sábado, 9 de janeiro de 2010

Que 2010 é esse? - Quando o ano mal começa, e você sofre um revés

Pousada Sankay, na véspera: Tranquilidade


- Que 2010 é esse?, pergunta revoltado o parente de uma das vítimas, no velório coletivo em Angra, em meio a um monte de caixões com corpos das vítimas do desabamento.

Passar o primeiro dia do ano novo reconhecendo corpos, sofrendo com a burocracia do cartório, que queria documentos (que estavam embaixo da lama) para liberá-los, foi dose.

Como passarão o restante do ano todos os que foram atingidos pela tragédia?

O sofrimento, a tribulação, não manda avisos de quando irá chegar – não tem dia nem hora certa.

Em plena comemoração de ano novo, ás 3 e meia da madrugada, mais de 40 pessoas morreram.

O sofrimento não manda carta, e-mail, não avisa quando vai aparecer.

A certeza de que teremos aflições – das quais tragédias fazem parte, foi dita claramente por Jesus - “No mundo tereis aflições”.

A escolha por ter uma vida assim, foi feita ainda no járdim do Éden.

Adão batia altos papos com Deus, que vinha para estar com ele ao final do dia (leia os 3 primeiros capítulos de Gênesis).

Mas com a quebra de uma regra básica – não comer do fruto da árvore do conhecimento - liberou o caos em toda a terra, incluindo aí as tragédias.

Deus não pode reverter uma regra que Ele mesmo criou – estaria indo contra sua própia natureza.

Ele deu esta liberdade de escolha para o homem, e o primeiro casal tinha essa escolha.

Eles escolheram quebrá-la – e começaram a pagar com conflitos familiares:

Adão e Eva sentiram a dor de saber que Caim matou seu próprio irmão, Abel.

Portanto, ninguém pode por na “conta divina” o resultado de todo o caos instalado no universo- que ele criou perfeito – Deus não é um “superbonder” da natureza.

As leis da natureza, que ele revelou ao homem, faz um avião de toneladas de aço voar:

Para isso tem de obedecer a lei da aerodinâmica- qualquer falha nela, o avião cai.

Quando o homem respeita a natureza, respeita o princípio da ordem criada por ele.

A pousada, símbolo máximo da tragédia lá em Angra, fazia parte de uma lista de obras irregulares na baía de Ilha Grande.

Um levantamento, feito há 2 anos pelo Tribunal de contas do estado, contatou que a área estava "sobre a área de domínio dos costões rochosos, especialmente quanto ao descumprimento do recuo mínimo exigido na zona costeira, e construções no espelho d'água".
Ou seja, assim como as casas que deixaram que fossem construídas irregularmente, no morro da cidade e que depois caíram também nesse dia.

Não respeitar a natureza- criada por Ele - sempre facilita uma tragédia.

Da mesma forma, o rio Sarapuí que transbordou em Caxias – dentro dele, havia até sofás jogados pela população, que faz dele um lixão, entupindo-o...deu no que deu: 19 mortos.

Quando sofremos um revés- que não tem dia nem hora pra chegar – pode ser no primeiro dia do ano, no natal, no dia do seu niver- é justamente quando mais precisamos da graça divina para confortar e superar a situação.

Quando meu pai morreu, foi via “tragédia” - eu sei do que to falando.

Num foi beijinho, tapinha nas costas, olhar de peninha, coitadismos que me levantaram, não.

Meu pai ficou com a cabeça amassada – nem deu pra abrir o caixão, que aliás, pra mim tem que ser igual ao dos Judeus- ficar fechado...Isso se não cremar.

Ainda teen, tive que confiar em Deus- ainda não sabendo direito o que era isso, pois sempre estive em igrejas que pregavam “evangelho de igreja”.

Tirando algumas irmãs que oraram por nós, minha mãe, etc, nunca tivemos apoio além daquela famosa visita pós- morte, em que lêem um texto, fazem uma oração e bye-bye.

Afinal, para muitos pastores isso não passa de uma formalidade de seu ganha pão:

A parte chata da “profissão de alguns”- funeral e hospital é um saco pra eles – os “profissionais”.
Quando recebi a graça divina, me confortando da tragédia que me abateu ainda cedo, recebi duas coisas:

Paz – as pessoas vinham me consolar, mas eu não precisava de consolo - me lembro disso no cemitério- elas que precisavam ser consoladas.

O choro só veio bem depois - não chorei no dia do enterro- e não foi nada desesperador, como vejo por aí.

A segunda coisa que percebi -mas só algum tempo depois- foi o esquecimento do trauma.

Tanto que até hoje, não sei direito o dia e mês em que ele morreu, só o ano.

Já perguntei a minha mãe, ela fala, e tempos depois, esqueço – e não sou de esquecer datas, em geral.

Você não vai se esquecer do que houve- mas Deus pode fazer com que você se lembre desse dia – o dia da tragédia – sem dor.

Esse é mais um dos milagres da Graça...

Mesmo para aqueles que começaram o ano com um revés em suas vidas.

Lee

Na Sessão Revival, esperamos dias melhores...

Dias melhores, J. Quest:

http://www.youtube.com/watch?v=RX_SCap890s