domingo, 30 de maio de 2010

Lidando com nossas Perdas

Pedra do Arpoador, RJ

" E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra.

Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.

E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança estava morta, porque diziam:
Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança está morta? Porque mais lhe afligiria.

Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Está morta.

Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de roupas, e entrou na casa do SENHOR, e adorou. Então foi à sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu.

E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão.

E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança?

Porém, agora que está morta, porque jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.

Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou a ela, e se deitou com ela, e ela deu à luz um filho, e deu-lhe o nome de Salomão; e o SENHOR o amou. " (2 Samuel 12.16 a 24)

Nesse texto, vemos que o estado emocional de Davi foi muito mais intenso no processo em que seu filho se encontrava enfermo.

Ele tinha esperança de que Deus pudesse curá-lo, se consagrou espiritualmente, mas esse não era o desejo do Senhor.

O Senhor se compadeceu dele, no caso, com o segundo filho com Bate-Seba, que foi Salomão, seu sucessor como Rei...assim quis o Senhor.

Pode haver um processo de dor mais intenso do que perder um filho?

Tive uma irmã que não conheci, portadora de necessidades especiais ( um açougueiro, na hora de tirá-la, apertou demais a cabecinha, pois na época forçou um parto natural, puxando-a com uma espécie de pinça gigante).

Não podia andar, falar, nem conseguia se alimentar sozinha.

Adorava ver televisão, e ria muito na hora dos desenhos animados...

Adorava ver e ouvir Jorge Ben Jor, na época apenas Jorge Ben ( o Jor só foi adicionado em 89).

Ouvia e entendia tudo, só não podia se expressar...
Um dia, minha mãe foi levar a janta dela na cama...(pausa)

Aos sete aninhos, Roseli tinha partido para estar ao lado do Senhor.

Pergunta pra minha mãe se ela não queria estar tendo trabalho de cuidar dela até hoje?

Mas a história desse episódio com Davi nos ensina aqui uma grande lição no momento de perda:

A dor é inevitável, seja em caso de enfermidades, de acidentes, ou mesmo de morte por velhice...quem não sente saudades mesmo de uma vovó, que se vai bem tarde?

Mas essas coisas, fazem parte da vida- por isso, fico indignado com esses pilantras que tentam iludir o povo, dizendo que não existe sofrimento para Cristãos:

Essa ilusão, aumenta ainda mais a dor, além de ser totalmente infundada e distorcida, por quem busca “não sentir dor”, e se sente culpado.

Crente, em geral, tem muito problema com relação á sofrimento, por não compreender essas coisas:

Uma das maiores dificuldades da igreja hoje, é entender o sofrimento da vida, por causa de ensinos distorcivos.

Todo mundo na terra – incluindo quem é Dele, por confissão – cai, se machuca, pega doença, inclusive incuráveis, se acidenta, morre de acidente, tem que viver tomando remédio....

Assim é a vida....por que tanta dificuldade em entender e aceitar isso?

Mas Davi, assim que seu filho se foi, tomou um banho, trocou de roupa, e adorou ao Senhor.

Não ficou culpando ao Chefe...se lamuriando...simplesmente tocou a vida, e mais tarde, teve outro filho com a agora mulher, antes caso, Bate-Seba.

Sempre sentiremos a dor da perda, mas é necessário voltar ao cotidiano- ou mudá-lo, se esse for o caso.

Quando perdi meu pai aos 15 anos, de forma brutal em acidente de navio, na terça eu estava no enterro dele, e na quarta-feira, dia seguinte, me forçei para ir ao cinema.
Pois isso é uma coisa que eu gosto, e o elo da dor com o elo do prazer, se misturaram ali dentro...era uma espécie de “remédio emocional”, que intuitivamente procurei.

No domingo de manhã, estava na grei, cantando no coral (pois havia ensaiado na semana anterior), de frente para todos que me olhavam como "centro das atenções"...

E na segunda, estava na aula, com um gibi do Hulk dentro do caderno, para as aulas chatas...rsss...

O problema de eu ter me emocionado muito com Chubby, deve-se ao fator, comentado no post anterior, que o bichinho me tornou mais humano...

Cometário realçado por minha irmã feito ontem.

Eu curo meus cansaços emocionais, tentativas de depressões, e renovo minhas baterias espirituais após combates, na praia, em contato com a natureza do Chefe.

Ontem fomos eu e ela, até a pedra do Arpoador, ver, sentir, respirar cheiro de mar, ver o mar.

Com a cara ainda inchada do dia anterior, foi difícil acordar no sábado, e ver que não tinha mais meu bichinho me esperando para passear...

E ver que ele não estava em seu cantinho, e em nenhum outro...

Quando vi os donos passeando com seu cães, me senti sozinho, e passando ainda pelas árvores que Chubby gostava de ir, foi difícil...

Ainda mais passando na clínica, para encaminhar o corpinho dele, que passara á noite na geladeira especial, para cremação, ainda que eu não o tenha visto.

Mas me lembrei de quando ainda fiz carinho na sua cabecinha, ele já morto, os olhos sem vida, e a linguinha sempre de fora....

Já lá em cima da pedra do Arpoador, minha irmã falou:

- Você era incrivelmente frio, até assustava...como ele te mudou.

Na verdade, eu nem chorei no enterro do meu pai, de tão frio que era...realmente, algo havia mudado, em mim.

Do alto da pedra vejo um Labrador, na pedra lá embaixo, pulando no mar, para buscar uma bolinha de borracha que seus donos jogavam...

Ele mergulhava no mar, escalava a pedra, e devolvia...descansava um pouco, e insistia para que o dono jogasse novamente ao mar, para que ele mergulhasse novamente.

Como não gostar de bichos assim?

Um barquinho passa á nossa frente (foto acima), e minha irmã se diz curiosa em andar num deles...

Uma pequena lancha passa depois, e eu perfiro pilotar é uma dessas...que nada, sou retrô.

Descemos e caminhamos de Ipanema até o Othon, em Copa...

E ali no calçadão vejo um York incrivelmente semelhante ao Chubby:

Sem coleira, olhava pro dono, andando na frente,como a pedir para que andasse logo...

E acelerava, todo feliz da vida, com seu passeio.

- É assim que Chubby deve estar, todo feliz, passeando lá por cima, disse a minha irmã.

- Com certeza, então é mais um motivo para não ficar triste, respondeu ela.

Dessa vez, as lágrimas voltaram novamente, mas foi com um sorriso de alegria...

Não foi á toa que o Chefe me fez ver aquele York ali naquela hora.

Lee, pensando em breve adquirir outro amiguinho, para cuidar...

Amanhã, posto o flashdream que tive uma semana antes de Chubby partir, mas que nem acabei levando muito em consideração...

E não interpretando corretamente, só até o dia depois do acontecimento.