domingo, 30 de outubro de 2011

Quando o Palhaço que há em nós Não Ri Mais


Eu faço as pessoas rirem,mas quem vai me fazer rir? (Palhaço Pangaré, acima na foto)


Fui ver O Palhaço, que entrou em cartaz sexta nos cinemas.

No filme, Selton Melo é o palhaço Pangaré, um palhaço que entra em crise existencial – É um palhaço que aos poucos vai ficando triste, melancólico, até cair na cama em depressão.


Sim, pois sendo um palhaço e trazendo alegria aos outros, ao mesmo tempo em que vive a dura realidade da vida de circo no Brasil- uma vida sem grana, cigana, e sem identidade.


Benjamim, alter ego de Pangaré, nem sequer tem uma identidade:


Somente uma certidão de nascimento, e bem amassada...

Alías, o Circo Esperança, de propriedade do pai dele, nem sequer alvará tem.

Nessa crise, Benjamim deixa de ser palhaço, indo trabalhar num lugar mais sério, de gravatinha e tudo.

Até perceber que sua verdadeira vocação é ser mesmo o Palhaço Pangaré.


Na vida, muitas vezes o Palhaço que há em nós está parando de rir.

A Vida é de fato como o Circo Esperança do filme:

Muda toda hora de lugar;


Passa dificuldades;


Convivemos com pessoas legais, diferentes, esquisitas, e traiçoeiras;


Sempre aparece alguém querendo arrancar algo da gente.


Pois assim é a vida...e sempre vamos precisar ter esperança para atravessá-la.


O problema é quando achamos que a vida é o Circo Soleil, onde tudo é perfeito:


Ali, só estão os melhores, só tem gente boa;

Sobra Glamour, e não falta grana.


No Circo Esperança da vida, é por esta, a Esperança, que sobrevivemos.

Fazemos acrobacias para tentar driblar as dificuldades da vida;


Fazemos mágica, para tentar esticar o dinheiro até o fim do Mês;


Criamos nossos filhos nesse ambiente, por não ter aonde deixá-los, torcendo para que eles gostem;


Tocamos a música que dá pra tocar, e não com os músicos que gostaríamos, para fazer a trilha sonora;


E tentamos fazer os outros rirem, mesmo quando estamos deprimidos (no trabalho, boas notas no estudo, etc).

Assim, é a vida em nosso circo feito de Esperança.


Quanto ao filme, ri muito com o Moacyr Franco (rouba a cena como o delegado Justo), o Zé Bonitinho, e o Ferrugem, como um funcionário público.


Pelas moeda (notas de cruzeiro), carros, e trilha sonora – brega – o filme é ambientado na década de 80.


Vá ver, reflita, e “sorria meu bem” - Você vai entender quando ver.


Lee



sábado, 22 de outubro de 2011

Para Não Terminar Sua Vida Num Esgoto


Na quinta-feira, ficamos sabendo que Kadhafi foi morto:


Ele foi capturado dentro de um esgoto, antes de morrer (foto acima).


Sadam Hussein, anos antes, também já tinha tentado se esconder no mesmo buraco:


Terminou enforcado.


Khadafi, na tentativa final de manter-se no poder, mandou aviões jogar bombas no próprio povo.


E também distribuiu Viagra para que seus soldados estuprassem as mulheres rebeldes.


Você assim como eu, ficou indignado quando soube dessas coisas.


Pois saiba que, em menor escala, todos nós podemos desenvolver essa semente do mal dentro dos nossos corações.


Tudo o que ele fez foi pelo poder, pela ganância, pela vaidade.


Pelo poder, pois foi ditador dos mais perversos por 42 anos, sendo o mentor de vários atentados contra os EUA;


Pela ganância, pois Beirute, a capital, outrora chamada de “Paris do Oriente”, foi saqueada por ele, bem como o resto do país, enquanto mantinha um palácio sultuoso ás custas da miséria do povo;


Pela vaidade, a ponto de fazer tratamentos dermatológicos anti- envelhecimento, bem como chamar dois médicos brasileiros para fazer implante capilar (enquanto comia um hambúrguer na operação);


O visual brega- exótico, tornando-se uma caricatura de um ditador de filmes, com sua farda estilo “Agostinho da Grande Família”, aliada aos óculos escuros tipo Waldick Soriano.


