segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Sonho não acabou: O Dia em que vi um Beatle ao Vivo – Parte 1


Quando ouvi os Beatles pela primeira vez, eles já haviam se separado há muito tempo.


Foi só então que descobri a obra do grupo, e acompanhei seus remanescentes:


Disse a mim mesmo que, um dia, se pudesse,veria um show de algum Beatle ao redor do mundo.


Pouco depois disso, John morreu assassinado – eu estava tomando banho ouvindo música (hábito que existe até hoje) quando ouvi a notícia...


Os jornais diziam: “O sonho acabou” (de reunir os Beatles), no dia seguinte.


Fiquei muito triste, era véspera do meu aniversário, mas pensei:


Ainda tem Paul, George, e Ringo...meu sonho ainda não acabou.


Mas Ringo se enclausurou, além de ser o mais limitado do grupo (dizem que Pete Best, o primeiro baterista dos Beatles, era melhor);


Paul veio ao Maracanã 21 anos atrás– era a chance – mas eu ainda vivia sob a batuta do pensamento religioso, e este dizia que isso era pecado, pois era “uma coisa mundana”.


Sem falar que, ainda estudante, meus pais não dariam grana para assistir a tal espetáculo “mundano”.


Fiquei muito incomodado, pois não sentia aquilo nada “pecaminoso”, e triste, pois morando a 20 minutos a pé do Maracanã, via o clarão que se formava, além das luzes, em volta do estádio.


Que mané eu era, na época, por pensar assim...ainda bem que mudei.


Poucos anos depois, George morreu...


Assim, aquela espécie de juramento mental que fizera, só poderia ser realizada via Paul.


Ele veio a Porto Alegre e São Paulo, ano passado...mas ouvi rumores que viria ao Rio.


Esperei, e eis que agora vou vê-lo num ambiente muito conhecido:


O Engenhão.


Este estádio tem um significado especial para mim:


Primeiro, por quê é a casa do Botafogo, o meu time, e estou acostumado a sofrer vendo meu time jogar todo mês, ali;


Segundo, por que para ter acesso ao estádio, é necessário ir de trem, saltando na estação Engenho de Dentro – o meio mais rápido de se chegar ao estádio.


O bairro do Engenho de Dentro, na Zona Norte aqui do Rio, é muito ligado a minha infância.

Apesar de ser nascido e criado na Tijuca, a minha primeira igreja foi no Engenho de Dentro:


Para lá me deslocava todos os finais de semana.


Aos sábados, para jogar bola o dia inteiro;


Aos domingos, para assistir aos cultos.


Foi assim por 20 anos:


Sábados, eu dentro de um 238, 239, 606, ou 607 – linhas de ônibus que me levavam da Tijuca até lá, me deslocando até a idade de dirigir meu carro....


Comendo no boteco ao lado da igreja um pedaço de pizza com tomate, de origem suspeita, com Guaraná Champagne, da Antártica, de almoço...


Pois jogava bola de 9 da manhã até ás 5 da tarde!


Quando saía, ia no mercado que hoje é um Guanabara, pra comprar pão doce.


Aos domingos, ia no carro do meu pai, para os cultos.


A Igreja fica há uns 700 metros de onde hoje é o estádio.


Só que tem uma igreja Católica mais perto do mesmo, há uns 200 metros, só separada pela linha do trem:


Eu entrava de penetra nos casamentos realizados aos sábados ali...


Meu colega ficava de ver quando tinha casamento- geralmente uns dois por sábado – e chegávamos aos finais das cerimônias, cumprimentavamos os noivos na fila, e íamos comer bolo e refrigerante no salão social da igreja:


Sabe aquele filme, “Penetras bons de bico” ? Foi baseado na gente.


Comi tanto bolo na adolescência ali, que hoje não gosto mais de bolos de casamentos:


Enjoei...


Separávamos um kit com roupa social, para quando tivesse casório, e meu amigo pegava o boletim da igreja para ver os nomes dos noivos, para que falássemos os nomes deles na fila dos cumprimentos:


Parabéns, Carla, felicidades! Eduardo, meus parabéns!”


E assim, nosso lanche pós - futebol estava garantido – economizávamos no lanche.


Ao saltar hoje na estação Engenho de Dentro, estas e outras lembranças estarão na minha mente:


Um garoto que amava somente os Beatles -nunca gostei de Rolling Stones – e que tinha o sonho de ver um show de algum Beatle ao redor do mundo – agora vai realizá-lo.


Justamente no mesmo ambiente em que fui criança, época em que esse desejo começou a prencher meu coração.


Leve seus desejos a sério - inclusive os da época de criança – pois nunca se sabe o dia em que ele vai bater as portas:


Ele pode vir bem pertinho de você.


Lee

(Amanhã, a parte 2 - Post com as impressões do show)