quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A Eterna Guerra entre a Música gospel e a Música secular

Música ruim: Seja ela qual for, faz isso
O primeiro artista "gospel" a gravar no Brasil: A Época da" Inocência ".

Muita gente vive dizendo que cristãos não podem escutar músicas seculares.

Isso faz parte de um pacote de tradições que há muito tempo foi plantado na igreja evangélica brasileira, vem desde o passado.

Minha falecida avó, que era da Assembléia de Deus,contava as coisas que aconteciam em sua época de igreja.

Detalhe: Isso não acontecia só na igreja dela, mais era comum isso em todas denominações aqui, no passado...talvez ainda possa acontecer em algum lugar.

Contava ela que os diáconos das igrejas iam nas casas, para ver quem tinha rádio em casa (naquela época, não havia TV na maioria das lares brasileiros):

Uma irmã certa vez foi pega ouvindo novela de rádio (eles iam á noite), quando o filho dela foi abrir a porta, pobre coitada...

Meu avô saía para trabalhar na capital, e ás vezes voltava só uns 3,4 dias depois...

Como minha vó sempre foi “cabeça” pra separar as coisas, ela ouvia a novela dela, mas sebendo da polícia evangélica de postura, fez o seguinte esquema:

Quando eles chegavam nas blitzs semanais (diziam que era “visita da igreja”), um dos filhos já orientados para não abrir a porta até que esta fosse, a avisava:

É por quê eles verificavam se a sintonia dos enormes rádios de época,que ficavam em geral em cima de uma mesa na sala, estavam fixadas na estação em que a igreja alugava um espaço, para transmissão de programação da igreja.

Eles também davam um jeito de abrir a geladeira, ou ir junto com a pessoa quando esta fosse pegar água, para ver se havia cascos de cerveja na geladeira, etc.

Enfim, minha vó simplesmente tirava a faixa do seletor da rádio que ela ouvia a novela, e colocava na faixa seletora, bem visível, da programação da igreja.

Enfim, era o casamento perfeito do legalismo da igreja, com a hipocrisia dos membros!

Alías, o Macalé, famoso Pastor da Assembléia de Deus no passado, expulsou de uma só vez da igreja 20 pessoas que estavam “ouvindo rádio” :

Na igreja dele, nem isso era permitido!

Enfim, o meu tema hoje é música, por isso falo do rádio, mas o mesmo esquema de exclusão em todas as igrejas incluíam:

Ir a praia, cinema, usar maquiagem, jóias, roupas, ver ou jogar futebol (diziam que era o “ovo do diabo”), mulher ficar de short em casa (de shortinho? Méldeus!...pode sim!)

Na minha igreja de origem, o Pastor Pitrowsky, um dos pioneiros do trabalho Batista aqui no Rio de Janeiro , numa das atas da igreja , já na fase final de seu ministério, excluiu da mesma duas senhoras que cortaram o cabelo a la Audrey Repburn no filme Bonequinha de luxo (1961) !

Como alguém pode não gostar da Bonequinha de luxo?

Enfim, herdamos uma série de “não podes”, da igreja evangélica brasileira, que vai desde roupas, passando por costumes.

A música é uma delas – e persiste até hoje.

Dizem que não se pode ouvir músicas que não sejam “evangélicas”- já tem rádios só “evangélicas”...aqui no Rio, a Melodia lidera a audiência de todas as rádios- inclusive as que só tocam músicas seculares...

E ainda tem a 93 Fm, e estreiou a rádio dos “bispos” da Renascer, sem falar a rádio do Macedo, e do RR Soares, que nem me dei o trabalho de decorar os nomes.

Só quem toca nessas respectivas rádios, são os “artistas” contratados dessas gravadoras.

Assim,é um repeteco das mesmas músicas todo o dia.

O comércio do mercado chamado gospel, é muito mais cruel do que o mercado secular.
O objetivo não é divulgar as músicas supostamente cristãs, para o povo da igreja, mas sim, vendê-las...bem como o dvds.

Por isso, o massacre que esses chamados artistas fazem para as igrejas:

O contrato de alguns, depende do sucesso da venda de cds imposta pela rádio-gravadora.

Agora você entende o porquê de, assim que uma igreja liga, eles perguntarem o tamanho da igreja?

Eles não se interessam por igrejas pequenas.

Pra “fechar” uma apresentação, além de um cachê (que varia de acordo com o cantor ou banda, podendo chegar há 15 mil reais), eles mandam de 200 a 100 cds com antecedência, muitos condicionando sua “apresentação”(show) só se pelo menos metade deles forem vendidos antes – e o restante após a mesma.

Esse modelo absurdo de exploração, de extorsão da igreja, que a aceita, se criou porquê:

Muitos igrejas sem conteúdo, sem palavra, sem ensino, dependem únicamente desse método para sobreviver.

