terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pessoas que se sentem Inferiorizadas pelo Trabalho


Existem pessoas que se sentem inferiorizadas, tão somente pelo tipo de trabalho que realizam.

Algumas dessas pessoas, não tiveram oportunidades na vida;

Outras, por algum motivo, não estão na profissão que se prepararam, não tiveram oportunidades, e apenas “sobrevivem” em algum tipo de trabalho que não é o que queria.

De maneira geral, aqui no país, a mentalidade sempre foi dirigida para se tornar alguém “da côrte”, na época que éramos colonizados por Portugal.

Assim, se fazia o possível para ser aceito entre “ os nobres “ – e como “nobre “ sempre gostou de títulos, nego fazia o possível para arrumar um, e estar entre eles.

Títulos poderiam vir casando-se com alguém da côrte, e assim virar Duque, Duquesa, Marquês, Marquêsa, Conde, Condessa, Barão, Baronesa, etc.

Aqui no Rio, que foi Capital do Império, é muito comum ruas com os nomes acima...

Eu mesmo moro em rua com nome de Barão, e quando desço, entro em rua de Conde...
Bem, que não tinha acesso a côrte pra se casar com algum “titulado”, tinha que se virar
pra arrumar um “título”, e “ser alguém”...

Daí surge a criação da universidade aqui no Brasil, pela família real.

Criaram um curso de medicina, com professores trazidos de Portugal...

Sim, desde o primeiro momento, sempre quiseram “doutor”, mas a intenção nunca foi “ nobre ” - sempre quiseram , isso sim, formar nobres.

Como os filhos dos “nobres” iam estudar na França, Inglaterra ou em Portugal, não tinham muitos alunos aqui por um simples motivo:

A maior parte da população não sabia ler!

Criaram a faculdade, mas não criaram escolas de ensino fundamental e ensino médio...

Fala sério...tinha que ser coisa de português!

Aí então, investiram na educação, onde os Jesuítas tiveram papel fundamental (o objetivo era ensinar a ler, para depois catequisar).

Assim, surgiram colégios como o Pedro II, aqui no Rio, que é de 1837, e é o segundo mais antigo no Brasil.

Como sempre, a preferência era de gente que tinha grana, e de filho de políticos, até que com o tempo começaram a dar bolsas, mas era raro ver um aluno negro como vemos hoje.

Enfim, esse era o “nobre” objetivo inicial das faculdades – dar títulos, achando que com eles, as pessoas se tornariam “alguém na vida”,e não capacitados a servir.
O povão até hoje quer imitar “a côrte”...veja por exemplo as cerimônias de casamento:

TODAS elas são imitando as cerimôniais dos nobres, com entrada de noiva em vestido caro, desfile de testemunhas (padrinhos), todos “entonados”, igreja decorada, e comilança geral depois da cerimônia.

Tem casal que gasta tanto em “ imitar a nobreza”, que já começam o casório de maneira errada:

Investem mais na cerimônia, do que na sua própia intimidade.

Gastam mais “se parecendo com a côrte”, com enfeites, lembranças e enchendo a pança dos outros, do que numa lua de mel decente:
Gastam mais querendo impressionar os outros, do que no “enfim sós”.

Tem casal que não viaja, pois gasta a grana em “ duas horas “, do que com eles mesmos em alguns dias, só para imitar “a côrte”, se sentindo “nobres “.

Assim, o objetivo inicial da côrte, sempre foi distribuir títulos...

Lembre-se que o nobre era rico por que pelo título que conseguiu, herdava terras do rei, enquanto os comerciantes (burgueses), não tinham título, mas tinham grana, pelo acúmulo de dinheiro – o resto era “povão”, com escravos e tudo.

Sem falar dos que também entravam no meio religioso apenas para serem “sacerdotes”, pois isso também dava “status”...na cabeça de alguns, dá até hoje.

Ou seja, herdamos uma herança cultural nesse sentido, que mesmo nos países onde houve monarquia, isso foi passando ao longo do tempo.

Aqui no Brasil, afunilamos nossos adolescentes para o vestibular, pois a mentalidade da “côrte” ainda se faz presente.

Lá fora,os Institutos Politécnicos, formam profissionais em dois anos, depois do ensino médio, e aqui, eles ainda não tem força, por causa da mentalidade que herdamos.

Lá fora, os jovens trabalham no verão, em postos de gasolina, em lojas de conveniência, entregando jornais nas cidades, etc, pra ganhar um trocadinho pra eles.

Aqui, os pais da classe média não estimulam nem deixam seus filhos de 16 anos ficarem só de 4 a 6 horas no MC Donalds, pois acham isso desonroso:

Acham que é só para os meninos e meninas do morro.

Lá fora, a auto-estima do trabalhador é melhor do que a nossa:

Quando criança, nunca esqueço de que quando ia pra escola , passava em frente a bela casa do gari de minha cidade, que tinha um carro tão bonito quanto do meu pai, que estava a serviço da embaixada.

Isso na Alemanha...e o cara que consertava a máquina de lavar a roupa da minha mãe, vinha de terno e gravata, colocava um “jaleco” cinza, e depois ia embora num carro bonito, também.

Enfim, por todo esse histórico apresentado acima, muita gente se sente inferiorizada pelo tipo de trabalho que realiza, por ele não ser considerado" nobre".