Sim, podemos ficar igual aos Kadhafis da vida quando fazemos de tudo para sermos o centro das atenções – Estilo essas “mulheres-frutas”, ou os Big- Brothers.

Quando queremos nos perpetuar no poder, sem dar a chance para novos talentos:


Isso acontece no serviço público -Sarney é um exemplo - disse no Globo que não consegue ficar sem aquilo (ou seja, estar no controle, no poder, há 50 anos);


Nas grandes empresas, onde um executivo tenta derrubar o outro;


No judiciário, onde os juízes só saem por aposentadoria compulsória, sendo a inamovibilidade (prerrogativa que gozam por lei) algo se seus cargos :


Só são removidos (transferidos) a pedido, ou por “grande interesse público, o que nunca acontece.


Não é a toa que vários deles se comportam como se fossem “deuses” - essas coisas ajudam.


Nas Igrejas, aos montes – com Pastores e Padres caindo aos pedaços, mas que não abrem mão de seus cargos (e benesses), a não ser quando morrem.


Essas coisas mexem com quem está no poder, e quem não tiver o “espírito de lavar os pés dos outros”, começa a virar um Kadhafinho aos poucos.


Jesus lavou os pés dos discípulos, para mostrar que esse era o remédio contra essa semente do mal que é a arrogância humana.

Manter nosso coração com esse antídoto do mal – ajuda em muito a não nos tranformar em ditadores na vida de quem está ao nosso redor.


Pois quando se entra nesse estado, corremos o risco de arrasar com nossas vidas:

A outrora bela capital Beirute, antiga “Paris do Oriente”, agora em ruínas, é mais conhecida por ser nome de sanduíche;

E seu ditador foi achado dentro de um buraco de esgoto, e executado com sua própria pistola de ouro, com que matava pessoalmente suas vítimas.


Lee







quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Dois lados do Dia da Criança


Fui uma criança feliz – talvez tenha sido a época de maior felicidade de vida até hoje.


Em parte, por quê passei parte de minha infância fora do Brasil – em terras alemãs, aprendi a andar de trenó e fazer boneco de neve, o que não temos em nossas bandas.


Não me lembro de “dia da criança” por lá, pois pra mim, na verdade, todo dia era dia de ser criança:


Ia de bicicleta aos 8 anos para escola, na verdade, já começava o dia “me divertindo” antes de fazer a parte chata, que era “estudar” - compensava.


Mas hoje á tarde quando fui assisitir a um filme no shopping, via o desespero de pais em tentar fazer do “dia da criança”, um dia de criança.


O Shopping parecia praia lotada em dia de verão, mal dava para andar, sendo todos os espaços disputados;


Filas como raras vezes vi, tanto para um McDonald da vida (as crianças acham que só tem comida lá), quanto para entrar num restaurante de Shopping;


As lojas entupidas de gente, na busca por um presente – Vi um pai saindo com sete enormes presentes pra sua filhinha, todos brinquedos;


O espaço para brincadeiras, cobrando um absurdo, só para ficar 30 minutos;


Pais e crianças estressadas, brigando tão somente pela insuportabilidade de andar num ambiente assim.


Dei graças a Deus pela infância que tive – mas dei igual graça por não ter ainda filhos.


Falando a verdade, as situações acima vistas, além de outras preocupações, nunca me animaram a ser pai.


Hoje vi pais tentando fazer desse dia, um dia de criança, quando os mesmos, no dia a dia, não dão a mínima para os filhos.


Sei de casais cujos filhos, na verdade, são o principal objeto de mornidão de casamento, e posterior separação:

Esse convívio desgastante no dia a dia, que na verdade acaba sobrando muito mais para a mulher na maioria dos casos, tem feito muito casal, assim como na desistência do boxe, “jogar a toalha”.


