segunda-feira, 27 de junho de 2011

Qual o Futuro da Grécia?


Amanhã (quarta-feira) a Grécia pode pegar fogo.


Um pacote de "austeridade" pedido pela União Européia, e que pode resultar na demissão de milhares de pessoas, será votado amanhã.


A população grega está apreensiva:


O tal pacote pode reduzir salários pela metade, deixar gente sem teto., um verdadeiro caos.


O "Berço da civilização"merecia mais que isso...


A Grécia nos deu os Pensadores, nos deu o Teatro, nos deu a Mitologia, nos deu' Iliáda' e 'Odisséia', e nos deu até um vislumbre do futuro :


O Apocalipse foi revelado na Ilha de Patmos (que existe até hoje), a João.


Alías, Paulo pregou em Atenas sobre “O Deus desconhecido” no famoso Aerópago, local de debates de magistrados, sábios e filósofos onde foi ouvido (Atos 17.22-34)...


Tirando os curiosos – debate era “uma distração da época”- Dionísio e Dâmaris lhe deram ouvidos.


Morei na Grécia por um ano, quando tinha 7 anos.


Engraçado que, apesar de agitado, quando via os monumentos e sinais de arte, parava para ouvir:


Eu sabia que estava num lugar especial.


Fui no mesmo Aerópago, fui na Acrópole – ela está sempre em reformas, até hoje- fui no Parthenon, na Corinto antiga, em Tessalônica, e numa ilhazinha linda que não lembro o nome.


Comprei um Buzuki, espécie de cavaquinho grego, e um kobolói, que lembra um terço, mas que os mais velhos usavam para fazer uma espécie de “cama de gato” com as mãos.


Fui no estádio do Panathinaikos, onde meu ex-cunhado fez testes (ele era goleiro)e foi aprovado pelo técnico Aimoré Moreira, mas por causa do visto, só pôde ficar um mês...convivi com boleiros.


A primeira mulher bonita que vi na vida foi uma grega:


Pelo menos naquela época, a grega era bonita ou feia, não tinha “mais ou menos”.


Era uma morena com botas longas que vi no elevador do hotel...


Desde então, acho mulher com botas um charme só.


Foi na Grécia, ainda criança, quem diria, que fui parar numa delegacia:


Invadi” a da minha rua com um 38 de brinquedo e apontei para o escrivão, que ficou branco.


Aí, dei uma gargalhada, que foi quando o velho bigodudo viu que era de brinquedo.


Ele me puxou pelo braço, xingando muito em grego (que aprendi a falar na rua, e hoje não me lembro de nada) e me mostrou o corredor das celas:


Nem precisava de tradução, aquela cena...


Tinha uma padaria perto da minha rua, onde ao se pedir pão, quem pegava era um velho

de bigodes brancos, atrás do balcão, e que também era padeiro.


Só que para pegar o pão, ele pegava com as mãos...


Não sei se nos anos 70 isso era de praxe por aqui, mas por lá, ele cuspia em cada mão, esfregava uma na outra, e pronto- pegava o pão pra gente!


Que álcool em gel que nada – uma cusparada era a melhor assepsia!


O segredo do pão grego sempre quentinho e fresquinho estava naquela cusparada!


Até que um dia, minha mãe foi comigo a padaria – eu não revelara o segredo do pão – e ficou chocada com a descoberta – nunca mais pediu que eu comprasse pão dali...


Mas a Grécia é sinônimo de cultura, e foi minha descoberta da sétima arte que me fez um cinéfilo de ver e rever filmes, até hoje.


Meu pai me levava ao cinema, que se transformou em minha paixão.


Eu ia toda a semana ao cinema, e lá conheci o cinema europeu:


O Francês – de ação com Jean Paul Belmondo, as comédias com Louis de Funnés, Vi Gerard Depardieu novinho, os westerns italianos, tudo entrando com o meu pai, que se responsabilizara por mim, mesmo não tendo idade pra entrar.


A Igreja ortodoxa, uma cisão do catolicismo, era a predominante na época, e o é até hoje.


Lembro que tive que ir num batizado nessa igreja, e fiquei morrendo de medo dos sacerdotes de barbas longas, andando com seus incensos, soltando um fumacê danado.


Pedi ao meu pai pra me tirar dali, estava com muito medo de ser “cozido”.


Foi na Grécia que eu, um Batista por formação, conheci os Presbiterianos:

Não havia Igreja Batista por lá, e frequentei uma Igreja Presbiteriana no Centro.

Quando fui embora, eles me chamaram á frente, e me deram um carrinho vermelho de presente....adorei.


Minha espiritualidade cresceu quando iámos a um encontro no meio da semana de pessoas de várias partes do mundo, todas cristãs.


Tinha Americano, Chinês, Africanos, Europeus, Sul- Americanos, Vietnamitas...


O encontro era em inglês, e todos falavam de sua fé, e naquele momento, virávamos uma grande família, sem denominação, sem pátrias, sem ideologias políticas:


Era uma espécie de “Imagine” cristã, só faltava o John Lennon com o piano.


Mas foi num elevador de hotel na Grécia que obtive um aprendizado que não me esqueço até hoje.


O elevador parou entre os andares...


Meu pai me perguntou que se um de nós dois tivesse que sair dali vivo, “qual de nós dois deveria sair”?.


Respondi que tinha que ser ele, por ser mais velho...

Errado”, me ensinou. “ Eu vivi mais do que você. Você que teria que ser salvo com vida”, me disse ele, militar da Marinha, a serviço da embaixada – motivo pelo qual estávamos lá.

Me lembro que houve uma reunião no Hilton Hotel – do pai da Paris Hilton – que não sei por quê, permitiram levar a criançada.


Fiz amizade com um americano, e fui parar na piscina do Hotel, de roupa social, doido pra dar um mergulho, já bem de noite...

Foi ali, ainda criança, que vi que rico era muito fresco, nas festas deles a comida era toda pequena, com minis canapés e uns patêzinhos sem vergonha:

Bem diferente das festinhas onde eu pegava um monte de coxinha de galinha grandonas, Kibes fartos, aqui no Brasil...


Eu passava sufoco com meu jeito simples nos restaurantes chiques com vista para o mar mediterrâneo:


Enquanto eles comiam frutos do mar, eu só queria saber de um bom bife...


Até hoje, não como nada do mar.


A Grécia deu muita coisa boa para o mundo, em todos os sentidos.


E me deu muita coisa boa , também em vários sentidos.


Merecia muito mais que um pacote-bomba preparado para ela.


Lee, que lia Mickey Mouse em grego - tenho os gibis até hoje.