sábado, 12 de junho de 2010

Um Reencontro Fictício X Um Desencontro Real no Dia dos Namorados


Fui ver ontem Plano B, com a Jeniffer Lopez.


Uma mulher perto dos 40, que na falta de homem decente no “mercado”, resolve ter filho via inseminação artificial.

Até encontrar seu homem justamente na saída da clínica, já enseminada...

Quando o homem resolve fazer seu plano B, geralmente sempre estraga o plano principal que pode demorar a chegar...a pressa humana sempre atrapalha o melhor de Deus em nossas vidas.

O filme ainda tem um cachorrinho em cadeira de rodas que “rouba” algumas cenas do filme.
Mas quando vi ontem na saída do cinema, o cartaz acima de Cartas para Julieta – que não é meu estilo de filme – senti o Chefe me impelindo a vê-lo, e a escrever sobre ele também nesse dia dos namorados, aqui no Brasil.

Um dia que parecia comum para mim, acabou se tornando um ótimo post,pelas coisas que vi na tela – e fora dela, dentro do cinema.

Dessa vez levei minha irmã, para me acompanhar.

O filme é muito bonito, contando a história de uma senhora de 65 anos em busca de seu amor de 50 anos atrás, quando tinha 15.

Para isso ela conta com a ajuda de uma jovem jornalista, e também do próprio neto.

Tudo isso na bela Verona, na Itália, terra inspiradora da personagem Julieta, de Romeu e Julieta, de Shakspeare...paisagens lindíssimas.

Nesse processo, a jornalista acaba se apaixonando pelo neto da senhora que ela ajuda,mas tem um problema:

Ela é noiva de um manézão que só fala de si mesmo, e que mesmo indo lá na Itália com ela de férias, consegue a façanha de não ficar ao lado da noiva – o que aliás, sempre foi uma tônica do relacionamento -o cara, mesmo perto, sempre era distante.

Fiquei pensando em como aquilo é comum na vida real:

Muitas mulheres se acostumam a uma situação clara de desimcompatibilidade, por achar que a pessoa “vai mudar”.

O cara é bonito, tem condição ($), mas não tem nada a ver com a outra pessoa, e esta, por medo de estar sozinha, acabam aceitando aquilo, esperando que um dia mude.

Não muda: O que se é antes de um casório, continua depois, e geralmente muito pior.

Um outro detalhe me chamou a atenção:

O compromisso de um noivado precipitado que poderia estagar duas vidas...

Acontece muito na vida real esse dilema:

A pessoa assume um namoro, ou mesmo chega a ficar noivo.

Mas aí percebe com o tempo, de que algo não vai bem, enfim, recebe os sinais interiores (sentimentos internos – um desconforto, um alerta, tipo “pulga atrás da orelha”) e exteriores (os visíveis) de que não é aquilo que esperava.

Mas mesmo assim, não tem coragem de bancar uma decisão para romper com aquilo.

Cede as circunstâncias, a chantagem emocional do outro, escuta o mal conselho de terceiros...Inclusive o mal conselho de quem deveria aconselhar bem.

Nas igrejas, é comum receber conselhos tipo : “Antes mal acompanhado do que só”:

Eu perderia páginas contando sobre os absurdos que já ouvi – e vendo gente que deu ouvidos, para mais tarde quebrar a cara.

Nessa semana mesmo, procurando sintonizar a JB FM – rádio flashbackiana que toca música e notícias, há muitos anos que desisti das loucuras da “rádio gospel” - ouvi uma pérola de gente que poderia influenciar positivamente,mas não o faz.

Enquanto procurava a sintonia da rádio, acabei passando numa rádio gospel daqui do Rio, em que havia um debate sobre o dia dos namorados.

Léa Mendonça, uma cantora gospel, deu o seguinte conselho:

Se você estiver sozinha, sem namorado, e se tiver alguém á fim de você, namore com ela, mesmo se você não gostar dele...é melhor do que “ficar sozinha”.

Seria esse o caso dela??

É por essas e outras que não escuto esse tipo de rádio:

A maioria delas são um veneno para a alma.

Outra coisa:

Namoro é um compromisso para ver se duas pessoas realmente tem algo a ver uma com a outra, cuja base deve ser o amor.

Não é pra “não ficar sozinha”.

E se a pessoa não “sente nada” por uma pessoa, mas começa a sentir por outra, é por que de fato nunca sentiu nada por aquela pessoa com quem está.

Isso é outro dilema não só do filme, mas da vida real:

É claro que uma pessoa não feliz num relacionamento, pode ou vai se sentir atraída/o por outra pessoa.

E se essa descobrir outra pessoa que corresponda seus sentimentos-expectativas, deve imediatamente terminar (e sem essa história “de dar um tempo”) com seu namorado/a.

Ora, se alguém tem um mínimo de contato com outra pessoa de quem realmente gosta- ou verifica que começa a gostar mais do que de quem realmente namora - não deve se apegar a “regras de etiqueta”, por estar namorando:

O namoro, é também para isso, uma espécie de estágio de sentimentos e compatibilidades.

Digo isso mesmo para noivos, alías, é impressionante a banalidade dos noivados hoje em dia.
Noivado, é praticamente um casamento, só que sem os dois ainda morarem debaixo do mesmo teto.

Hoje, dão um beijinho e estão noivos duas semanas depois, pois o cara dá um anel num jantar surpresa, e ela fica sem graça de sequer pedir pra pensar: Vira noiva.

Digo isso, claro, dos mais novos, pois espera-se que os mais velhos já saibam o que querem da vida, naquela altura.

Mesmo num noivado, se perceber que é furada, não importa o que os outros vão pensar, é melhor pular fora do que chorar mais tarde -onde tudo se torna mais difícil.

Enquanto eu via a Vanessa Redgrave (sempre perfeita) procurar pelo seu grande amor do passado (Franco Nero, um dos raros atores de sua geração que envelheceram e continuaram bonitos – comentário de minha irmã), algo se passava na vida real:

O conflito do casalzinho de namorados atrás da gente.

Explico: Tinha uma loirinha lindinha, educadinha e delicada no banco atrás:

Originalmente, nosso lugar seria ao lado deles, e ela tirou os pertences que estavam aonde deveria ser o nosso assento.

Agradeci, mas disse que não precisava, pois nos sentaríamos imediatamente na bancada da frente, já que estava vazia, e a visão era melhor - voltaria só se aparecesse gente no lugar marcado.

O namorado dela foi comprar algo, ou ao banheiro, já que não vi nada nas mãos dele quando este chegou, depois:

Ele deu uma sacada na minha irmã que esta ficou sem graça, antes de ficar atrás da gente.

A namoradinha se recostou nele (pelo barulho que fez a cadeira) e começa o filme.

Minha irmã se queixa comigo que o mané tava chutando atrás do banco, direto.

Antes da metade do filme, a loirinha diz, bem audível:

- O que é que foi, Por quê você está estranho?

- Hã, nada não, responde, responde o mané....ela havia percebido.

Pouco depois, ela diz:

- Vamos embora, não há mais o menor sentido em ficar aqui.

E se levanta chorando...

Vejo os dois passarem pra saída, embaixo da gente...afastados um do outro.

Num filme de ficção que falava sobre reencontros e encontros, e em pleno dia dos namorados, o casalzinho se desencontra...

Minha irmã disse que se sentia super-mal por isso...aí, foi minha vez de falar:

- Mas você não fez nada, quem fez foi ele...nem olhei pra loirinha respeitando o dia de hoje, mas ele não tava nem aí pra ela, disse.

-E tem mais, continuei, foi bom ela perceber a ilusão em que estava...a maioria das pessoas gosta de viver iludida nessa área, ela, pelo visto,não.

Assim foi o meu dia dos namorados, vendo filminho romântico sem namorada, para alertar os namorados a mando do Chefe, vendo um ótimo filminho de reencontro, encontros, e vendo um desencontro bem na minha frente, na vida real.

Quer dizer, na minha frente não, nas costas...

Quem dera se houvesse mais meninas corajosas e “desiludidas” como aquela loirinha.

Lee