quarta-feira, 24 de março de 2010

A Difícil relação da Igreja com os “Diferentes”

Bíblia do Surfista: Na linguagem própria deles

Um discípulo "diferente"

Vários discípulos" diferentes"

Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15)

Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento (Mateus 9.13)

Se é para pregar o evangelho a toda criatura, e se nesse processo não pode haver acepção de pessoas – Jesus disse que não veio chamar os “bonzinhos” - pergunto:

Por quê as igrejas de hoje fazem justamente ao contrário do que Jesus ordenou?

Parece que hoje em dia, elas foram feitas para gente bonita, bem sucedida, branca, sem mancha nenhuma de pecado...

Dificilmente uma igreja aceita, ama, ampara ,cuida, de pessoas com a aparência acima...

O máximo que elas fazem com eles, é tolerar, e olhe lá...

Geralmente, mesmo se estes quiserem ficar, são excluídos pelas panelas naturais que se formam numa igreja...

Mas a maioria mesmo, torce é para eles irem para outro lugar...afinal, ali é uma “igreja”, e não é lugar para gente com aquela aparência, estilo...

Jesus disse que queria ver misericódia,mas hoje Ele só vê a discórdia com essas pessoas...
Parece que na igreja, não pode haver pessoas de todos os tipo da sociedade, o que inclue os “diferentes”;

O que inclui gente com qualquer natureza existente numa sociedade, e com todos os seus problemas...nem precisa ser tão “diferente”:

O divórcio, por exemplo...

Segundo o último censo do IBGE, um em cada 4 casamentos termina em divórcio, no Brasil.

Ou seja, é algo que acontece na sociedade...

E os divorciados, são uma das categorias de pessoas mais excluídas dentro de uma igreja.

São vistos como exemplos de fracasso conjugal, são vistos como “ameaça” diante dos outros...

Especialmente se numa igreja existe um ministério de famílias...

São raríssimos os ministérios em igreja que pensam neles...minha grei é uma dessas raras.

Se o divorciado é malvisto numa igreja, se divorciar em algumas delas- especialmente com pastores legalistas á frente – é quase uma sentença de morte eclesiástica.

Ainda que a mulher tenha marido “crente” com amantes, ainda que ela apanhe do marido “crente”, etc, tem de ficar na sentença de morte casamentória até o final.

Ainda que este marido seja casado com alguém que não o respeite, que vive dando chiliques, ou como diz em Provérbios, seja uma mulher rixosa, ele é também um “sentenciado”.

E aí é onde a hipocrisia costuma rolar solta.

Mas voltemos aos “diferentes”...

Jesus disse que era para pregar o evangelho a todos eles - “toda criatura”, inclui todo mundo no pacote...

Por quê existe então esse desconforto, em relação a essa turma?

Primeiro, por quê a igreja não é preparada para lidar com eles.

Conversando com um amigo que pastoreava no centro da cidade, aqui no Rio, ele me disse o choque que foi quando um travesti, fruto do trabalho de evangelismo da igreja dele, se converteu.
Nos primeiro domingo que foi a igreja, procurando uma classe de escola bíblica, deu de cara com o pastor, e perguntou:

- E agora, pastor? Pra que lado eu vou...pra classe de mulheres, ou pra classe dos homens?, perguntou, com voz ainda afeminada.

Curioso é que algumas igrejas preparam grupos para evangelizar, mas não se preparam para receber as pessoas...

E esse receber, não é ficar dando cafézinho, bolinho, biscoitinho, depois que alguém faz uma decisão” no culto”, como fazem algumas igrejas...

Nem muito menos ficar dando livretinho com as “4 leis espirituais”, ou outra literatura, como faz a maioria delas.

Receber a pessoa na igreja- no corpo de Cristo – é começar a integrá-la na mesma, deixando-a á vontade.

É apresentar aos amigos, desde a primeira hora...

É exercer misericórdia, seja um travesti, um cara com bafo de cachaça, uma mendiga mal cheirosa...

Ou a uma tatuada da cabeça aos pés, com piercings na sombracelha, no nariz, na boca, e na língua...

É apresentar a pessoa a graça divina, que a alcançou...

O ensinamento, é a segunda fase, que vem naturalmente.

A pessoa sempre vai se lembrar de como você a tratou, lembre-se disso:

Não vai lembrar do biscoito, do café, da literatura que mal entende....

Vai se lembrar sim, de como você a recebeu, e ás vezes, um olhar diz mais do que uma palavra.

Em segundo lugar como motivo para desconforto eclesiástico com relação aos diferentes, está na atitude do pastor para com eles.

Primeiro, que por incrível que pareça, tem pastor que não gosta de gente;

Tem pastor que não gosta de pobre;

Tem pastor que não gosta de negros, ainda que uma boa parte de sua membresia seja constituída por eles;

Tem pastor que discrimina os divorciados, ainda que o casamento dele seja falido, e ele tenha “uma por fora”;mas desce o malho nos outros.

Com os “diferentes”, então, nem se fala...

Pouco tempo atrás ,fui numa igreja da zona sul aqui da cidade.

Em determinado momento, entre outras pérolas legalistas, disse que agora tem igreja pra tudo, até igreja “só para tatuados”...

“É verdade, por causa de pessoas como ele”, senti o Chefe falando ao meu coração...

Me levantei e fui embora.

Por causa de figuras como esse ilustríssimo pastor, é que tem igrejas para surfistas- e Bíblias para eles, na linguagem do surf, com fotos de ondas e pequenas biografias de surfistas de Cristo ao redor do mundo:

É uma edição de 2006 da Sociedade Bíblica do Brasil juntamente com os Surfistas para Cristo.
Por casua de figuras legalistas como ele, que só aceita gente bonita , cheirosa e com casamentos perfeitos, é que tem igrejas onde os skatistas, surfistas, artistas, se sentem mais á vontade.

Onde tatuados e piercenados podem participar da comunhão com o Corpo de Cristo, sem serem discriminados...

Onde cabeludos e barbudos roqueiros não sofrem acepção...

Onde os motoqueiros podem estacionar suas Harleys e triciclos, e adorarem ao Senhor num culto...

Tudo isso poderia acontecer num só lugar...

Mas por causa do preconceito do pastor, tem que se criar vários ministérios ou igrejas...

Esses pastores são na verdade, um grande obstáculo na divulgação do evangelho a toda criatura.

Por que, mesmo se esses forem “aceitos” em sua igrejas, querem descaracterizá-los:

“Sugerem” cobrir as tatoos, cortar cabelo, não entrar de bermuda, e por aí vai.

Seriam tão bom se eles mudassem, mas é difícil, pois são “sistematizados”...

E não tem um pingo de misericórdia no coração, só a aparência dela.

Por isso, eu torço para que um dia o Chefe remova toda essa turma de onde estão.

Lee

Na Sessão Revival, o Stryper, com seu som "diferente":

http://www.youtube.com/watch?v=T59C5s99q48