quinta-feira, 16 de junho de 2011

Animais ao Volante: Impunidade Garantida


O Ministério Público do RS denunciou o bancário Ricardo José Neis por 17 tentativas de homicídio triplamente qualificadas.

Ele era o motorista do Golf preto que atropelou ciclistas integrantes do grupo Massa Crítica em Porto Alegre, que chocou o país, no final de fevereiro deste ano.

Ele ficou preso temporariamente, mas a 3ª Câmara Criminal do TJRS concedeu Habeas Corpus para determinar a soltura dele... a decisão ocorreu em 7 de maio.

No dia 6 de fevereiro de 2000, o pagodeiro Alexandre Pires atropelou e matou com seu Jeep o vendedor José Alves Sobrinho, que estava em uma motocicleta.

Ele havia saído de uma boate em Uberlândia e trafegava além do limite de velocidade.

Alexandre negou que estivesse alcoolizado, e estranhamente nenhum exame foi feito no cantor no dia da batida para determinar se ele havia bebido:

Um acordo de 250 mil foi pago a família, e tudo foi resolvido.

Em 1995, Edmundo chocou seu Cherokee com um Fiat Uno na Lagoa, zona sul do Rio.

O ex-jogador chegou a passar uma noite na cadeia em função dos homicídios culposos de três pessoas e lesões corporais também culposas em outras três vítimas.

Voltou agora pra cadeia em função do mesmo processo, concluído em 99, mas foi solto 17 horas depois:

Ganhou um Habeas Corpus...

A desembargadora aceitou as alegações da defesa de Edmundo, que argumentou que a prisão era ilegal porque a sentença ainda não foi transitada em julgado (percorrido todas as instâncias judiciais)...

O Ministério Público ainda pode recorrer.

É muito difícil condenar alguém por atropelamento no Brasil, especialmente se for artista ou atleta.

Poucas exceções, como agora a do ex- deputado estadual do Paraná Carli Filho:

A Justiça do Paraná decidiu na tarde desta quinta-feira manter a decisão de levar a júri popular.

Ele é acusado de atropelar e provocar a morte de Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, além de dirigir sem carteira de habilitação.

Nos EUA, um caso de atropelamento sem prestar socorro, mesmo que tenha sido sem querer, dá três anos de cana.

E é cana mesmo, de uniforme laranja, e tudo:

Por lá, não tem essa de somente indenizar, de penas alternativas, etc...

Considera-se a vida perdida, acima de tudo.

Os animais ao volante recebem uma grande complacência da justiça brasileira.

Os juízes parecem não entender o “espírito da lei”, e tão somente seguem-na nos menores detalhes:

Favorecem sempre ao réu com seus inúmeros recursos, que duram anos...

Nenhum Juiz tem peito pra condenar, e ver seu trabalho desfeito numa instância ou tribunal maior, com medo de virarem motivo de deboche por outros...

Por isso, todos caem no denominador comum de “ a lei da direito a isso, por isso não posso fazer isso, tenho que soltá-lo, etc...Muitos se escondem atrás da lei, com medo.

Soma-se a isso, que muitas pessoas tem uma relação com seus carros a lá Dr. Jekyll e Mr. Hyde, do romance de Louise Stevenson, chamado aqui no Brasil de o Médico e o Monstro:

Por fora, antes de entrar no carro, são tranquilos como o Dr. Jekyl, mas assim que tomam a poção química (no caso, entram no carro), viram a fera grotesca Mr. Hyde.

Até quando assassinos ao volante serão considerados meros “descuidados”?

Estamos virando feras grotescas quando nos sentamos ao volante?

Afinal, qualquer 'Animal' dirige a 173 km na cidade e acha normal, como o Edmundo.

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