quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Crescei e Multiplicai-vos: É obrigação ter Filhos?


E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra. (Gênesis 9.1)



A maior parte do mundo foi criada sobre a influência do Cristianismo, seja católico ou protestante.



Na Europa, somente Itália, Espanha, e Portugal, tem forte influência do Catolicismo;



Este, está presente desde a fundação em todos os países da América do Sul;



Já o protestantismo está presente desde a fundação dos EUA.



Assim, certos conceitos como a fecundação – ser obrigado a ter filhos, eram “justificados” pelo texto acima.



Nas culturas do Oriente médio, sob o qual está Israel, desde os tempos bíblicos, era quase uma obrigação ter filhos...



A mulher estéril, por exemplo,era vista como uma “castigada” por Deus, por não podê-los ter...algumas, recebiam piadinhas por causa disso.



Ana foi uma delas, e pra ela foi pior:



Seu marido, que oficialmente tinha outra mulher - Penina ,que tinha filhos – e vivia jogando isso na cara dela:



E a sua rival excessivamente a provocava, para a irritar; porque o SENHOR lhe tinha cerrado a madre”. ( I Samuel 1.6)



Até fazer um voto a Deus, e ter Samuel - sim, Deus havia” fechado a madre” para que o pequeno Samuel viesse no tempo certo – Ana sofreu pacas.



Em conjunto com o texto acima, outro versículo é muito citado atualmente, no sentido de ratificar uma “obrigação em ter filhos”:



Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão. (Salmos 127.3)



Enfim...um casal tem a obrigação de ter filhos, por causa dos textos acima, em que volta e meia nos púlpitos da vida, alguém vive os citando, muitas vezes “jogando na cara”?



Vamos ao contexto deles...



No primeiro, o “crescei e multiplicai-vos”, a terra tinha sido varrida da maior enchente que já houve na história:



Sim, Noé tinha acabado de descer da arca, após 40 dias...só sobrara sua família, pois os outros habitantes da terra, literalmente “sumiram do mapa”.



Assim, uma nova geração começaria do zero, pelos filhos de Noé, com suas mulheres:



Tinha mais que multiplicar mesmo...e bota multiplicação nisso .



Já no segundo texto, O salmista chama a atenção de que crianças não são uma espécie de “sub -produto”:



Mulheres e crianças naquela época não eram contadas oficialmente como presença em eventos, como casamentos, reuniões públicas, e até nas sinagogas.



Nos censos da vida, as crianças - assim como as mulheres - eram deixadas de fora.



O salmista quebra todo esse pensamento “de segunda linha”, dizendo que filhos, são como uma herança, dada pelo Senhor ;



Que o fruto do ventre da mulher, é um “galardão”(ou seja, um prêmio, uma recompensa).



Esses são os contextos desses versículos.



Deus nunca quer nada forçado de ninguém, muito menos filhos de um casal, de maneira “obrigatória”.



A decisão de tê-los, ou não, é uma decisão do casal – na qual Ele nunca vai se meter.



E se um casal não quiser tê-los, Ele vai respeitar – quem não respeita são os homens:


Um dos maiores contrangimentos que um casal pode passar, é pela pressão de outros que vivem pressionando, perturbando, fazendo piadinhas, para se ter um filho.



Ora, o espírito do evangelho é um espírito de se fazer as coisas por amor, por alegria, nunca por obrigação – para Deus, e para os homens.



Nessa pressão para um casal ter filhos, presenciei os maiores constrangimentos:


Um casal que não podia ter filhos (a mulher não podia gerar), em que, devido as pressões, se afastava de qualquer evento social – Se cansaram de passar pelo contrangimento de ter que dizer aos outros,inclusive estranhos, que não podiam ter filhos;


A mulher cujo os olhos se enchiam de lágrimas quando perguntavam, pois há anos tentava ter filho, mas já estava com 3 abortos espontâneos;



Um rapaz que, na presença dos familiares da mulher, era motivo de piada entre os irmãos e cunhados desta, com piadinhas referente a sexo:



Como se sexo tivesse a ver com e fertilidade...



Um casal que decidira não ter filhos, mas que todo domingo na igreja, se dava com as seguintes situações:



Uma senhora que trazia um “chá milagroso” da cozinha, para “ajudar na fertilidade”, e dava para a mulher beber;



Insistentes dizendo: “Estou orando para vocês terem um filho”, que nada mais é do que uma pressão disfarçada de espiritualidade, mesmo após a decisão do casal em não tê-los.



Sem falar naqueles que estão buscando uma melhor condição financeira, querem ter, mas ainda adiam por um tempo;



Nos jovens casais, ainda tão imaturos, mas forçados por seus avós - que querem ver um netinho “antes de morrer”, e por pessoas de igreja, que são uma desgraça nessa hora.



Engraçado é que ninguém que pressiona, que vive perturbando os outros a terem um filho, oferece ajuda financeira – alguém já recebeu uma oferta assim?



Enfim:



A decisão de ter filhos ou não, de adiar por quanto tempo for necessário (conheci um casal que só foi ter o primeiro filho após 8 anos de casamento, e o segundo dois anos depois) é uma decisão que diz respeito apenas ao casal:



Nisso, nem Deus se mete...



Não deixe os outros se meterem onde não são chamados, mas insistem em dar opinião.





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