domingo, 10 de outubro de 2010

O Cobrador de Impostos


O cobrador de impostos nunca foi um homem popular em Israel.

Especialmente no primeiro século entre os judeus que moravam na Galiléia e na Judéia.
Os judeus ressentiam-se dos impostos cobrados pelas autoridades romanas a tal ponto que a possibilidade de impostos adicionais bastava para criar uma rebelião:

Haviam várias convulsões sociais por causa disso, uma inclusive relatada no livro de Atos.

No tempo de Jesus, os cobradores de impostos eram especuladores e homens de duvidosas qualidades morais.

Muitos eram extorsivos, atribuindo valores tributários de mentira as mercadorias e depois oferecendo emprestar o dinheiro — com juros elevados — aos que não podiam pagar.

Com uma vara na mão e um distintivo de bronze destacado no peito, paravam as caravanas e mandavam que tudo fosse estendido ao chão para ser “inspecionado”.

Depois, tiravam o que lhes convinha, frequentemente levando embora os animais de carga bem alimentados e substituindo-os por outros piores.

Naturalmente, Jesus não fechava os olhos à corrupção que havia entre os cobradores de impostos.

Mas estava sempre disposto a ajudá-los espiritualmente, por isso foi tachado por seus inimigos como “amigo de cobradores de impostos e de pecadores”. (Mateus.11:17).
No entanto, nenhum cobrador de impostos se tornou verdadeiro “amigo” de Jesus até ter mudado seu modo de vida – sua maneira de viver a vida.

Entre tais arrependidos cobradores de impostos, que depois o seguiram, estavam Mateus e Zaqueu.

O mais curioso de tudo, é que Jesus faz um contraste entre a oração do cobrador de impostos – também chamados de publicanos – e os fariseus, o partido religioso da época:

“ Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira:

O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.

Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.

O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele;

Porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado”. (Lucas 18.10- 14)

Sabe por quê um saiu justificado perante Deus, e outro não?

Deus ouviu as duas orações - mas só havia sinceridade de coração na oração do cobrador de impostos.

O religioso, acha que por ele praticar atos religiosos, está justificado perante Deus.

O cobrador assumiu naquele momento ser uma escória, lembrou de tudo aquilo que ele fazia para roubar o povo, oprimir os outros, sufocar o mais pobre.

O religioso conta vantagem dos seus ritos religiosos, achando que por praticá-los, é melhor do que o pobre pecador ao lado – que não" era como eles".

Muitas vezes, é melhor confessarmos nossos pecados a Deus, bem de longe da turma da religiosidade, como fez aquele cobrador de impostos.

Se o cobrador conseguisse ficar mais perto e se misturar aquela turma, certamente acharia que fazer o que eles faziam na aparência – mas com o coração distante de Deus- seria o normal para se “justificar”.

Mas como ele sabia que era mal visto pela sociedade, dali mesmo fez sua confissão sincera.

Moral da história:

Tá no erro? Não consegue mais viver prejudicando os outros, extorquindo, explorando, ganhando dinheiro de forma ilícita?

Ou simplesmente se sente como um traste da sociedade, como aquele cobrador se sentia?

Abra o coração para Deus em sinceridade, que Ele ouve e atende na hora – sim, a justificação (perdão) vem somente com a confissão.

Vejo gente hoje em dia, que querendo se justificar, se aproximam dos fariseus:

Achando que, ao imitar o que eles fazem (campanhas de oração, jejuns, novenas, correntes de “libertação”, “quebra de maldições”, votos, etc) possam se justificar perante Deus.

O cobrador se justificou bem de longe de toda essa gente – se chegasse perto, se contaminava, por fazer igual a eles.

Tem muito líder fariseu, em que a igreja faz almoço pró- construção de igreja, mas nem sequer almoça na sua própria igreja, no domingo;

Tem muito líder que pede para igreja orar e jejuar restritamente por 40 dias :

Eles adoram esse número só por quê Jesus ficou 40 dias no deserto, soa bem “bíblico”-

Mas que vai na semana escondido , comer em pizzarias e churrascarias, encher a pança com o dinheiro da tesouraria da igreja.

Tem muito líder que pede contribuição para missões, exigindo um esforço opressivo de sua congregação, mas todo ano está com carro zero – cansei de ver isso na vida.

Para Jesus, o cobrador de impostos teve uma atitude muito mais nobre do que os fariseus que viviam na igreja, ao confessar seu erro.

Desconfio que aquele cobrador sabia, na verdade, quem era quem ali daquela turma de fariseus, e também por isso não quis chegar nem perto.

E outra coisa:

Confesse a Deus, tão somente a Ele, seus erros, não faça de Pastores e Padres mediador entre você e Deus.

Até por que o coração de vários deles são piores do que de cobradores de impostos.


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