quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Minha Melhor passagem de Ano


Minha melhor passagem de ano foi nesse hotel aí em cima.

Você acompanhou aqui minha saga de piores passagens de ano.

Mas tinha de fazer um post sobre minha passagem inesquecível...

E foi no hotel do pai da patricinha Paris Hilton, só que no caso, foi no Atenas Hilton, na Grécia.

Morei lá só um ano, quando criança, e naquele fim de ano, meu último lá, os funcionários da embaixada brasileira foram se confraternizar com os funcionários das embaixadas que haviam na Grécia.

A próxima missão do meu pai seria na Alemanha (onde passei meus melhores natais).

Mas se você pensa que nesse dia, havia programação especial para crianças, tá enganado.

Tudo era voltado para os adultos - o coquetel luxuosíssimo, a festa, aquela frescurada toda.

Assim, tive que me virar - e as outras crianças, filhos dos funcionários, (embaixadores, adidos militares, pessoal do staff, etc), também.

Nosso comportamento de criança imitando adulto durou até duas horas antes da meia-noite.
Nessa hora, me lembro de estar na mesa, e meu pai depois de mandar ver no seu whisky favorito , o Johnny Walker, começou a falar do evangelho aos diplomatas franceses.

Ele já tinha morado em Marselha sozinho, por dois anos, antes de conhecer minha mãe.

Fico vendo a misericórdia divina...os caras ficaram ouvindo atentamente, de início por educação, depois fizeram um monte de perguntas, se interessando...

Santa ousadia adquirida pelo Johnny Walker, e aproveitada pelo Espírito Santo.

Bem, a festa tinha banda, comida farta e muita mulher bonita...

Diplomatas e afins, são que nem jogadores de futebol:

Tem que ter uma mulher bonita pra exibir pros outros não tão nem aí se elas os amam ou não.

Não se importam de serem cornos, desde que sua mulher fosse reconhecida, tipo:

Olha a mulher do embaixador do Egito! Olha a mulher do embaixador da Tchecoslováquia (antes da divisão)!

Era o que eu ouvia, baixinho, na mesa da brasileirada...isso quando as respectivas madames deles deram uma saída ao “toalete”( banheiro, pro povo chic).

A vaidade nesse tipo de festa, chega a ser tão palpável, que mesmo eu aos 8 anos me lembro bem dessa sensação no ar.

Bem, passada a novidade da primeira hora, precisava inventar uma coisa pra fazer, antes que ficasse de saco cheio daquilo tudo – como disse, num era festa pra criança.

Vi um grupo de crianças num canto, e fui até a eles- avisei minha mãe antes, que também meio boba por estar no Hilton, acho que diria sim até se eu dissesse que iria alugar a suíte presidencial.

Nós, filhos de estrangeiros na Grécia, tinhamos uma escola especial : A escola americana.

Como o grego era difícil pra maioria, colocavam todos pra estudar inglês.

Assim, meu primeiro curso de inglês não foi num CCAA ou Fisk da vida:

Foi na escola americana... Onde a molecada , filhos dos mlitares, funcionários da embaixada americana, estudavam o junior e o high school (no musical, please).

Assim, aos oito anos, falava português, inglês e grego, que aprendi na rua – só não sabia ler em grego.

Hoje, só falo português- Afinal, o Lula diz que é só o que a gente precisa - kkk!

Eu era o intérprete de minha mãe para fazer compras no comércio, assim como fui intérprete dela quando fomos para a Alemanha, no ano seguinte, e aprendi alemão.

Alías, foi na Grécia onde fui parar numa delegacia pela primeira vez na vida:

Eu tinha um revólver 38 igualzinho a um verdadeiro, e tinha uma DP na minha rua.

Entrei na delegacia, e apontei a arma pro escrivão na recepção...o cara ficou pálido.

