quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sobre Funerais





É melhor ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois onde há luto lembramos que um dia também nós vamos morrer, e é bom que os vivos pensem nisso enquanto há tempo. (Eclesiastes 7:2)


Funerais podem nos dizer muito, se prestarmos atenção:

É o que Salomão quis dizer, quando escreveu isso acima.

Na festa (banquete) ninguém pensa na vida – é onde supostamente “curtem a vida”.

Mas, curiosamente, é no funeral (casa onde há luto) onde a gente pensa na vida.

Assista a um funeral, de vez em quando: eles ajudam a lembrar o final de todos nós, e que não passamos de pó;

Eles nos ajudam também a reordenar valores, mandar uma porção de coisa embora de nossa vida -geralmente, um funeral pode provocar mais mudanças em um dia, do que em dez anos de terapia.

Fico pensando na cabeça de um sepultador, por exemplo...vi uma vez uma reportagem de um rapaz que fez concurso público pra sepultador, em São Paulo.

Já pensou ele se apresentando?

- O que vc faz?
-Sou funcionário público.
- De que setor?
- De enterrar os mortos.

Fiquei imaginando ele enterrando ricos e famosos, onde ás vezes nem a imprensa tem acesso.
Mas ele tem.

Ele enterra anônimos, onde vai pouca gente...ele enterra indigentes, cuja única testemunha do enterro é ele mesmo.

Ele enterra velhos.

Ele enterra jovens.

Ele enterra crianças.

O caixão de criança que vi uma vez aqui no RJ, é a coisa mais “anti-natural” do mundo...

Mas pelo menos, tive a certeza de que a criança (não devia ter um ano) estava com o Senhor.

Jesus mandou sermos como crianças...creio que até os 12 anos, a responsabilidade espiritual são dos pais- depois, é com eles mesmos, responsáveis por suas escolhas.

Uma coisa que sempre gostei nos americanos é a maneira com que tratam o funeral.

Eu num gosto de “velório” (velar o que? Uma matéria, já que o espírito não se encontra mais ali?);

Mas os funerais americanos, e com enterro sob a grama, acho inspiradores , convidativos a reflexão....right, Amy?

Aqui até nosso funeral é triste, com os famosos “gavetões”... todo mundo amontoado, sem ter onde sentar- nossa morte é mais sofrida, mais triste, e menos inspirativa a reflexão- eu fico com vontade logo de me mandar dali.

Quando criança, na Alemanha, eu ia de bicicleta ao pequeno cemitério de minha cidade,que ficava só há 5 minutos de bicicleta lá de casa.

Eu ficava olhando os túmulos, cada um com seu perfil, á lá orkut:

Tinha fotinha, data de nascimento e morte (e eu ficava contando quanto tempo viveu, nas mãos) , dizia se era pai, mãe, filho, filha querido (nessa hora ninguém é ruim)...

Todos eram enterrados no chão, só fui ver esses gavetões horrorosos aqui, na volta, no Brasil.

(Se bem que o gavetão do Memorial do Carmo, aqui no RJ, é manero, tem local pras pessoas se sentarem, um pulpitozinho pro pastor ou padre falar...

Uma área pra “velar “ o corpo antes de ir pra gaveta, ar condicionado, e vc pode fazer o tal do velório e enterro a hora que quiser, inclusive de madruga...vc não está pressionado pelo horário de 9h ás 17h, como são os cemitérios comuns...esse aqui é um cemitério vertical. Preço? A partir de 10 mil reais).

Ontem, no enterro de Michael, mais uma vez pude refletir, pensar...

Me lembrei na hora, do Jornal do Amanhã, que passava na TV Educativa aqui do Rio, e que tinha uma sessão de obituário (calculado pelo estilo de vida que a pessoa levava) que tinha dado, na ocasião( eles dão notícias prevendo o futuro, conforme a linha atual dos acontecimentos), a morte de Michael aos 91 anos de idade...

Espero que as pessoas ao redor do mundo (nunca mais tinha visto tanta gente chorando...ontem, vi da China, da Rússia, da França, daqui, os presos das cadeias ao redor do mundo, os vinte pontos de ibope da Globo, os 996 mil internautas vendo a transmissão, no Brasil -eu inclusive- fora os 30 milhões de americanos ,tenham meditado na brevidade da vida, que ela passa rápida, pode chegar a qualquer instante, e com qualquer pessoa, rica, famosa, ou não...

E como temos vividos nossa vida aqui por aqui.
.
Bem, quando eu for, vou querer o caixão fechado, sem “janelinhas” (janelinha é coisa de ônibus), vou tentar fugir do gavetão (já disse, prefiro embaixo da grama, e num gosto de cremação, mas topo o gavetão, desde que seja um manero), sem fotos.

Haverá uma lista de manés que não poderão fazer a cerimônia- são profissionais, não quero eles por perto, prefiro que ninguém fale a ter um deles na área (a oração deles não chega aonde estarei);

Como tô no Brasil, pra num correr o risco de ser enterrado vivo, vê se vcs colocam uma pequena lanterna com pilhas alcalinas (põe Duracel, mão de vaca!), um pequeno celular, daqueles pops, de 100 reais, pra eu poder fazer minha ligação de emergência ( põe crédito, mão de vaca- o celular já é baratinho, pra caso num der sinal, vc num gastar muito).

Como disse, o celular pode não dar sinal...tudo bem:

Quero minha Biblinha pocket, que não fabricam mais ( tem o antigo e novo testamento, e cabe na palma da minha mão) pra ficar lendo, se num conseguir sair (daí a importãncia da lanterna);
Um Mp3 com as músicas de Michael, para passar o tempo- au!

Ah, põe um serrinha também...por quê, se conseguir sair, vou começar vida nova- embarco pra ilha de Lost, e vou usar um macacão da “iniciativa Dharma”, e ficar ouvindo Lps antigos, dos anos 80, na vitrola- ninguém precisa ficar sabendo.

Lee


Na Sessão Revival, 2 videos:
O morto que só andava de taxi;

E o Batmóvel do seriado de 66, que faz parte de meu espólio: