domingo, 5 de setembro de 2010

Reconhecer suas Fraquezas não é Fraqueza


No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.

Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.

E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
Então disse eu:

Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos.

Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado”. (Isaías 6.1-7)

Quando Isaías reconheceu sua fraqueza, foi que um anjo veio, a mando do Senhor, e queimou seus lábios com brasa , e o limpou.

Isso aconteceu em uma visão, mas é o que acontece na dimensão espiritual, quando reconhecemos nossas fraquezas, e pedimos ajuda do alto.

Creio que assim que o profeta viu a Deus numa visão, em sua condição humana, viu que essa condição é absolutamente imperfeita, impura, desagradável, diante de Deus.

Para tentar entender o que aconteceu na hora - o sentimento de Isaías – imaginemos:

Imagine você fazendo um serviço dentro de uma rede de esgoto, tentando desentupir um bueiro, com aquele mal cheiro, aquela gordura, sua roupa toda suja daquilo, que seu equipamento mal consegue te proteger da sujeira e do cheiro podre;

Imagine nessa hora sua amada, ou seu amado, aparecer lá no alto, todo arrumada/o, limpo, com cheiro de perfume, e te olhar no buraco do esgoto, dizendo que está esperando você sair dali, para dali saírem juntos – do jeito que você está.

Gostaria que ele ou ela te vissem ali, naquela hora?

Foi esse o sentimento de Isaías – multiplicado várias vezes, na hora que deu de cara com Deus – que estava nada mais, nada menos, na sala do trono, e com sua glória preenchendo todo o templo.

Sim, foi por isso que Isaías disse que estava perdido...ele deve ter pensado:

“Estou ferrado!”

Muita gente ,erradamente, pensa que estes versos falam apenas do que sai da boca.

Isaías quis dizer que tinha “lábios impuros” pois vivia no meio de gente assim:

Gente de viver cotidiano errado aos olhos de Deus em sua forma de vida, a tal ponto que isso “pegava”, mesmo para um profeta.

O que Isaías quis dizer foi justamente isso:

Por mais que ele tentasse viver um vida correta, tinha suas fraquezas cotidianas – as vezes, ele falhava - pois habitava no meio de gente de vida cotidiana desagradável para Deus.

Não tem nada a ver com palavrão, piadinhas, como já vi gente dizendo por aí.

Uma vida de injustiça, de prejudicar aos outros, de perseguição, de corrupção, de invejas, de artimanhas em benefício próprio, é uma vida de “impuros lábios ”.

A maioria das pessoas, quando faz isso, não fala palavrão:

Este, geralmente é proferido quando você sente dor, quando atingido – pode ser uma dopada no pé,uma bolada, um pontapé, etc;

Ou quando está com raiva de alguma situação ou de alguém – quem já foi num estádio de futebol e ficou indignado com o juiz, costuma “homenageá-lo”.

A maioria das pessoas que vi e vejo prejudicando aos outros na vida, não proferem um palavrão, mas são de “impuros lábios”.

Mas Isaías, na mesma hora, reconheceu sua fraqueza -que só ele e Deus sabiam:

Quando este assim o fez, diante de Deus, na mesma hora ficou “puro”.

Hoje em dia, vemos todos tentando esconder suas fraquezas, seja no mundo corporativo, seja no mundo da moda, no mundo das artes, e do esporte.

Modelos e artistas posam para fotos na base do Photoshop, escondendo algo natural do corpo, como cicatrizes, celulites, gordura, e rugas;

Fabricantes de automóveis encerram carros que não deram certo na surdina:

A Wolkswagen com o o Logus, nos anos 90 aqui no Brasil, que não emplacou;

E a Mercedes com o Classe A nos anos 2000, cuja fábrica de Juiz de Fora tinha capacidade para produzir 70 mil carros ao ano, mas que só produziu 64 mil modelos de 99 a 2005, quando encerrou a produção por falta de vendas.

E no esporte, todos nós ficamos sabendo o ponto fraco da seleção na copa, apesar dos “treinos secretos” que Dunga insistia em fazer.

Reconhecer nossas fraquezas, não é fraqueza:

Quando as reconhecemos, e as colocamos diante de Deus, ao invés de varrê-las para “debaixo do tapete”, passamos a estar na dependência deste, que irá nos ajudar.

Lee.