sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Páscoa do coelho e a Páscoa do Cordeiro


Ontem, na maior rádio gospel do Brasil, todos se assustaram com a resposta de uma pesquisa:

Um total de 90% dos ouvintes (tudo de igreja) não sabiam o significado da Páscoa.

Sinceramente, não me surpreendi nem um pouco...apenas confirma aquilo que sempre digo por aqui:

O ensino bíblico sadio é uma raridade hoje nas igrejas.

Elas trocaram o ensino pela pedição de dinheiro, pelo conformismo de pensamento secular, e sobretudo, pelo louvorzão vazio que ocupa hoje a maior parte dos cultos.

Ninguém em igrejas assim sabe o que é Páscoa...nem vai saber.

Para muitos, nada mais é do que um feriado “santo”, onde se passam filminhos batidos religiosos na TV, um mais velho do que o outro- e mais chato do que o outro...

Para outros, é um feriadão mais prolongado, pra sair com a família...

Mas a grande maioria (afinal, são 90%), tem apenas a ideía da Páscoa secular:

A Páscoa do coelho.

Antes de começar a escrever as linhas abaixo, quero deixar bem claro que nada tenho contra ovos de Páscoa:

Primeiro, por que os como, ainda que não tenha nenhuma neurose para comprá-los;

Esse ano mesmo, não comprei meu ovo da Crunch (meu chocolate favorito), como fiz no ano passado, eu simplesmente não tive saco pra entrar em fila, que tava enorme...

Segundo, porque quando criança, na Alemanha, ajudei a pintar vários ovos (ovo mesmo) na escola, de maneira artesanal, como atividade de classe de artes:

Na Europa,, como nos States, é comum desenhar em ovos, e usá-los como enfeites em casa, tipo as guirlandas do Natal, ou mesmo presenteá-los.

Esse febre de ovo de chocolate, essa comilança do mesmo, durante esse perído da Páscoa, só vi por aqui quando voltei...é puramente comercial.

Eu comia Kinderovo de chocolate o ano inteiro, sem nenhuma relação com a Páscoa, para colecionar os carrinhos que vinham dentro, muitos anos antes de chegarem aqui ao Brasil.

Eu disse que na classe pintava artesanalmente os ovos...vamos as origens disso.

Em alemão, Páscoa é Ostern, e em inglês, Easter.

Os povos nórdicos, comemoravam o festival de Eostre...Eostre, ou Ostera no alemão mais antigo, era deusa da fertilidade ou renascimento, uma deusa anglo-saxônica.

Na primavera, lebres e ovos eram pintados, em associação a ela...

Até hoje, em várias partes do mundo ainda pintam ovos cozidos (a Polônia e a Ucrânia são as mais artísticas, nesse sentido) embroa em outros países, como o Brasil, os tenham substituídos pelo chocolate.

Ah, e era uma lebre, que parece, mas não é um coelho...o coelho é maior...apenas outra troca pensando no comércio...

“Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim”, também é uma versão comercialmente mais adequada da rima original, que era:

“Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte pra mim”?

Ou seja, a Páscoa de ovo, não é citada na Bíblia, esse costume não vem de lá...

É uma tradição humana, assim como o não comer carne na semana santa, dos católicos...
Especialmente na sexta-feira, onde o o corpo de Jesus foi castigado, seu sangue derramado (segundo o catolicismo, seria pra “respeitar” a morte de Jesus), comendo só peixe nesse dia (peixe é o símbolo do Cristianismo)...

E fazendo a festa das peixarias dos supermercados (especialmente do bacalhau, que sai muito nessa época, e no Natal):

Novamente o tino comercial em ação...

Tudo tradição de homens, e de igrejas, sem absolutamente nenhuma orientação Bíblica, e sem respaldo, sem “ganho espiritual “ nenhum, para quem se abstêm...

Ele não pediu nada disso...já a ceia, como vimos antes, Ele pediu.

A Páscoa bíblica, no Velho Testamento, era para comemorar a saída do Egito, onde foram escravos...

E como tudo que é do Velho Testamento, não era perfeita:

Todos eram obrigados a participar, e quem não “guardasse a Páscoa”, a não ser por motivo justo (todos citados nas regrinhas deles) podia ser condenado a morte (Números 9.13).

Na nossa Páscoa, a Páscoa do Novo Testamento, a Páscoa do evangelho, é diferente:

Na Páscoa do Cordeiro, nós comemoramos a Ressureição de Cristo...

Na Páscoa do coelho, é preciso pintar ou comer ovo, comer só peixe (eu tava ferrado, não como nada do mar)...

Na Páscoa do Cordeiro, eu não preciso me privar de nada...eu não sou obrigado a fazer nada, como nos tempos antigos...nem nada por tradições...

Na Páscoa do coelho, existem procissões, com muita gente ao redor do mundo carregando cruz, literalmente... levando chibatadas, e mesmo sendo crucificadas , como nas Filipinas.

Na Páscoa do Cordeiro, não há sacrifício humano que eu possa fazer, para cobrir o que Ele fez – e conscientemente, por mim...

Na Páscoa da graça, nos lembramos do sacrifício do Cordeiro de Deus – e não do coelho da Páscoa de ovo...

Na Páscoa de ovo, vamos as lojas hoje e não encontramos mais o coelho e seus ovos de chocolate, só os amassados, e os de gosto ruim...

Na Páscoa da graça, vamos a tumba e também não encontramos mais o Cordeiro:

Ele morreu por nossos pecados, mas ressuscitou pra nos dar vida...

Já está no andar de cima.


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