sexta-feira, 28 de maio de 2010

Adeus, Chubby (1999 – 2010)

Onze anos lado a lado
Nunca vou te esquecer, bichinho.

(Haverá algumas pausas no texto...é quando parei pra chorar)

Oi Chubby,

Eu só queria te dizer o quanto agradeço por você ter feito parte da minha vida (pausa.)

Nunca poderia imaginar que um bichinho como você pudesse me tornar mais humano...

Ganhar você, foi um presente de Deus.

Você foi meu primeiro cãozinho, que sempre quis ter desde criança, mas aconteceu de eu só poder ter em idade adulta.

Me lembro até hoje, no meio de 10 alegres Yorkshires seus irmãos, que vinham e falavam comigo, que você foi o único diferente...

Eu tinha que escolher um dos meninos...e você foi o único que parou na minha frente, e não seguiu caminho como os outros:

Simplesmente continuou parado...sentou e ficou me olhando.

Naquele momento, te puxei pro colo, e aquele seu olhar sereno me chamou a atenção...

Eu não sabia, mas na verdade era você que estava me escolhendo, com seu gesto (pausa).

Nesses onze anos juntos, você me viu passar de uma pessoa agitada, estressada, até se tornar uma pessoa mais tranquila...e como você me ajudou nisso...

Nunca poderia imaginar todo o ritual antes de sair de casa que envolvia cuidar de você, fosse ajudar nessa transformação:

Limpar seus olhinhos com algodão todos os dias...

Passear nos cantinhos que você se acostumara...

Verificar se você estava com pulga ou os malditos carrapatos, que acabaram fazendo você adoecer :

A rua está infestada desses malditos, por todo lugar.

Você era amado não só por mim...as crianças do prédio faziam fila para te levar pela coleira, até a saída da garagem...

E depois na entrada do prédio, até o nosso bloco...dava briga, lembra?

Alías, sua coleira...está pendurada no mesmo lugar...passei minutos fitando-a ainda há pouco, vendo com que agora não tinha com quem passear...

Ela tinha quase a sua idade (pausa)...e me trouxe tantas lembranças...

Acabei de pedir o China in Box, Chubby....

Jantar pela primeira vez sem você ao meu lado, quase me tira a fome...

Instintivamente, olhava pra baixo, onde você, sempre educadinho, esperava que eu oferecesse, jamais avançando...

Comia o Carne com legumes do China,onde eu te dava mais os legumes...o frango assado que você adorava...e suas frutas favoritas, maçã e tangerina.

Ração era muito ruim, né? Mas eu sempre dava uma melhorada.

Lembro dos momentos difíceis quando ainda era casado, e você ao meu lado...

De quando eu falava “I love you, Chubby”, fazendo você mexer seu cotoco de rabo, e gerando ciúme na ex, que não ouvia isso...era espontâneo.

Eu não sentia o mesmo por ela, naquilo que foi a maior precipitação de minha vida.

E de quando, de pinimba, ela tentou ficar á força com você, só para me atingir...

Lembra quando ela trancou a porta, quebrando o acordo de que eu pegaria você para passear pela manhã?

Você sentiu meu cheiro, e eu nem sabia que tinha mudado a chave...

Começou a arranhar a porta, gemendo querendo falar comigo...
Me sentei ao lado da porta, naquele dia, no chão....você chorava de um lado, eu chorava do outro.

Eu nem poderia imaginar que seis semanas depois estaríamos juntos em definitivo:

Você foi doido, Chubby...

Plantar atrás da porta me esperando todas as noites, foi uma coisa;

Se enroscar na única camisa que esqueci por lá – e não sei como você descobriu – todos os dias, sentindo o meu cheiro ,também foi outra;

Mas fazer greve de fome, bichinho...quase uma semana só bebendo água, você é louco?
Eu não mereço isso (pausa). Não bichinho...não por mim....(pausa).

Eu tentei arrumar uma namorada pra você, mas nunca havia nenhuma do seu tamanho.

Parece que até nisso éramos parecidos:

Não demos “sorte” no amor...

Eu tinha esperança de te apresentar uma, que fosse gostar de você....

Também não deu tempo, Chubby...sorry...mas vou ficar bem...espero.

Senti sua falta quando cheguei em casa:

Sempre procurei chegar no máximo, ás nove da noite, pra você não ficar ansioso me esperando..
.
Sentirei sua falta na sala, vendo tv...com você no seu cantinho ao lado do sofá, em cima do seu travesseiro...me senti tão só lá hoje...desliguei e vim pra cá.

Alías, aqui no computador, onde você ficava ao meu lado, e ás vezes embaixo da mesa....
Onde ás vezes tinha de fazer uma pausa, quando você vinha, colocava as patinhas em mim, pedindo carinho...claro que eu parava de teclar o texto...
Vou sentir sua falta, quando você pulava o cercadinho, pra vir me acordar de manhã...

Esticava as patinhas em cima da cama, ou deitava a cabeça em cima do colchão do outro quarto (onde costumo estudar, meditar, etc), dependendo de onde eu pegava no sono...

Sentirei saudade de cantar suas musiquinhas...e de brincarmos de esconde – esconde:

Mesmo com seu olfato, te venci algumas vezes, num vem não!
Tirei minha camisa ainda agora...hoje, minha camisa que ficou com seu cheiro, ao te carregar ao lado do corpo..e como foi difícil jogar minha camisa no cesto, fiquei o máximo de tempo possível com ela, pra sentir , dessa vez, o seu cheiro ao meu lado.

I love you, Chubby (pausa)...tô muito triste hoje...

Mas sei que a essas alturas, você já está correndo no céu, ao contrário de uma manézada de igreja que acham que vocês , criaturas Dele, não sobem...

E quando chegar o dia de nos reencontrarmos, dessa vez numa comunicação mais perfeita, vamos agradecer ao Chefe juntos por um dia termos ficado lado a lado aqui na terra.

(Pausa.)...obrigado por ter tido o prazer de cuidar de você por onze anos....

Você foi muito especial pra mim...nunca esquecerei meu primeiro cãozinho (pausa).

Vai algum tempo até ter outro.

Lee
Bônus: A Passagem de Chubby

Consegui sair mais cedo do trabalho, e dei entrada na clínica perto de casa ás 14.30h, com Chubby.

Meu bichinho se foi ás 15.40h, não resistindo a doença do carrapato.

Fiquei ao lado dele até ás 15 horas, ele consciente, mas já de cúbito, com o coraçãozinho já com batimentos fracos...A médica veterinária foi franca, já me alertando do pior.

Mas eu já sabia:

Quando der, conto o sonho que tive uns sete dias antes de Chubby piorar e partir:

Era o Chefe me preparando para a partida dele.

E também conto a experiência que o Coronel teve na hora do óbito dele.

Fui no banheiro da clínica e chorei, mas disse ao Chefe que se era para ele ter complicações (corria esse risco, mesmo se conseguisse reverter o quadro, teria que fazer transfusão, etc), que o levasse sem sofrer.

Como resposta, Ele me mandou ir pra casa...obedeci.

Só depois entendi que, enquanto ali estivesse ao lado de Chubby, ele me vendo, e ouvindo minha voz (fazendo carinho na cabeça dele), meu bichinho iria resistir ao máximo que pudesse.

Até nessa hora, ele queria me agradar...(pausa)

Saí, e 40 minutos depois, Chubby foi na paz.

A cena foi muito parecida com a do filme abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=rKjtnKNT5jo