sexta-feira, 4 de março de 2011

Tem Sempre uma Surfistinha ao nosso lado



Bruna Surfistinha,” por enquanto, já é a segunda maior estréia do ano no Brasil.


O filme levou 400 mil pessoas entre sexta a domingo da semana passada – em parte pela manutenção dos filmes concorrentes ao Oscar – surpreendendo muita gente.


É a história adaptada do livro “o Doce Veneno do Escorpião”, em que Rachel Pacheco conta suas histórias da época em que era garota de programa:


Do auge em que cobrava 300 pratas em seu próprio flat, até as 20 pratas dentro de um muquiço, já em franca decadência, e usuária de cocaína.


Mas sim, esse filme gerou em mim algumas reflexões...



Não só de como alguém – que não precisava, no caso dela- entra nessa vida;



Mas de como somos cercadados por mais surfistinhas do que a gente imagina.



Digo não precisava, pois algumas entram nessa, de fato, precisando...



Como a mulher de um amigo, que com 2 filhos pra sustentar, não arrumando nada, foi trabalhar numa dessas termas...



Como bico do serviço, ele fazia a segurança da casa, onde a conheceu -Não ainda no sentido bíblico da palavra, mas só como “colega de serviço”.


Um mês depois, estavam namorando, e cinco meses depois, se casaram, de papel e tudo.


Ah sim, a cerimônia de noivado foi em pleno puteiro, com corte de bolo, refrigerante , etc, Inclusive o anel de noivado...o amor não é lindo?


Ela parou de trabalhar lá, sendo bancada por ele, e ambos estão casados há sete anos.


Num momento de desespero, por precisar alimentar os filhos, ela foi parar lá, o que só durou dois meses.


Rachel Pacheco não precisava virar Bruna Surfistinha, pois tinha casa, estudava em colégio classe média de São Paulo, comida farta em casa...


Mas o problema de relacionamento com os pais a fez trilhar esse caminho:


A mágoa com ambos a fez destrambelhar.


Ser prostituta é o ofício mais antigo do mundo:


Se algumas profissões estão acabando,ou já acabaram, ou estão ficando raras, como alfaiate, sapateiro, costureira, barbeiro, ascensorista, (raras), datilógrafo, telefonista (praticamente acabadas), cobrador de ônibus (acabando, o motorista já faz também esse papel);


A de prostituta, no entanto, sempre está na moda, há mais de 5 mil anos.


Pois Reis e plebeus se utilizam de seus serviços;


Presidentes e Primero Ministros também – veja o caso do Berlusconi na Itália...


Atores, atletas famosos, assim como zé ninguéns, também.


Elas estão por toda a parte...várias pagam a faculdade, assim;


Inúmeras pagam o aluguel, ás vezes rachando com outras;


Existem “agências” que só contratam universitárias, e que falem ao menos outro idioma;



Bem como as que vivem como escravas, dormindo e comendo a semana inteira por lá.


A saúde, e o viço da juventude, passam depressa, e várias quando acordam já tem mais de 30 anos, e os únicos homens que conhecem, pela falta de tempo, são clientes.


E como tudo o que está na sociedade, elas estão também nas igrejas...


E seus clientes, também.


Quando fui líder da juventude, foi complicado lidar com alguns casos assim...

Uma, aquela altura do campeonato, já era amante de um homem casado, que bancava apartamento para ela, onde se encontravam.


Ficou arrasada quando depois de um ano, o cara mandou ela sair...


Foi aí que veio pedir conselho, pois já estava ficando sem mantimento para comer.


Outra, dava para o porteiro do prédio, para o cobrador do ônibus, a troco de qualquer vinte reais...todas, eram assíduas na época, hoje já não estão mais em igreja.


Uma delas disse que pelo menos dois homens da igreja já haviam passado “no caminho dela”, quando estavam procurando uma profissional...não quis saber quem.


Sim, pois uma das maiores clientelas das surfistinhas da vida, são homens de igreja:



Especialmente pra quem se casa com mulher nascida e criada na igreja – não “vinda de fora”- E que são cheias de frescuras por causa de tabus referentes a sexo.


Enquanto as surfistinhas fazem de tudo, as de igreja mal fazem o basicão...


Sim, só existem as surfistinhas, por que existem muitos surfistas.


Um jovem rapaz, agora casado, “fiel na igreja”, era infiel á mulher, também de igreja, e torrava parte de seu salário, pois semanalmente saía com uma surfistinha, pois inexistia sexo na casa dele.


Me arrisco a dizer que, em qualquer igreja de uma grande cidade que tenha mais de 500 membros, especialmente em centros mais liberais, tem uma surfistinha frequentando;


Mas com certeza, sem risco de errar, nesse mesmo tipo de situação, tem vários clientes de surfistinhas dentro da igreja, muito mais do que as pessoas imaginam.


Afinal, elas estão entre nós a milênios...você pode até conhecer uma, e nem saber.


Ah, a Surfistinha do filme acabou largando a vida, e se casando com um cliente, o único que a tratava – nas devidas proporções- como uma não Surfistinha.


O que o filme não conta (e nem o livro), é que esse cliente largou a mulher – muito bonita, diga-se de passagem- e suas duas filhas, por ela.



Que carregou anos a fio o estigma de ser trocada pela surfistinha mais famosa do Brasil.



Lee