Nas igrejas mais “abastadas”, onde tem mais gente com grana, e cheios de títulos, os que possuem um “” serviço simples" se sentem inferiores.

Mesmo a galera que vai ralar lá fora, nos EUA, na Inglaterra, etc, entregando pizza, fazendo faxina, sendo babá, entregando jornal, sendo motoboy, também se sentem inferiorizados com isso...

O que fazer nesses casos?

Seja o que estiver fazendo, faça-o como se fosse pra Deus.

“E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3.17)

Paulo foi até acusado de apoiar a escravidão, quando mais embaixo nesse texto, disse:

“Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus”. (Colossenses 3.22)

Ele simplesmente quis dizer que, a melhor maneira de se sentir útil num ofício sem maiores glamours, sem status algum, chato – ou no caso aqui em questão – mesmo debaixo de opressão de uma escravidão humana – é fazê-lo como se fosse pra Deus.

Aí a pessoa “se sente útil “, pois agora sabe “para quem” está fazendo: O foco muda.

Isso, os pastores não ensinam...só ensinam a “ser da côrte”, como os de fora.

Veja como Deus vê as profissões – Ele acha as mais humildes também importantes.

Jesus surpreendeu os sacerdotes no templo, com o seu conhecimento, só com 12 anos.

Ele,” teen”, era aprendiz de carpinteiro - aprendia com seu pai:

Foi o “ Mc Donald dele”, de trabalho adolescente.

Exerceu esse ofício até os 30 anos, quando começou sua missão...

Entre seus seguidores, só Lucas era médico, no meio de um monte de pescadores, e gente de profissão menos “honrosa”, como cobrador de impostos.

Para Jesus, alguém só seria o ” maior de todos “se servisse aos outros".

Não se impressionava com títulos, com chefias, com políticos, com ricos, nada.

Não bajulava quem tinha essas coisas, e nunca estimulou ninguém a “ser alguém na vida”, conforme o entendimento dos homens.

Ensinava os valores da” côrte do reino Dele”, e não dos da terra.

A igreja de hoje, ás vezes ensina mais os valores da côrte da terra, do que os valores da côrte Dele.

A igreja de hoje, discrimina mais os humildes que estão dentro dela, do que as pessoas de fora da igreja.

Toda vez que um pastor exalta alguém por causa de título, o destaca por sua profissão, ou mesmo posição clerical dentro da igreja, ele inferioriza o que não é.

Toda vez que um pastor “ora”, pedindo que de sua grei saiam “doutores”, “executivos”, “prefeitos”, “governadores” ou mesmo “presidentes”, já que na cabeça deles todos tem que ser “cabeças”, e não cauda”, ou mesmo a título de “facilitar o evangelho”, acontece isso:

1- Ele revela toda sua vaidade, sob capa de “espiritualidade”, já que vai se gabar de que, se isso ocorrer, em seu rol de membros vai ter gente “influente”, ou no mínimo, com boa receita de dízimo (é assim que eles falam nas reuniões de pastores);

2- Ele distorce a essência do evangelho, que não é procurar essas coisas, mas sim, ter simplicidade de vida, servir aos outros, e não buscar poder. Se alguém conseguir uma posição social assim, será obtida naturalmente, na caminhada cristã e seus valores, e não de maneira “predatória”,ou por quê “é melhor pra Deus “, como se Ele precisasse disso.

3- Ele arrebenta com seu rebanho mais humilde, que se sentirá ainda mais inferiorizado, sem falar que, na verdade, as pessoas de profissão mais humildes, é que tem contato com maior grupamento de pessoas , se o objetivo fosse esse mesmo, “influênciar com o evangelho:

Quem tem mais contato com gente, o dono da Nestlè, cercado de seguranças e que vive dentro de salas, ou o porteiro do seu prédio??

Eu vejo nas igrejas muita discriminação nesse sentido, muito mais do que lá fora.

Por exemplo, sou da família do Jiu-Jitsu (quem é de academia saudável, conhece esse conceito de família).

Lá todos se falam, e ás vezes ficamos meia hora conversando depois do treino...

Tem dentista , entregador de pizza, fisioterapeuta, cabelereiro, executivo, vendedor de roupa, professor de faculdade, gari da comlurb , estudantes, militares, dono de loja, vendedor de produtos hospitalares, entregador de quentinhas, fiscal da receita, vendedor de seguros, fiscal da prefeitura, vendedor de motos...

Sem falar nos estudantes filhos de porteiros e manicures, que cansei de ver.

Em todos esses anos, eu nunca vi ninguém ser discriminado, maltratado, deixado de lado:

Quem fizer isso, sai rapidinho dali - entra na porrada na hora.

Mas cansei de ver gente ser deixada de lado, por ter profissão mais humilde, em igreja.

Não se inferiorize por seu trabalho não ter status, ou mesmo for muito simples:

São os homens que se importam com isso, Deus não:

Ele também já teve um serviço humilde, ralando na carpintaria.

Lee, que um dia, mesmo tendo tudo na infância, e anos mais tarde recém-formado, não aparecendo nada, foi entregar jornal de madrugada, sem ninguém saber:

Trabalho, a gente pega o que aparece, até vir um melhor.




Na Sessão Revival , Que o mais simples fosse visto como o Mais Importante...Índios:



http://www.youtube.com/watch?v=ErCDzyr2qc8