Em quantas casas essa toalha já está no chão, e os dois tem medo de assumir...


Sim, o salmista diz que filhos são “herança do Senhor”:


"Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão" (Salmos 27.3)


Mas essa é a única herança que um casal pode ou não assumir – Não há sentido algum de obrigação no texto.


Quem teve filhos, se são ainda pequenos, que lhes deem um bom dia da criança.


Que na verdade, são todos os dias...


Dando lhes a bicicleta (brinquedo), mas fazendo-os irem a escola (responsabilidade).


Lee



sábado, 8 de outubro de 2011

Steve Jobs não era Steve Rogers


Quando alguém que revoluciona conceitos morre, tende a virar mito.


Isso nas mais diversas áreas...foi assim com Einstein, Freud, Mozart, ou Michael Jackson.


E vai acontecer a mesma coisa quando Roberto Carlos, Pelé, e Niemeier partirem desta pra outra.


Esquecemos que todos somos homens, portanto somos falíveis.


Ora, se até mesmo o mais sábio de todos – Salomão – pisou na bola, quem somos nós para virarmos bastiões de moralidades ou infalibilidades?


Só mesmo o Papa com sua “infalibilidade papal”...e olha que o atual foi membro da juventude nazista.


A Bíblia é bem fiel com a biografia de seus personagens:


Paulo escreveu metade do Novo Testamento, mas antes disso mandou e ia matar muitos cristãos daquela época;


Davi mandou matar, Abraão mentia, Jacó era um malandro, Sansão caía na farra...


Pedro se acovardou, Judas traiu seu mentor, Mateus acharcava o povo antes de seguir o Mestre...


Este sim, o único que tinha “ficha limpa”, mas que nem por isso condenou a mulher adúltera, e ainda foi acusado de “andar com publicanos e prostitutas”.


Jesus sabia que desde Adão, o pecado ficou no DNA espiritual do homem:


E foi por isso mesmo que ele veio, para pagar nossos “próprios pecados”.


Quando lia sobre Steve Jobs, o dono da Apple que morreu essa semana, de início pensava até que estava lendo sobre o outro Steve, que também leio:


Steve Rogers, o Capitão América.


Sim, pois Steve Rogers é perfeito:


É Patriota, e seu uniforme e escudo são simbolos americanos.


Não mente nunca;


Possui um caráter irrefutável;


É homem de grande honra – somente 3 pessoas são capazes de levantar o martelo de Thor:


O próprio Thor, também um homem de grandeza;


O Hulk,com muito esforço, suando pacas, e mesmo assim por pouco tempo, pela sua incrível força;

E sem força nenhuma, o Capitão América, por ser homem de grandeza.


Só que Steve Rogers é da ficção, claro...


Steve Jobs, não.


Hoje existem os computadores pessoais até em supermercados por causa dele? Sim!


Mas os primeiros Apples, sem ventilador interno que tem hoje, eram também chamados de torradeiras beges (antigamente os computadores só vinham nessa cor).


Steve tinha defeitos como todos nós, e talvez até mais escabrosos, por ter sido um “ de frente”:


Tinha ataques de chilique em reuniões, e quando estava num mau dia, de mau humor, demitia funcionários sem mais nem menos, só por passarem na frente dele (e todo mundo corria quando via ele);


Em algumas subsidiárias, os funcionários eram massacrados com cargas horárias tipicamente de fábricas chinesas -pareciam “ escravos pagos”;


Adulterava a placa do carro quando queria correr com ele, fosse na rua ou na estrada.


Sim, Steve foi um idealizador, um dos gênios de nossa época...


Mas assim como estes, possuía, como todo ser humano, falhas.


Steve Jobs nunca foi perfeito...Steve Rogers, sempre foi, pois é da ficção.


Por isso, é duro vê-lo na capa da Veja dessa semana numa nuvem em forma de maçã, símbolo de sua empresa:

Daqui há pouco, vai ter gente esperando o santo ressuscitar.


Lee