Por isso, a farofada gospel se espalhou por todo país, pois acham que “encher igreja “ tem que ter programação definida, tal como uma casa de shows:

A igreja evangélica, por esse absurdo, virou hoje uma imensa casa de shows gospel.

A consequência foi a imediata escasses de uma palavra sadia, pois a grande maioria entrou nesse esquema:

Se você tirar a farofada gospel dos cultos, verá que os pregadores não aguentam falar mais do que 10 minutos, e alguns se disso passarem, estão “enchendo linguiça”.

No passado mais antigo, e no mais recente, não era nada disso:

Tudo tinha sua vez, e os cristãos ouviam de tudo.

Jesus participou de diversas festas judaicas, e festas de casamento, onde haviam muita música alegre, como são as músicas judaicas de festas.

Nenhuma delas era “música gospel”...mas Ele também ouvia músicas litúrgicas na sinagoga.

Na época de Lutero, as pessoas da igreja gostavam tanto das canções seculares, que este fez um livro com canções para cantar na igreja com as mesmas melodias, mas com letras que hoje chamaríamos evangélicas – Naquela época não havia “direitos autorais”.

Alías, no passado recente, vendia-se discos na igreja sim...mas era diferente.

Cansei de ver o Luíz de Carvalho se apresentando, quando era adolescente, na minha grei...

Alías, ele almoçou lá em casa uma vez, é uma simpatia, não é marrento, e minha mãe o reencontrou recentemente num congresso da terceira idade:

Ele, oitentão, continua com o vozeirão de sempre, e dava atenção a ela, e a todos que o cercavam.

Luíz se apresentava nas Igrejas, levava o seu próprio som, vinha no seu carro...

O “pagamento” era um almoço ou na grei ou na casa de algum irmão indicado pelo pastor....

Luíz cantava, pregava, e dizia que seus discos (aqueles enormes bolachões) estavam lá na entrada da igreja, para quem quisesse adquirir...

Comprava quem podia - sempre se comprava, mas sem nenhuma imposição, como vemos hoje...foi um dos primeiros a ser contratado por gravadora e a ter playbacks produzidos:

Ele foi o primeiro cantor evangélico no Brasil a gravar um LP de músicas Cristãs.

Muitos se tornaram cantores gospel, inspirados por ele- muita gente cantou suas músicas em playbacks nas igrejas, e cantam até hoje.

E tudo isso, num clima sem mercenarismo...a grei só pagava a gasolina do carro dele, e a hospedagem era na casa dos irmãos.

Hoje, as bandas e cantores gospel, quando vão nas cidades, querem hotel 5 estrelas.

E se tem um evento gospel, nego sai no tapa pra ver quem canta na frente de quem!

Vários tem inveja um do outro, ou não se falam.

Enfim, eu fui criado ouvindo boa música gospel, por isso não tenho saco pra ouvir muita coisa atualmente...

Alías, as boas e melhores músicas em geral, em todos os aspectos, são as do passado...
Hoje, a turma só quer ouvir batidões e tecno music.

E sempre as ouvi, tanto as “de igreja” (hoje chamam “gospel”) quanto as seculares, que na época- e ainda hoje, alguns chamam de “música do mundo”...

Comprava meus discos ou fitas- K7( alguém ainda se lembra delas?) na loja da livraria Juerp da praça da Bandeira, ou lá no centro, na livraria Betânia , tudo aqui no Rio (as duas ainda existem).

Ouvia muito Rebanhão ( e ia na apresentação deles), Vencedores Por Cristo, Logos...

Mas ao mesmo tempo comprava Dire Straits, The Police, Paralamas, Kid Abelha (na época em que ainda eram Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, com Leoni no baixo), e um montão de gente que você sempre vê aqui na Sessão Revival.

Nunca me fez mal nenhum, ao contrário só aprimorou meu ouvido musical:

Se hoje faço “back vocals” no meu grupo, é por causa dos “seculares”, meus professores de música nesse sentido.

Lee

Sessão Revival especial gospel de qualidade:

Entenda por que não consigo mais ouvir e ver o que tem por aí, com raras excessões!

Rebanhão, um marco nas bandas gospel nacional - quando essas ainda nem “gospel” eramEle te Ouve :

Vencedores Por Cristo, na estrada há 30 anos, e minha música preferida deles -Mente e Coração :

http://www.youtube.com/watch?v=ZRXhjQZjHtg

Luiz de Carvalho e seu vozeirão ungido em dois clássicos:


Na versão de Paz no Vale (original de Elvis Presley):

http://www.youtube.com/watch?v=sfsNnOuGdMs

A simplicidade nas chegadas ás igrejas, no clássico Ele me Tocou:

http://www.youtube.com/watch?v=sRGxqcrpNlg