terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Presépio

Foto by Lee
Essa palavra vem do latim Praesepium, que significa estrebaria, curral, cocheira.

Era o local onde os cavalos dos viajantes descansavam, enquanto esses também descansavam á noite, das viagens, nas estalagens, ou hospedarias;

Os burrinhos utilizados para carga, ficavam ali também;

E algumas eram específicas para bois e vacas, outras misturavam.

Alías, José tentou ficar com Maria numa hospedaria, mas todas estavam ocupadas.

Por isso, para não ficarem na rua, a mercê de chuva, frio, e mesmo salteadores, foram para uma estrebaria, onde Jesus acabou nascendo.

Quando a gente vê esses belos presépios que aparecem nessa época (um mais bonito do que o outro), fico pensando:

Ainda bem que eles não vem com cheiro...

Sim, pois estrebaria, curral, cocheira que se preze, até hoje, tem cheiro de cocô de cavalo!

Hoje, nas mais modernas (como em jóquei clubes), isso é muito mais amenizado, pela tecnologia, com produtos químicos;

Mas imagine naquela época...ora, o cocô do cavalo se misturava com a palha, o feno do solo onde o animal estava, formando assim uma camada...

Quem conhece, sabe que o cocô do cavalo com o tempo petrifica, ficando duro:

Juntando com o feno, a palha do chão do curral, formava uma camada própia, uma espécie de cimento, com certa consistência.

Assim, nesse local humilde, e com esse “cheirinho”, é que houve aquela cena.

Fico vendo a humildade que essa cena representa- ver um presépio, deveria nos levar a reflexão.

Ao contrário de templos suntuosos e confortáveis de hoje, voltados para o bem estar de quem chega;

De pastores, como o chefe da Renascer, que antes de ir em cana tinha um haras com 400 cavalos manga-larga;

De ministérios que seguem os valores empresariais desse século;

De gente, que em vez de buscar uma simplicidade de vida, corre atrás da superficialidade da mesma, através de uma busca incensante de bens materiais, um mais caro do que o outro, só por que é caro- tá na moda – ou é de marca.

Essa praga de vida imposta por esse século (mentalidade, como disse Paulo), produz cenas como as que vi algum tempo atrás...

Um faxineiro de um colégio, que ganhava salário mínimo, comprou um tênis da Nike, pagando 350 reais, quase todo o salário dele;

O porteiro do meu prédio, rapaz novinho, comprou um celular caro, ficando alguns meses apertado, sem grana, só por causa de ter um celular da moda.

Veio me perguntar como usava os recursos do celular, e respondi que não sabia, pois o meu era bem simples.

Jesus demonstrou em sua vida, desde o nascimento, uma simplicidade de vida.

Não é errado ter as coisas – mas sim ter as coisas como modo de vida.

Ele ensinou ensinou que “ ter o mundo inteiro” e perder a sua alma, é loucura.

Entrou em Jerusalém de burrinho, e não de carruagem:

Para Ele, o carro nada mais é do que um meio de transporte que faz você ir de A para B:

Pode ser um Fusca, ou uma BMW, Ele nunca se impressionou com isso- Quem se importa, tanto pra menos, quanto pra mais, são homens.

Se você vive num quartinho de fundos de favor ou num castelo de sheik árabe, ele também não se importa...

Ele se importa sim, se você se faz de coitado por não ter (achando, portanto, que o “ter” é solução da vida) ;

Se importa se você faz do seu castelo, sua segurança de vida;

Pois nos dois casos, o ter está no coração da pessoa, e não o ser.

Olhe seu presépio, e reflita nisso...

Pois até no presépio, o mundo é diferente Dele:

Estão fazendo um concurso do melhor presépio na cidade, aqui no Rio...

Com certeza, vão premiar o mais bonito, suntuoso, saltitante aos olhos...

Quando o mais simples, que pode estar na sua casa, pode remeter a humildade que caracterizou o estilo de vida que Ele levou, e nos ensinou a seguir.

Lee

Na Sessão Revival, Gílson, com o clássico Casinha Branca:

http://www.youtube.com/watch?v=aw_Bjs6Nufs