quinta-feira, 18 de março de 2010

Reflexões sobre a Ceia


Depois pegou o pão e deu graças a Deus. Em seguida, partiu o pão e o deu aos apóstolos, dizendo: Isto é o meu corpo que é entregue em favor de vocês.

Façam isto em memória de mim.” (Lucas 22.19).

Nossa ceia é muito diferente daquela praticada anteriormente nos tempos em que Jesus a instituiu.

Precisamos ter em mente que aqueles quadros que a gente vê sobre a ceia, são artísticos:

Não haviam mesas naquela época, todos se sentavam ao chão, pra comer, ou mesmo se deitavam;

Não haviam talheres, e todos comiam com a mão, naquela região:

O “talher” da época, só havia na então desconhecida China, os washi- bari (aqueles pauzinhos, que no Japão é chamado de hashi, e na Coréia, hangul):

Eles já existiam por lá na dinastia Chang (1766 a 1122 A.C), mas era desconhecido naquelas bandas do oriente médio, por aquela época.

Alías, quando peço comida do China in Box, só como com os pauzinhos.

Então, o pão era rasgado para a partilha (eram semelhantes as broas de hoje).

E era o chamado pão asmo, ou ázimo, sem fermento – simbolizando assim o “estar sem pecado”- feito somente com farinho de trigo e água, usado até hoje na páscoa judaica.

Assim era na cultura da época...e ainda bem que não precisamos imitá-la:

Em tempos de gripe suína, nosso pãozinho que vem no prato é mais prático, da ceia que se faz nas igrejas protestantes.

Já o vinho era servido numa vasilha, que era compartilhada, mas já existiam copos:

O compartilhar do mesmo vasilhame, denotava o compartilhar, a comunhão, a integração, dos presentes.

Hoje, em termos de saúde pública coletiva, é desaconselhável, sendo a melhor forma os pequenos cálices servidos, individualmente.

E detalhe- era servido vinho mesmo, com conteúdo alcóolico - e não o nosso refresquinho de uva de hoje, que varia entre o adocicado e o sem graça.

Alías, Jesus bebia vinho, e seu primeiro milagre foi justamente transformar água em vinho, numa festa.

Portanto, nessa questão de bebida, só um lembrete:

Quem gosta de beber, que beba na frente dos outros, como Jesus fazia, e não escondido, ou com medo de quem da igreja possa “passar e ver”.

Um certo pastor foi num bar afastado da cidade, pra beber cerveja com sua mulher, e “deu o azar de ser visto”: Foi um “choque” pra quem viu, ainda mais que ele é legalista.

Eu moro perto do Alzirão, rua famosa durante as copas do mundo, aqui no Rio, pela transmissão e festa após os jogos,e na última conquista do Brasil, saí para ir até lá pra ver a festa nas ruas...
Eis que vejo um antigo professor do seminário, sisudão, legalista, feliz da vida com sua latinha de skol na mão, desfilando com sua mulher no meio do povo, no meio da muvuca..

Precisava se esconder?

O ensinamento bíblico é de não se embriagar, e Paulo oferece algo melhor, que é se embriagar com o espírito...

Seria tão simples de mostrar e dizer essas coisas, do que ficar na velha mania de dizer o que “pode e não pode”- e de ver todo mundo praticando o “não pode” (segundo igrejas, e não o evangelho).

Bem, existem 3 tipos de doutrina sobre a ceia:

Transubstanciação (católicos) – pão e vinho tornam-se literalmente e milagrosamente no corpo e sangue de Cristo, na hora;

Consubstanciação (luteranos e episcopais) – Jesus se faz presente, de maneira substancial, no pão e vinho;

Memorial – Cremos que o pão e o vinho são representações do corpo e do sangue de Cristo.

Afinal, o Senhor se faz presente em todo momento que nos reunimos em Seu nome (Mt 18.20).
Com o passar do tempo, a simplicidade da ceia foi mudando, e hoje está muito diferente.

Na forma de se pensar sobre ela:

Tem gente que acha que se não tomar a ceia, vai ter algum problema no mês;

Tem gente que acha que se não tomou a ceia, está em pecado;

Tem gente que acha que a ceia dá alguma “proteção espiritual”.

Por isso, muitos Assembleianos entregam a ceia aos enfermos, em suas casas, pois vários deles pensam dessa forma...

Não vejo nenhum mal nisso, desde que seja entendido apenas como uma “comunhão estendida”, que é na verdade a ceia, uma comunhão entre os participantes.

Na minha igreja de origem, o dia mais cheio era o da ceia, que era somente uma vez ao mês:
As pessoas pensavam que poderiam faltar a qualquer culto, menos naquele...

Eu nunca vi o pastor comentar sobre isso, acho que ele gostava de ver a igreja cheia pelo menos naquele dia.

Jesus determinou que realizássemos a ceia até que Ele voltasse.

Mas nunca determinou o intervalo de realização dela (se semanal, mensal, etc):

Na minha atual igreja, tem duas ceias por mês, o que acho legal, pois muita gente atualmente trabalha no domingo, e nem sempre participa.

Outra confusão que se faz é sobre quem pode tomar a ceia...

