domingo, 11 de abril de 2010

Um Jesus Anti- Marketing


Certa vez Jesus estava numa cidade onde havia um homem que tinha o corpo todo coberto de lepra.

Quando viu Jesus, o leproso se ajoelhou diante dele, encostou o rosto no chão e pediu:

Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser!

Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: Sim! Eu quero. Você está curado. No mesmo instante a lepra desapareceu.

Então Jesus lhe deu esta ordem:

Escute! Não conte isso para ninguém, mas vá pedir ao sacerdote que examine você.

Depois, a fim de provar para todos que você está curado, vá oferecer o sacrifício que Moisés ordenou.

Mas as notícias a respeito de Jesus se espalhavam ainda mais, e muita gente vinha para ouvi-lo e para ser curada das suas doenças.

Porém Jesus ia para lugares desertos e orava.” (Lucas 5. 12 a 16)

As pessoas ligadas ao universo cristão de hoje em dia, tratam Jesus igualzinho ao que está na foto acima:

Como se Ele adorasse publicidade...como se procurasse semprer estar em propaganda...

Como se quisesse sempre estar em evidência...como se fosse um Marketeiro.

Infelizmente, o errado se tornou uma prática, que de tão massiva, parece que é a correta:

Banners, camisas, adesivos, e tudo o que se relaciona com o nome Dele, é anunciado, estampado, negociado, numa das propagandas com nome de uma só pessoa com a maior divulgação e exploração que se tem na história.

Confundiram o Ide e pregai o evangelho a todos, trocando- o por um “Ide e fazei propaganda de mim”.

E vários, por um “Ide e lucrai com o meu nome”.

Assim, no primeiro caso, em vez de pregar o evangelho, que é acima de tudo vivência (ora, se é “boa nova”, tem que ter algo bom, em primeiro lugar, para o próprio pregador) faz-se propaganda.

E com a propaganda, Jesus se dilui...

Na propaganda, Jesus se torna mais um caminho, e não O caminho...

Pois na propaganda que se faz nos programas de TV, que custam caro, o objetivo não é pregar o evangelho pura e simplesmente:

É fazer propaganda da própria igreja, da qual Jesus é um mero “garoto-propaganda”.

Você nunca vai encontrar alguém dizendo “procure uma igreja próxima de você”, ao final do programa, e sim:

Procure a nossa igreja, ou “filial” dela.

Você talvez ache isso comum, ou normal - eu disse que o errado, de tão divulgado, toma o caráter de correto – mas não é assim com Jesus...e nem com o evangelho.

É assim entre os homens...quem banca, quer retorno – assim é a propaganda.

Jesus foi completamente anti-marketing em suas ações...

No texto acima, Ele curou um leproso, e contra tudo o que a gente vê na tv de hoje, pediu sigilo:

Não fez da cura, um espetáculo.

Pediu que se seguisse a regra de então, se apresentar ao sacerdote, conforme a lei de Moisés.
Hoje, nos “shows da fé” da TV (e é isso que é, apenas show, de todas as denominações), faz-se da cura um espetáculo, tem entrevistas com demônios, antes de expulsá-los...é um circo gospel.

Ora, o que é natural, acontece:

Mesmo Jesus tentando ser discreto, vinham para ouví-lo, e para serem curados.

Numa igreja “natural”, com evangelho sadio, tudo acontece naturalmente:

As pessoas se achegam a esta, seja “in loco” ou via internet, sem propaganda.

Simplesmente, ficam sabendo de maneira natural, Deus faz com que se acheguem até aquilo que Ele considera natural, e aonde Ele está.

Jesus ia para lugares desertos...queria e precisava ficar só, se abastecer, meditar e orar.

Pois só quem faz isso, e prega o evangelho, é que consegue transmitir algo para as pessoas...
Hoje, uma leva de pregadores vive na mídia, vivem de congresso em congresso...

Algum tempo atrás, um pregador que tinha muita evidência entre os jovens- os jovens adoram gente em evidência , inclusive pregadores, mesmo que sejam vazios – disse,orgulhoso:

Já preguei em 52 congressos esse ano”...era um mês de outubro, e ele disse isso ao receber um novo convite, de um teen de uma igreja aqui perto.

Em fevereiro desse ano, esse pregador carioca foi convidado a se retirar de sua própria igreja, por tentar trazer a maluquice do G12 para a mesma...

Uma forma de tentar compensar a diluição de suas mensagens, pois sua audiência dominical caíra drásticamente, ao mesmo tempo em que era um “orador requisitado”.

Quase sempre repetia a mesma mensagem batida em locais diferentes, mas em sua própria igreja, não dá pra fazer isso todo domingo.

Jesus era requisitado de maneira drástica – no texto, o leproso se ajoelhou diante Dele, e encostou o rosto no chão;

Hoje, os astros da evidência gospel, pastores e cantores, são bajulados, idolatrados, comprados por polpudos cachês para se apresentarem.

O leproso queria a cura para sua lepra (hoje chamada Hanseníase);

A igreja moderna, fica mais leprosa a cada prática bajulatória com os pastores e cantores da moda.

Ser assediado não é problema:

Jesus era, sabia disso, dava atenção, ficava sem comer, segurava crianças, perdia horas atendendo o povo, ensinando, curando , expulsando demônios.

Ele sabia que muita gente ia vê-lo, ás vezes, só por curiosidade.

Creio mesmo que se fosse hoje, não se importaria com fotos ou autógrafos:

Na época não tinha isso, mas todos ficavam em cima, e ele parou só para atender as crianças, certa vez, mesmo com seus discípulos tentando impedí-las.

Mas Ele estava absolutamente convicto de sua missão:

Não se vendeu por dinheiro;

Não quis ser libertador político (Roma dominava o mundo);

Não se dobrou a religião distorcida, farisaica, da época, condenando-a.

Ele sabia que para o sucesso dessa missão, precisava estar em contato com o Pai:

E mesmo sendo um “evidente”, saía pra locais desertos, muitas vezes bem cedo, com os seus discípulos dormindo, para se abastecer espiritualmente.

Só se abastece alguém- seja na igreja, seja na tv- quem é abastecido por Deus.

Só se abastece alguém, quem é cheio do evangelho no coração.

O resto, é se utilizar do nome Dele pra fazer propaganda.

Lee