sábado, 6 de fevereiro de 2010

A Pressão para as Crianças se Batizarem na Igreja



Sempre quando vejo uma criança se batizando, fico pensando...



E nesse pensamento, começo uma série de perguntas:


Será que ela sabe mesmo o que está fazendo?


O que isto significa?


Será que seus pais estão “forçando a barra”?


Será que para agradá-los, a criança “tomou essa decisão”?


Existe, na prática, 5 motivos que faz uma criança querer se batizar :


Agradar aos pais, “forçação de barra” de pastor, desejo em tomar a ceia, ir na “onda dos amigos", e genuína convicção....vamos a cada uma delas:


Agradar aos pais


Estéticamente aos olhos, é lindo ver uma criança se batizando – e aqui me refiro ao batismo descendo ás aguas.


Seja num rio, ou numa grei, quando qualquer pessoa vê uma delas fazendo isso, acha bonito...


Mas ao longo dos anos, observei que uma parte dos pais sempre que estão na igreja há algum tempo , sempre estimulavam-os a se batizarem cedo:


Isso não acontece com pessoas que se converteram há uns 5 anos atrás, com seus filhos, por exemplo.


Geralmente, acontece só com os “filhos de crentes”, e se os avôs desses tem anos e anos de igreja, o desejo em ver um neto/a se batizar, aumenta a pressão sobre os pais da criança, que ficam toda hora falando de batismo com os filhos.


Isso pode gerar uma pressão, a criança por volta de 8 anos, sente isso, e na ânsia de agradar aos pais ( e ao vovô e vovó, com 200 anos de igreja nas costas, querem ver o neto/a fazendo isso antes deles morrerem), se batizam.


Foi o que cansei de ver, por anos e anos, seguidamente, e vejo até hoje.


Pressionar crianças a se batizar, é errado:


Lembre-se que o próprio Jesus só se batizou aos 30 anos.


O segundo motivo que vejo hoje nesse sentido, é:


"Forçação de barra" de pastores


Para se tornar membro de uma igreja – para se tornar “um número “dentro dela- é necessário fazer parte do “ rol de membros” da mesma.


Uma dessas maneiras de se tornar membro oficial de uma delas é por meio de batismo- as outras são via transferência de outra igreja, e via aceitação por “aclamação”.


Infelizmente, percebi ao longo dos anos, a forçação de barra de pastores nesse sentido, pressionando uma criança- no caso os pais delas- a se batizar.



“Por quê seu filho ainda não se batizou”, perguntam.


Digo infelizmente, pois sinto em alguns apenas a necessidade se fazer número- de dizer que a igreja está crescendo, aumentando de membros.


Especialmente nesse tempo em que se confunde quantidade com qualidade.


Pastor nenhum pode se prestar a um papel desse tipo, e sim verificar se a criança tem a maturidade em tomar essa decisão:


Inclusive perguntando a ela, se são os pais e avós que estão impondo isso.


Desejo em tomar a ceia


A criançada fica doida quando vê os adultos tomando ceia:


Que criança consegue ficar sossegada vendo todos beberem suquinho de uva com pãozinho, em pleno culto, e não poder pegar?


Conheci várias pessoas que confessaram mais tarde terem se batizado únicamente para poder tomar “suquinho de uva com pãozinho”.


Talvez você que me lê esteja nesse grupo, é o mais comum de todos os casos citados.


A ceia, que na verdade era uma confraternização onde todos comiam, até que Jesus num dia separou o pão e o vinho num memorial, sempre vai lembrar comida.


A ceia em forma pequena então, como é servida nos cultos, parece um micro-lanchinho rápido, um super-mini-lanchinho “eclesiástico”, na cabeça da criança, que adora lanches.


Percebem como a criança pensa, faz essa associação?


Ela fica revoltada em não poder pegar – os pais passam anos tirando a mãozinha deles dos seus cálices e pães:


O dia da ceia, é um dos piores cultos para uma criança assistir, pois ela não participa.



Por isso, a importância do culto infantil:


Erradamente chamado de “cultinho” por alguns pastores e pais (tem mais “cultinho” onde tem “cultão”, por aí), o culto infantil é de suma importância para o aprendizado da ceia nessa hora.


Em algumas poucas igrejas visionárias , a tia da classe é autorizada pelo Pastor para ministrar uma ceia “didática”, quando a mesma também é distribuída no culto “adulto”.


Assim, elas não só aprendem o significado da ceia do Senhor, como ficam felizes, e ninguém precisa se batizar aos 9, 10 anos, só pra tomar ceia na igreja.


É claro, pra isso tem que haver um Pastor visionário, que pense na grei como um todo, mas infelizmente temos mais é pastores jurássicos na forma de pensar a igreja.


Soube de uma grei em São Paulo que tem até púlpito miniatura na sala das crianças, de onde contam sua semana, e pedem orações.


Ir na “onda “ dos amigos


Ou melhor, no “mergulho” deles...esse foi o meu caso.


Me batizei aos 11 anos, porquê meus dois maiores amigos da igreja, incluindo na época o filho do pastor - de 9 anos – se batizaram.