As pessoas confundem muito esse texto, e já vi gente que não tomou a ceia por se achar “indigno”:

Por isso aquele que comer do pão do Senhor ou beber do seu cálice de modo que ofenda a honra do Senhor estará pecando contra o corpo e o sangue do Senhor.
Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e beba do cálice
. “
(I Cor 11.27 e 28)

Tomar a ceia “em pecado”, é tomá-la segundo nosso senso de moral e justiça própia, é tomar a ceia com ar de superioridade, com arrogância.

Ninguém que tome a ceia com um coração quebrantado, arrependido, ligado no amor de Cristo, naquele momento, está “em pecado”.

Ninguém que tome ceia consciente da graça divina, está em pecado:

Afinal, o eu-charis, a eucaristia, significa ação de graças .

Esse é o papel da ceia – Elevar gratidão a Deus por Cristo.

E não ficar “se sentindo mal”, por culpas e pecados...

Jesus não instituiu ceia pra ninguém ficar “se sentindo mal”, lembre-se disso.

Tem muito sacerdote que é indiferente com aquele momento, mecânico, apenas um ritualista, que tá de saco cheio de fazer aquilo todo mês ( já que faz parte do pacote do seu ganha pão, e tem que “aturar”) que parece um robô servindo ceia para os outros.

Esses sim, pecam toda vez que entregam a ceia nesse espírito, ofendendo a honra do Senhor...basta olhar, é perceptível, e espero que você não tenha um desses te servindo.

Não existe roupa certa para entregar e receber ceia

Vejo pastores colocando toga sacerdotal pra ceia...

Vejo homens evitando ir de bermuda (na minha igreja, pode á vontade), e mulheres, se vestindo mais “recatadamente” nesse dia, fora os de costume...

Não vi Jesus colocando nenhuma roupa especial nesse dia – e o faria, se assim fosse, afinal no velho testamento, os sacerdotes tinham que ter roupas especiais.

Mas estamos na nova aliança, onde as coisas são diferentes...o formalismo, inclusive.

Nenhum discípulo botou terno e gravata pra ir a ceia nesse dia...

E terno, gravata, tailler, nunca foi roupa santa em lugar nenhum- Nem faz ninguém santo.

A ceia nunca foi rito que sucede o batismo

Não li versículo nenhum que fale sobre isso...é mais uma obra da igreja-instituição.

Espera-se que as pessoas se batizem primeiro, para tomar ceia depois:

Tem gente que fica até um ano em alguma classe de novos, e fica vendo os outros participando da ceia, e ele não...coisa de homens, e não do evangelho.

Ceia nunca sucedeu batismo...ceia é o rito de quem creu :


Assim, quem creu, quem teve seu coração preenchido pela fé em Jesus, deveria poder tomar, mesmo sem ainda ser batizado.


Quem determinou essa sequência (batismo, e só a seguir, ceia) foi a religião, e não o evangelho.


E ela faz isso meramente como “controle de gestão de sacramentos”, inclusive com quem pode ministrar a ceia:


Somente “ministros ordenados”.


Me lembro de uma reunião na convenção batista brasileira, anos atrás, que uma missionária lá da região norte, falava do desespero em esperar meses- isso mesmo, meses – até que fosse um pastor para servir a ceia, e realizar batismos.


As pessoas esperavam 4, 6 meses, para tomar uma ceia, e se batizarem.


A discussão a seguir então, foi para “autorização” de missionárias (mulheres) servirem ceia, e poderem batizar...


Assim funcionam as convenções humanas, as igrejas-instituição.


A ceia pode ser tomada e ministrada por qualquer um do corpo de Cristo.


Essa história de que só pastor ordenado pode realizar algum ritual, seja ceia, batismo, casamento, é resquício da igreja romana, que a reforma protestante ainda não aboliu.


Alías, fortaleceu, conforme visto acima...

Na nova aliança, somos todos um reino de sacerdotes.


Dizer que só “ordenados” por igreja que podem fazer batismo ou ceia, ainda por cima, é fazer acepção de pessoas, conforme diz Tiago.


A ceia deve ser tomada e ministrada por qualquer discípulo, inclusive as crianças, que levam tapas em suas mãozinhas, ao longo dos anos, e são forçadas a se batizarem cedo demais;

Ela deveria ser servida nos cultos nos lares, pelos líderes destes;


A ceia deve ser aberta a qualquer discípulo de Jesus, seja ele de que igreja for, e não somente ceia para os de nossa igreja ou denominação.


Os diáconos jamais deveriam perguntar se alguém é ou não batizado...


Por me “julgarem fora do padrão de igreja”, um diácono passou certa vez os dois elementos por mim, quando eu os fui pegar:


Achou que, por usar brinco e estar de cabelo preso, eu era um “indigno”...rsss!


Quase derrubei ele com todos os cálices!


Alías, diáconos refletem muito a atitude de seus pastores:


Os pastores que fazem da ceia um memorial inspirado, geralmente tem diáconos e diaconisas também inspirados, na hora de servirem a ceia, ajudando a congregação a também se inspirar.


Os que são meramente formais, robôs, mecanizados, enfadonhos, sem nenhuma graça (cháris), geralmente também passam essa atitude para seus diáconos:


Vários deles viram apenas garçons de ceia.

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