segunda-feira, 29 de março de 2010

Mestre Armando se foi


Tomando meu pingado com pão na padaria, estava passando Ana Maria Braga (ninguém merece), e tentava apressar o mesmo:

Estava numa parte em que ela e convidados discutiam a eliminação do dia anterior do Big brother (ninguém merece 2).

Mas aí ela entrou com a notícia da morte do Armando Nogueira, e pude então voltar a tomar meu pingado em ritmo normal.

Armando Nogueira morreu hoje pela manhã, ás sete horas, em casa, aos 83 anos.

Tinha câncer no cérebro, que o afastou das crônicas há dois anos, e de seu programa na Sportv, Papo com Armando.

É o fim de uma era de grandes jornalistas brasileiros...

Restaram poucos da velha guarda, já que o Paulo Francis e o também jornalista esportivo João Saldanha, se foram há muito tempo.

Armando foi um dos criadores do Jornal Nacional, foi ele que idealizou o formato do mais famoso jornal televisivo do Brasil.

Foi um dos primeiros a pegar a moçada das faculdades, e levá-los para a redação de um telejornal, dando oportunidade pra muita gente.

Armando, botafoguense roxo, era acima de tudo um gentleman:

Mesmo quando bateu de frente com o chefe, Roberto Marinho...

Na eleição de 1989, quando a Globo nítidamente deu preferência a Collor contra Lula, ele entrou na sala do chefe, disse tudo o que tinha para dizer, na maior lisura, e que a partir daquele absurdo estaria se afastando do jornalismo convencional.

Qualquer pessoa no mundo, o chefe demitiria na hora, mas Armando teve seus salário depositado todos os meses, pelo chefe, mesmo não mais “envolvido”.

Três anos depois, Collor sofria impeachment pelo congresso, sendo deposto.

Caso como esses, mostram como Armando já enxergava as coisas muito antes...

Foi um dos comentaristas de futebol mais sensatos que já ouvi na vida...

Armando foi um mestre na vida – mestre “sem canudo”, o mestre natural, como é o verdadeiro mestre.

Ele comentava de futebol nos programas daTV sem ares de academicismo:

Falava como se estivesse na padaria tomando um café, com você ao lado dele...

Até uma criança que gostasse de futebol, o entendia.

Velho com espírito jovem, com 70 anos ainda pilotava ultraleves, que só foi aprender depois dos 60...

Era o avô que todos nós gostaríamos de ter tido, pois além de tudo, era bem humorado, e muito humilde, pois mesmo com tamanha importância para o jornalismo nacional, não tem a empáfia, a máscara,que muitos globais carregam (né Sr. Bonner?)

Publicou 10 livros, todos de crônicas esportivas.

Armando se foi, é uma pena:

Agora só nos resta aturar os Netos, Edmundos e Dr. Osmares da vida, comentando...

Putz...ninguém merece (3).

Rest In Peace, Mestre.


Lee

Obs: Os acontecimentos estão me tirando do meu recesso...devo escrever sobre o atentado do metrô de Moscou (também hoje de manhã) logo mais á noite.