Tivemos aquelas decorebas básicas, onde ninguém podia nos reprovar, pois estava tudo teológicamente correto, foi moleza, e depois foi só “Tchibum”:


Um mergulho refrescante no último dia do ano, 31 de dezembro, um calorzão infernal e eu me refrescando no batistério, que delícia...podia durar mais um pouco, tava quente!


Depois, a gente subia e ficava esperando os outros se batizar, e ficava um zoando o outro:


Entrou água pelo ouvido? Espalhou muita água?


Isso ao som da pior música pra se tocar na grei quando se tem batismo:


“Óh que belos hinos, cantam lá no céu, por mais um remido entrar nos céus”!


Por isso, por anos a fio, nas greis que cantavam isso na hora do batismo, ficou associado que o batismo salvava a pessoa:


E nunca batismo nenhum salvou, nem salva ninguém...quem faz isso, é Cristo.


Assim, adquiri aos 11 anos o direito de votar em sessão - de escolher diáconos, de escolher a diretoria da igreja, e de exonerar ou escolher pastor com o meu voto:


Tudo aquilo que uma criança de 12,10, 9 anos está preparada, claro, para fazer...


Enfim, pouco anos depois, já teens orgulhosos de poder finalmente “tomar a ceia com o restante da grei” e de sermos finalmente “membros com direito a voto” nas sessões deliberativas, descobrimos um novo hobby batismal:


Ver a mulherada se batizar.


Entenda, em igreja chata, a gente precisava se distrair, rabiscar boletins, segurar o riso, enfim, inventar alguma coisa pro tempo passar, enquanto este se arrastava.


Na época, a mulherada se batizava com uma toga branca (nossa eterna gratidão a quem teve essa brilhante idéia) , o que produzia o seguinte efeito:


Além de delinear o corpo da mulher batizanda, o branco ficava...transparente.


Assim, eu e meus amigos teens no dia do batismo sentávamos na primeira fila, super interessados “no culto”...


Viámos a mulherada se batizar, e quando tinha uma mais jeitosa, era uma festa...


Elas colocavam só uma camisa com short, por baixo.


Lembro do dia em que uma mulher que chamávamos de Índia foi se batizar.


Índia era o chamado mulherão, ela lembrava muito a Jennifer Lopez, tanto na cara quanto no corpão, tinha por volta de 30 anos, cerca de 1.70, cabelão preto na cintura, na época, era alta para uma mulher brasileira.


Sabia-se por toda a grei que ela chifrava o maridão, que sempre tava viajando a serviço, e tinha cara de mané:


Como alguém podia deixar uma mulher daquelas sozinha??


Pois bem, no dia do batismo dela o primeiro banco ficou disputado:


Os marmanjos mais velhos já tinham percebido o lance da toga branca, altamente inconveniente para o batismo, e super-conveniente para pensamentos “pagãos”.


Quando a Índia mergulhou e se levantou, saíndo lentamente pela escada, a toga colada a camisa, os “faróis acesos” - e era “farol alto”- toda a grei ficou em silêncio:


Dava para ouvir um mosquito dentro da igreja.


O pastor se “desconcentrou”... e em nosso primeiro banco, bem como no segundo, víamos as mulheres beliscando seus maridos...


E nós acompanhamos a saída lateral da Índia, com gostinho de ficaaa, queremos mais!


Viram como minha convicção batismal era forte?? Viva o batismo - Aleluia!


Ah, sim , viámos gordonas e gordões afundarem junto com o pastor dentro dágua, espalhar água pra fora, nego escorregar da escada “ e já cair batizado, era uma festa!


Por muitos anos, o dia do batismo foi uma atração naquela grei fraca de conteúdo...


Quanto a Índia, um ano depois ela foi para outra igreja, onde finalmente largou o maridão para ficar com o amante.


E finalmente, o último dos cinco motivos de batismo de uma criança:


Genuína convicção


É claro que existe- já vi crianças firmes em sua decisão, algumas esperando se batizar desde os sete anos.


Dá para perceber até na fala de algumas delas.


Mas confesso, por tudo que vi nesses anos, que esse é o último dos grupos:


É muito raro ver alguém antes dos 12 anos genuínamente convicto.


Jesus aos 12, debatia com os Sacerdotes no templo, deixando-os admirados, mas só foi se batizar bem mais tarde, aos 30.


Por isso, penso que deve existir um culto infantil, como o acima citado, nas igrejas;


Que devem deixar a criança naturalmente ir perguntando sobre batismo, e nunca forçar;


E verificar o motivo real dela querer se batizar.


Conheço pessoas, filhos de gente da igreja, e que estão na grei, que aos 20 anos ainda não se batizou:


Isso é uma decisão pessoal.


A verdade é que vi poucas crianças que se batizaram, que permaneceram depois na grei...


Me batizei por causa dos meus dois amigos – hoje, só eu e o filho do pastor continuamos na grei.
E as que assim fizeram, percebem mais tarde que se precipitaram, quando realmente entendem o significado do batismo -morrer e ressuscitar com Cristo, pela fé.


O resto, é tomar suquinho de uva com pãozinho, lambendo bem o cálice para não sobrar nada:


Sluuurpp....




Vai dizer que você nunca fez isso??



Lee





Na Sessão Revival Batismo:



Veja a furada que é se batizar de branco (aqui é homem, imagine se fosse mulher):






Perigo - Criança se batizando!