quarta-feira, 23 de junho de 2010

Independência Financeira e a Submissão Feminina



De uns 10 anos pra cá, venho percebendo uma coisa:

Mulheres que ganham bem (executivas, comerciantes, etc);

Ou que tenham uma alta posição (em geral funcionárias públicas:Professoras de universidades concursadas, Militares já comandantes de unidades, Juízas, Promotoras, Defensoras, Delegadas, etc), tem uma grande dificuldade em lidar com esse tema.

Também pudera:

Para aquelas que estão em igreja há muito tempo,e que sempre ouviram (e ainda ouvem) a questão da interpretação machista de Efésios 5.22 , onde se lê:

“Vós mulheres sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor”

Entro na questão de independência financeira, pois percebi algo entre as mulheres do grupo acima ( o menor salário ali é de 7 mil reais, com outros batendo na casa dos 20 mil, no funcionalismo público – executivas e comerciantes podem tirar bem mais do que isso).

Percebi que estas, tem muito mais medo de se envolver numa relação, do que uma na qual “não tem nada a perder”, financeiramente falando.

Sim, pois estas, como toda mulher de igreja ,na maior parte de suas vidas, escutaram do púlpito a ênfase somente em serem submissas:

Mas de uma maneira machista, voltada unicamente para a satisfação do marido, como se tivessem que ser quase escravas do bel-prazer deste.

Obedecer a eles, fazer tudo o que eles mandam, pois é assim que “Deus quer”, como cansaram de escutar na vida.

Fora os conselhos que reforçam esse tipo de idéia, quando estas vão se casar, dada por Pastores e Padres, nos seus cursinhos, congressos e acampamentos de casal da vida;

Conselhos que parecem vir bonitos na embalagem pré-casamento, tipo :

Dizer que todo casal tem que ter conta conjunta;

Dizer que todo casal tem que necessáriamente casar-se em comunhão de bens, pois se fizer ao contrário (contrato pré nupcial, por exemplo), este já se casa “pensando em divórcio”.

Ora, tudo num casal tem que ser pré – acordado, inclusive essas coisas, que não são impostas por Deus, que diz que um casal tem de andar em acordo :

“Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Amós 3.3)

O acordo é feito entre o casal – Em decisão de 4 paredes, ninguém se mete – família, amigos, igreja... até mesmo Deus respeita as decisões tomadas – Pois foram feitas em acordo.

Essas idéias citadas acima, fazem parte de embalagens pseudo- cristãs , copiadas de cursinhos americanos que várias igrejas repetem.

Surgem pela própria incompetência do líder em não saber falar do assunto, seja por ignorância espiritual, seja por desconforto;

Afinal, uma boa parte dos Pastores escondem um mal casamento...


Já o Padre não tem esse problema...mas não tem experiência pra falar.


Nisso, quem faz a festa são esses cursinhos de família caça-níqueis, que só fazem encher a conta corrente dos promotores, que levam o casal pra um sítio, hotel, ou são contratados a peso de ouro por uma igreja.

O conteúdo deles, em geral, é de um desses níveis abaixo , ou com uma mescla de ambos ( a maioria vem dos EUA):

Raso – Isso se este é bem intencionado;

Legalista – a grande maioria... colocam o homem como supremo mandarim, pegando firme no conceito deles como cabeça do casal só por ele ser “homem”;

Puritano – Especialmente na questão do sexo;

Imbecilóide - Onde tratam os casais como se fossem Teletubbies....ou estivessem numa excursão teen na Disney, quando é em acampamento.

Tive que assistir dois desses congressos, pois estava na escala da música no dia:

Um esse ano, outro no ano passado...ninguém merece.

Um mais fraquinho do que o outro, onde a questão da conta conjunta foi repetida (como sempre) e outras pérolas...

Como o conselho de o homem ou a mulher casada jamais se sentar no banco da frente de um carro que não seja do seu cônjuge, com outra pessoa do mesmo sexo dirigindo.

Saí pra beber uma água, pra não rir ali do legalista, que prefere que um casado/a faço do carro dos outros um táxi.

Mas falando da mulher independente financeiramente, sob essa questão de submissão...

As que não são ensinadas corretamente, claro...sabe como elas ficam?

Uma boa parte dessas mulheres, fica travada afetivamente.

Fala a verdade, você que tá nessa situação que eu falei:


Você sabe da importância de seu cargo, sabe que ganha bem, e gostaria de ter uma pessoa que entendesse isso...
Que não ficasse com inveja, com ciúme, que se sentisse inferiorizado por ganhar menos;

Morre de medo de que casando, seu maridão exija, por ele ser o “cabeça”, que você largue tudo aquilo que levou anos pra conquistar estudando, investindo ,ou ralando muito;

Morre de medo de um explorador, pois já que este é o “cabeça”, que ele meta a mão no seu dinheiro- afinal, “é pra ter conta conjunta”, como falaram no seminário de família..

Não é assim?

Por isso, que muitas tem dificuldade em arrumar alguém.

Tudo por que a ênfase que dão no texto acima, é somente sobre o homem e a autoridade deste, e não do amor que este homem tem que ter pela mulher.

São poucos os que dão a ênfase na continuação do texto:

“Vós maridos, amai vossas esposas, como Cristo amou sua igreja, e se entregou por ela”.

(Efésios 5. 25)


A ênfase do texto é no amor como autoridade, pois não existe autoridade sem amor.

Assim, o que Paulo diz é que um homem que ama a quem diz amar - a sua mulher, naturalmente se torna o cabeça espiritual da casa:

Mesmo que a sua mulher seja mais forte na personalidade, mais culta, mais rica, mais preparada, mais extrovertida, mais tudo.

Um homem que ame uma mulher com a qualidade do amor de Cristo, tem por ela carinho, cuidado, amparo, sinceridade e usa de sabedoria no relacionamento.

Por isso, será sempre amado pela mulher que um dia tenha dito amá-lo.

Ora, é desse amor do marido pela mulher que o amor dela para com ele se manifestará como alegre submissão.

Ou seja, a submissão da mulher é uma consequência natural do amor que esta sente do marido para com ela.

Não é fruto de nenhuma ordenança feita sem amor, na letra morta lida sem compaixão, e sim de forma legalista, por alguém de púlpito.

Recebendo amor do marido, a submissão acontece de maneira natural e consensual.

O marido pode ser o rei da fé, um exemplo na igreja, um exemplo no trabalho, um ser de moralidade inquestionável,ter responsabilidade, mas se não tiver amor, jamais será autoridade espiritual natural para a sua mulher.

A autoridade espiritual do homem no lar só existe quando este promove o amor.

Aí, o principio espiritual do texto, se estabelece.

Uma mulher que encontra um homem assim, não quer saber se ele ganha menos, se ele não tem o preparo que ela teve, etc...

Alías, algumas no caso acima, quando acham esses raros homens, até não se importam de “bancá-los”:

Conheço dois casos assim ,um de uma alta funcionária pública casada com um desenhista, e uma executiva, casada com um Pastor de uma pequena igreja.

Vivem em harmonia, mais do que muito executivo que casa com executiva, Juíza que casa com Juiz, etc, só por ser do mesmo nível “social”.

Basta ter a certeza de que este tenha amor como fundamento, e não queira ser um mandarim, um “cabeça do lar”, pelo simples fato de ser homem...

Como ensinam por aí até hoje, tanto em igreja, tanto na tv.


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