terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sempre ao Seu Lado


Fui ver Sempre ao seu lado ( Hachiko: a dog´story) no cinema.

Ao meu lado, Pip & Coca, companheiras cinéfilas inseparáveis.

É mais um filme sobre a história real de um cão, assim como Marley e eu...

E assim como o filme anterior, foi inevitável não sair com os olhos vermelhos.

Nesse aqui, é a adaptação americana para uma história real ocorrida no início do século passado, onde um cão da raça Japonesa Akita, sempre esperava o dono voltar do trabalho na estação do trem.

O problema em ver esses filmes, é que me lembro do meu próprio cãozinho...

Já disse por aqui que não confio muito em gente que diz não gostar de cães, ou bichos em geral:
Pela minha experiência, dos que conheci, eram pessoas egoístas, amargas, encrenqueiras ou mesmo malas...mas há exceções.

Enfim, eu me lembrei de algumas histórias com Chubby, meu yorkshire.

Há dez anos comigo, Chubby me foi dado por uma amiga, aos seis meses de idade.

Haviam 3 yorks pra eu escolher, pois ela tinha uns dez , e precisava se livrar de 3.

Chubby parou sentado na minha frente, e ficou olhando com aquele olhar que faz você sentir pena...ele ficou um minuto olhando pra mim.

Naquela hora, sabia que ele seria o escolhido.

Tem um diálogo interessante no filme, que diz que foi o cão que escolheu o dono, e não ao contrário...por isso, me lembrei de como nos conhecemos...

Nenhum dos outros yorks fez o que Chubby fez:

Alguns passaram, abanaram o cotoco de rabo, receberam carinho e saíram...

Só o Chubby ficou sentadinho na minha frente me olhando...depois desse primeiro minuto, o peguei no colo, e ele continuou me olhando...acho que foi ele que me escolheu.

Mas ver a história de Hachi (oito, em japonês), que sempre ficava esperando o dono na estação, me fez chorar pacas...pois me lembrou de quando Chubby ficou me esperando.

Após minha separação, eu ia buscá-lo de manhã cedo para sair, pois trabalhando em escalas, na época, tinha essa facilidade de tempo.

Isso sem o menor contato com a ex, que só voltava á noite, e tinha combinado a fazer isso, só durante a semana, pois tinha uma das chaves da porta.

Até que um dia, de propósito, ela deixou a porta com o ferrolho fechado por dentro.

O problema foi que Chubby veio até a porta, e ficou fungando, sentindo meu cheiro.

Quando liguei e descobri que foi realmente de sacanagem, Chubby começou a fungar mais forte, pedindo pra sair...

Eu sentei no chão, em frente á porta...tentei “lhe explicar o ocorrido”...e disse que achava que não iria vê-lo por algum tempo...Chubby começou a arranhar a porta...e a choramingar...

E eu também...tentava ao menos tocar no focinho dele, mas não conseguia:

O vão da porta era muito baixo...

Isso foi uma tentativa covarde de me atingir, mas que não surtiu efeito...

Sentia falta de meu pequeno York, de ser zoado na rua com ele (ainda vou te dar um cachorro de verdade, ou como um cara grandão sai com um cachorrinho desse?).

O cão sabe quem o ama – e quem só o suporta.

Depois daquele dia, Chubby fez sua parte (e que fiquei sabendo depois por terceiros):

Não comeu nada durante sete dias seguidos;

Achou uma camiseta minha perdida em algum canto, e só dormia enroscado nela;

Ficava plantado toda á noite, em frente á porta, me esperando, mesmo com a ex lá dentro.

E nos fins de semana, passava o dia amuado, pela tristeza de não me ter por perto ( e pela tristeza em conviver com ela – sim, passamos tempos de tristeza mútua).

Isso durou seis semanas, até que ela ligou pedindo para que eu o buscasse, pois “não aguentava mais ver o cachorro sofrendo”.

Chubby não podia me ver sozinho num canto, triste- ele se aproximava, para consolar...

E durante aqueles anos sombrios, isso era constante.

Hoje, quando desço para ir a rua com ele, especialmente agora nesse período de férias, quando se escurece aqui por volta de 19 .30h , as crianças disputam para ver quem desce a rampa com ele (ou sobe, quando volta):

Ás vezes, tem revezamento pra ver quem pega ele na coleira até a saída/retorno a minha portaria...

Chubby adora crianças e vovôs e vovós...só não gosta de outros cachorros...

Afinal, nenhum cachorro é perfeito!

Mas o companheirismo e a lealdade de um cão, que sabe quem realmente o ama, é superior ao do homem...

Chubby, assim como o Hachi que existiu, é muito mais amigo, leal e companheiro do que muita gente que me cercou e me cerca na vida, e que não vale nem o kilo da ração que dou pra ele (8 reais).
Tenha alguém sempre ao seu lado, mas que te ame, respeite o seu jeito de ser, e seja seu parceiro.

Ainda que este alguém sempre ao seu lado seja um cãozinho.

Lee


Na Sessão Revival, veja o tralier, e vá ver o filme:

http://www.youtube.com/watch?v=UFY8vW5IedY