quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Polêmica Eleitoreira sobre o Aborto



Nessa reta final das eleições, todo mundo quer dar “valor a vida”:

Seja Dilma tentando desdizer o que disse – tanto ela quanto Lula sempre foram a favor do aborto, e Lula só não o implantou no SUS com medo da reação das igrejas e da sociedade;

Seja Serra constrangido pela descoberta da imprensa que sua mulher fez aborto quando ainda estavam no exílio do Chile – segundo uma ex- aluna do curso de dança da Unicamp, que lembrou o relato de Mônica, mulher do candidato, sua ex- professora.

Nínguém quer se queimar com um assunto delicado:

Tema que faz ganhar ou perder eleição, mais do que propostas de governo – que Dilma não tem, pois é uma continuidade -e as de Serra, bem irreais, com aumentos que não se sabe de onde irão sair a grana, soando bem eleitoreiro.

Alías, esse tema do aborto é mais perigoso do que escândalos, própriamente dito, na carreira de um político.

Por isso, tratá-lo de maneira hipócrita, legalista, escondendo debaixo do tapete, isso sim é tratar a vida com desdém, como a mídia faz nessa hora.

Sim, pois as executivas, jornalistas de mídia, ou simplesmente a mulher que tem grana, dá seu jeito de ir a uma “boa clínica de aborto” - se pudermos chamar isso de bom.

Enquanto as da periferia, morrem em consequência da operação que fizeram em qualquer esquina de um bairro suburbano, com um médico- açougueiro, e enfermeira-parteira.

Não querer enxergar isso, simplesmente com um discurso político - midiático, é hipocrisia:

Existe um problema a ser encarado.

Não sou a favor do aborto como método contraceptivo, que é o que acaba acontecendo na realidade:

Mulheres que transam sem responsabilidade nenhuma, e recorrem ao aborto como método anticoncepcional.

Se quiserem tratamento de aborto vip, tem de desenbolsar de 2 a 5 mil reais;

Se não quiserem ir ao açougue, se viram para arrumar de 800 a mil reais, num mais ou menos...
Esse é o preço médio da tabela abortiva aqui no Rio...fora disso, é ir pro açougue.

Que é justamente aonde vão a maioria das mulheres da periferia e subúrbios, e daí passam mal, e não podem dizer isso no hospital público, pois podem ser presas.

Ou seja, existe um problema a ser discutido, não com moralismos, hipocrisia e pseudo – cristandades:

Ser “a favor da vida”, inclui resolver o problema dessas mulheres que estão morrendo.

Sou a favor da vida, contra o aborto por método contraceptivo, mas é preciso resolver um problema social existente- as mortes de meninas que passam por açougues aborteiros.

Sou a favor da vida, e por isso creio que quem tem má formação no útero, com problemas diagnosticados, teria direito a fazer aborto, não só no que diz a fria legislação atual.

Diagnósticos de má formação (sem pernas, sem braços, sem cérebro, com síndrome de down, e coisas similares), dariam a opção da mulher a fazer essa escolha.

Pois é fácil falar, mas quem vai custear tratamentos e remédios que requerem esses casos?

Quem vai ficar no lugar da mãe – 32% delas são chefes de família no Brasil – para ela ir trabalhar, e ficar com alguém que requer 100% do tempo ?

Por acaso quem ganha salário mínimo tem condição disso? O Estado por acaso ajuda?

É por isso que me revolta um assunto tão delicado, um assunto que atinge alguém que está a nossa volta, ser tratado de maneira tão oportunista que vem sendo tratado nessa eleição.

Atiraram a mesma flecha na direção de Dilma e Serra, e quem as atirou, foi uma mídia que quer ver em qual dos dois candidatos seria feito o maior estrago.

A mesma mídia que vai fazer aborto em clínica vip, mas que posa de um puritanismo cristão, que assim como estes, fazem o que querem por debaixo dos panos.
Lee

Na Sessão Revival, o desmascaramento eleitoreiro do Malafaia nesse e outros assuntos:

http://www.youtube.com/watch?v=4JBFr218h3o