Depois dei uma risada, e disse que era brincadeira...só aí o bigodudo percebeu que o revólver era de brinquedo, saiu de trás do balcão, e me puxou pelo braço...
Eu não entendia direito o que ele falava (provavelmente um monte de palavrão), mas aí entendi depois o que ele me mostrou:

Me levou pro final da DP e me mostrou as celas...falou mais um monte de coisas educativas, me devolveu o revólver e me expulsou da DP.

Poxa, pensei lá fora...esses caras não sabem entrar no espírito da brincadeira!

Depois desse dia, aposentei meu revólver.

Voltando ao Hilton:

Fiz amizade com um moleque filho de engenheiro ,um americano de nome Mike...

Estávamos a beira do tédio com aquela festa...era hora de entrar em ação.

Decidimos sair do imenso salão social, e explorar aquele desconhecido hotel.

Entramos no elevador e apertamos um número de andar qualquer.

Quando saímos, percorremos o imenso andar, passeando e conversando.

Vimos a piscina, e decidimos ir pra lá.

Vi uma gata linda, de botas até o joelho, vestidinho, que ia descer...ela entrou com a gente no elevador....nunca esqueci dessa cena...
Seria por isso que, hoje ao ver uma mulher com botas, "mexe" comigo?

Anos mais tarde, quando conheci a Mulher-gato, inimiga do Batman, me apaixonei por ela!


Ela era grega, e perguntou em grego aonde iríamos, e respondi que estávamos indo a piscina.

Ela falou algo tipo “aproveitem”, e deu um sorriso...

Mulher grega, pelo que me lembro, não tinha meio termo:

Ou era feia ou bonita, não havia “mais ou menos”...aquela foi a mais bonita que vi em um ano que passei por lá.

Na piscina, á noite, eu e meu amiguinho conversamos sobre nossas vidas, longe da agitação da festa...como fomos parar ali naquele lindo fim de mundo...

Vindos de realidades distintas...ele se queixou que tinha de mudar de país toda hora, que não tinha amigos fixos por causa disso...

O pai era engenheiro, e acabando uma obra, seis meses depois estava em outro canto.

Uns dois anos mais velho do que eu, ele tinha uma irmãzinha de seis anos...e ele já sabia ver as horas no relógio de ponteiros – o que eu só aprenderia no ano seguinte, numa época em que não havia relógio digital - e me disse:

- Faltam 20 pra meia noite, é melhor voltar pro salão.

Ninguém incomodou a gente, a beira da piscina, de roupas sociais, sentados nas cadeiras onde o povo tomava sol.

Lá, conheci os pais dele, e os apresentei aos meus:

Foi o início de uma amizade que produziu frutos para o Reino do Chefe:

Meus pais levaram os pais do Mike para uma reunião interdenominacional, onde haviam cristãos de várias partes do mundo, e o culto era em inglês.

Eles tiveram contato com o evangelho na infância, mas depois se afastaram...

Duas reuniões depois, “aceitaram Jesus”, como se falava e ainda se fala hoje, emocionados, chorando...

Esse foi o fruto da melhor passagem de ano que já tive:

Meu pai evangelizando os franceses com a ajuda de seu amigo Johnny...

E eu, através de minha amizade com o meu amigo Mike, trazendo sua família para o Reino.

Anos depois, na volta ao Brasil, meus pais caíram na lábia de que “o certo era passar ano novo na igreja”, “diante do Senhor”, e não “ao lado dos impios”, dito pelo pastor deles.

O resultado?

Aquela série de desastres que você leu no post Minhas piores entradas de ano....rss!

Lee
Na Sessão Revival, duas músicas muito especiais:

A primeira sintetiza bem essa fase inocente, mas que a grei começava a tomar...

Supertramp, com o clássico The Logical song:

http://www.youtube.com/watch?v=FGuLc-FOvQ0

E a seguinte, a fase imposta pela “igreja de tijolo”, até que eu realmente entendesse o evangelho da graça, e não o evangelho de igreja.


Pink Floyd – Another brick in the wall:

http://www.youtube.com/watch?v=YnHm-vQGsUw