, um dia após o culto, chegou até ela.

De longe, ele reparou nos olhos que insistiam em ficar cheios de lágrimas, culto após culto, todos os domingos.

Marcaram de conversar, onde ela teve toda a atenção que precisava naquele difícil momento, já que ela estava “sem turma”, e ele a aconselhou a participar do coral da igreja.

Bem, após todos esses anos, ela continua no coral até hoje:

E escreveu essa história no boletim da grei, na ocasião da morte do pastor Lessa, esse ano.

Diversas pessoas estão hoje precisando de ajuda, e se encontram conosco todos os dias.

Muitas talvez não estejam recebendo a atenção devida, para compartilhar os seus problemas.

Muitas não tem ajuda nenhuma, pois ninguém da atenção.

Outras, parecem bem, mas não estão...

Eu tinha um colega do meu prédio, que também foi meu contemporâneo no Colégio Militar, onde ele tocava na banda.

Ele tinha um pai comandante, que o tratava com indiferença...não ligava pra ele.

Teve problemas com as drogas, e vivia num mundo de ilusão, pois mentia pacas...a gente nunca sabia o que era ou não verdade- e a maioria, era mentira.

Já adultos, a última vez que conversamos parecia bem, alegre...

Mas duas semanas depois ele se enforcou com uma corda.

É isso que acontece com a pessoa que não recebe a devida atenção, a devida ajuda...

É isso que acontece com a pessoa que não se sente amada:

Vai morrendo aos poucos.

Antes de se matar, meu colega já havia morrido há muito tempo, pela indiferença do pai.

As drogas, as mentiras, era tudo pra ver se chamava a atenção dele...não conseguiu.

Um simples pastor, como era o Lessa, uma pessoa simples, viu no meio de uma multidão uma loirinha chorona, e foi lhe dar a devida atenção:

Hoje, 30 anos depois, ela continua na grei, e seguindo seu conselho- está no coral.

Um Almirante, pai de apenas um filho, dava mais atenção e era rigoroso com sua tropa, do que com o próprio filho, que acabou se perdendo.

Dê abertura para as pessoas se abrirem com vc, reconhecerem as suas fraquezas.

Tem gente que, com um simples abraço, é como se estivesse recebendo um “agasalho” em pleno inverno caindo neve, e a pessoa estivesse sem agasalho...

Por diversas vezes, ao abraçar pessoas com carinho, vi que elas choravam, só depois fui entender o por quê:

Estavam passando por momentos difíceis, e receberam atenção.
Lee.
Na Sessão Revival, Rick Astley fala de tudo o que escrevi acima: