sábado, 22 de maio de 2010

Te Pego lá Fora – a Evolução do Bullying


Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo.

É mais comumente relacionado as escolas de ensino, mas ocorre direto em academias militares, e até mesmo em igrejas, pelo que vi ao longo do vida.

Hoje, tornou-se extremamente perigoso, ao ponto de lá fora, nos EUA, terem colocados na maioria das escolas públicas, detector de metal na entrada da escola:

As pendências” bullymicas” já estavam sendo resolvidas a bala.

Ainda lá por cima, o inspetor de alunos ganhou status de segurança, com algemas e tudo.

Por aqui, tradicionais escolas de Belo Horizonte só não instalaram câmeras no banheiro:

Nas salas, de frente aos armários dos alunos, no pátio, é tudo Big Brother, e quem passa mais de 20 minutos no banheiro, entra um inspetor/a para conferir o que está havendo.

Ainda por aqui, uma escola não deixa mais os alunos saírem na hora do intervalo:

Trazem a merenda para dentro da sala de aula, e eles só saem para ir ao banheiro.

Quem é apanhado em bullying, para não ir a justiça, as escolas pedem autorização dos pais para uma correção alternativa:

Varrer a escola, pintar muros da escola, e outros serviços gerais...

A maioria dos pais topam, para não serem processados.

Mas o bullying, pelo que vejo hoje, é muito mais agressivo, covarde, e estimulado a participar.

Tem bullyings marcados pela internet, como as atuais brigas de torcidas;

E hoje, estimulados pelos vale tudos da vida, o agressor faz coisas que nem no vale tudo é permitido:

Vejo a molecada chutando e pisando na cara de quem cai (e ninguém separa), é uma covardia sem fim.

Em minha época, geralmente era tudo resolvido no famoso Te pego lá fora:

Pronto, estava marcada a briga, e ninguém ficava mais ameaçando um ao outro.

E depois da briga, perdendo ou ganhando, a diferença estava resolvida, não havia mais continuação de pendências, zoação, humilhação, nada disso:

Naquela época, havia uma espécie de senso de honra, iamos na mão, e depois dali, tudo acabava, ao contrário do que vejo hoje.

Fui desafiado duas vezes, e não corri:

Na primeira, ainda na sexta série, na hora H (ou seja, “lá fora") a própria turma convenceu meu desafiador a não ter briga, por um motivo nobre:

Ele é o goleiro da turma! Se machucar a mão, como vamos ficar?” Disse Chiquinho para Cadu, já fora da escola... Fui liberado.

Na segunda vez, já no Colégio Militar houve confronto.

Em todos os casos acima, eu era o mais “fraco”, fisicamente falando...
Pois esta é uma das características dos agressores adeptos de bullying:

Eles são covardes...no mano a mano, procuram só os mais fracos, ou então, andam em bando.

Só que o cara não sabia que eu já era aluno, na minha fase pré- Jiu-Jitsu, do Sensei Uriu, ainda na ativa aos 79 anos, aqui na Tijuca..

Aluno de um mestre Japonês de karatê 8º dan por 4 anos, indo na academia de segunda a sábado, com treinos que incluíam ataque de 3, 4 agressores ao mesmo tempo...

E com as mãos até hoje calejadas (com colaração avermelhada até hoje nos ossos) de tanto socar no makiwara (madeira coberta por uma leve camada de pano, que tinha atrás da academia).

O fortão era terceiro anista, e vivia humilhando os primeiro anistas, e pra piorar, era da artilharia, e não da minha companhia, a Infantaria, onde todos se davam bem, de todas as séries lá no Colégio.

Até que eu dei uma resposta a ele, que só não fez nada por ainda estarmos dentro do Colégio, e anunciou a famosa frase “Vou te pegar lá fora”.

- Por que não pega aqui, tem medo?, debochei...mas o cara sabia que se pego, seria expulso, e ele deveria querer uma vaga numa escola militar, depois...

Eu, num tava nem aí, e ele não sabia que eu sabia me defender, apesar dele ser mais forte e mais alto.

Disso, o fortão não sabia, e esperava que a luta fosse rápida....e foi:

Um chute no lado interno do joelho dele, seguido de três socos na cara, em cerca de 30 segundos tudo havia acabado.

Soube depois que ele levou 3 pontos no supercílio, numa clínica...como disse, a época, a mão era pesada...hoje, ela só pega a gola do kimono dos colegas, tentando estrangular.

Mas toda sexta-feira, tem defesa pessoal, que adoro.

Sabe o que aconteceu? Pararam de nos zoar...e o grandão honrou a farda do Colégio:

Na semana seguinte que passou ao meu lado, bateu continência pra mim, sendo retribuído da mesma forma.

O assunto morreu ali...hoje em dia, tem revanche da revanche da revanche...

E a molecada filma no celular e joga na internet...anos atrás, ficava só entre a gente.

Trote é uma coisa, que varia entre o saudável, e o jocoso...lá mesmo no colégio, eu:

Já paguei flexão, “surfei” no corredor de ônibus em viagem, carregava as bolas de futebol pro treino...

E fiquei trancado dentro do banheiro do ônibus que nos transportava para Campinas por 15 minutos, batendo o recorde de ocupantes num banheiro de ônibus:

12 alunos entre 15 a 18 anos, dentro daquele espaço minúsculo...se quebrasse o vidro, caía aluno na estrada!

Mas no bullyng, é diferente...

Nele, a pessoa é constantemente, dia após dia, humilhada, ameaçada, contrangida, até chegar a ser agredida.

Vemos muito Bulliyng em escolas...abafa-se muito em academias militares...

Tem bullying em academias militares...o comandante que diz que não, ou é um alienado, ou um mentiroso.

Um dos meus colegas dos tempos de Colégio Militar, passou pra Aman, que é a que forma os oficiais aqui em Resende, no Rio.

Mas ficou só um mês...oficialmente, não resistiu a uma surra de toalha molhada (que dói pra cacete, e a marca sai logo, não evidenciando prova).

Apanhou pelado, no chuveiro, de vários veteranos, e não aguentou...só descobri essa história uns sete anos depois, á la Cold Case, com outro colega em comum...

Mas até hoje, desconfio que foi mais do que isso, se é que você me entende.

Mas até mesmo em igrejas, eu já vi bullyings mais pesados...

Saintclair era um adolescente franzino, de seus 13 anos, e havia começado a frequentar a igreja, através do futebol que havia aos sábados na mesma.

Eu devia ter a idade dele, pois era um dos mais novos...
Mas um dos filhos do pastor da época, mais velho, logo colocou o apelido nele de coelhão:

O menino tinha os dentinhos pra fora, era dentuço, branco, e magrelo.

Sem graça, de início ria, para ver se o deixavam em paz...

Mas o mala do filho do pastor, que até hoje de convertido não tem nada (típica pessoa acostumada ao ambiente, mas não convertida) infernizava a vida dele.

Ficava ao lado do rapaz, tentando deixar ele enturmado, apesar de eu mesmo não ser enturmado com aquela patota nojenta e discriminatória:

Eu só era tolerado pois sempre fui goleiro por opção, desde os sete anos, enquanto ninguém queria ir pro gol...

Era um dos primeiros a ser escolhido, com o passar dos anos, também pela habilidade.

Mas como enturmar alguém numa turma em que o os próprios filhos do pastor faziam a panelinha, e comandavam o festival de constrangimento?

Assim, após dois meses sendo o coelhão, coelhão magrelo, coelho da páscoa, e indo embora pra casa triste e abatido, ele foi embora da igreja:

Nunca mais vi Saintclair sequer passar em frente a mesma, nos dez anos restantes que perdi meu tempo ali...

O tio dele, um português que tinha um bar em frente á grei, nunca perdoou a igreja por isso, e passou a ter raiva de crente.

Foi mais um belo serviço dos bullymistas da turma daquela igreja, a maioria filha de líderes da mesma...

Mas, enfim, o que fazer em casos de Bullyng?

Primeiro, os pais de crianças ou adolescentes devem ficar atentos, pois quem é vítima disso, difícilmente conta alguma coisa até o ponto em que isso se torne insuportável.

Sinais: baixo rendimento escolar, desejo de não ir as aulas (ou igreja), escoriações, etc.

Mas você que é vítima disso, siga o conselho de Jesus, e não resista ao inimigo:

Não entre na pilha deles quando chamar de feio/a, gordo/a, dentuço/a, salsicha, orelhudo/a, narigudo/a, viadinho/piranha e outras palhaçadas que giram em torno disso.

A primeira glória do Bullymista, é conseguir atingir a pessoa sem tocar fisicamente.

A segunda, é o contato físico que vai gerar a agressão.

A briga mais feia que vi de bullying na vida, foi de duas meninas que quase saíram carecas da luta:

Ficaram tantos nachos de cabelo na rua, que dava pra fazer uma peruca.

Ande em grupo na escola; peça a coordenação para mudar de sala;

Não tenha vergonha de pedir para algum responsável buscar depois da aula;

Dedure os bullymistas para o diretor/a, e leve consigo duas ou três testemunhas que viram você falar com a direção, caso nenhuma medida seja tomada
;

Grave as agressões verbais escondido no celular (modo de gravação) como prova;

Fale com seus responsáveis do ocorrido, para que exijam da escola uma providência.

Ore e peça proteção a Deus...

Quando fiz uma oração nesse sentido, nunca mais me perturbaram na igreja, pois caí na simpatia de “ser goleiro”, e isso me ajudou também na escola.

Evite ao máximo que puder o confronto, seguindo a orientação de Jesus de não resistir ao inimigo:

Cansei de me fazer de besta, e fazer ouvido de mercador, pra não brigar...

Até porquê a covardia hoje, não existia antigamente...eles podem voltar depois pra dar um tiro, ou dar facada na covardia...ou mesmo, furar com lápis, como alguns fazem.

Mas aprenda a se defender o suficiente pra fugir...e se não tiver ninguém por perto?

Se acontecer o inevitável, você tem que saber se defender, o que inclui fugir:

Já fugi de um cara de de bicicleta, que me perseguiu por vários minutos...se não corresse, apanhava, quando tinha lá pros meus 12 anos.

Vai ficar levando tapa na cara, soco, chute, pedalada, tapão pra estourar o tímpano?

Nessas horas, a aula de balé não vai ajudar...

E nem a de piano....

Pense nisso.

Lee
Na Sessão Revival, o clássico da Sessão da tarde Te Pego Lá Fora: