sábado, 8 de outubro de 2011

Steve Jobs não era Steve Rogers


Quando alguém que revoluciona conceitos morre, tende a virar mito.


Isso nas mais diversas áreas...foi assim com Einstein, Freud, Mozart, ou Michael Jackson.


E vai acontecer a mesma coisa quando Roberto Carlos, Pelé, e Niemeier partirem desta pra outra.


Esquecemos que todos somos homens, portanto somos falíveis.


Ora, se até mesmo o mais sábio de todos – Salomão – pisou na bola, quem somos nós para virarmos bastiões de moralidades ou infalibilidades?


Só mesmo o Papa com sua “infalibilidade papal”...e olha que o atual foi membro da juventude nazista.


A Bíblia é bem fiel com a biografia de seus personagens:


Paulo escreveu metade do Novo Testamento, mas antes disso mandou e ia matar muitos cristãos daquela época;


Davi mandou matar, Abraão mentia, Jacó era um malandro, Sansão caía na farra...


Pedro se acovardou, Judas traiu seu mentor, Mateus acharcava o povo antes de seguir o Mestre...


Este sim, o único que tinha “ficha limpa”, mas que nem por isso condenou a mulher adúltera, e ainda foi acusado de “andar com publicanos e prostitutas”.


Jesus sabia que desde Adão, o pecado ficou no DNA espiritual do homem:


E foi por isso mesmo que ele veio, para pagar nossos “próprios pecados”.


Quando lia sobre Steve Jobs, o dono da Apple que morreu essa semana, de início pensava até que estava lendo sobre o outro Steve, que também leio:


Steve Rogers, o Capitão América.


Sim, pois Steve Rogers é perfeito:


É Patriota, e seu uniforme e escudo são simbolos americanos.


Não mente nunca;


Possui um caráter irrefutável;


É homem de grande honra – somente 3 pessoas são capazes de levantar o martelo de Thor:


O próprio Thor, também um homem de grandeza;


O Hulk,com muito esforço, suando pacas, e mesmo assim por pouco tempo, pela sua incrível força;

E sem força nenhuma, o Capitão América, por ser homem de grandeza.


Só que Steve Rogers é da ficção, claro...


Steve Jobs, não.


Hoje existem os computadores pessoais até em supermercados por causa dele? Sim!


Mas os primeiros Apples, sem ventilador interno que tem hoje, eram também chamados de torradeiras beges (antigamente os computadores só vinham nessa cor).


Steve tinha defeitos como todos nós, e talvez até mais escabrosos, por ter sido um “ de frente”:


Tinha ataques de chilique em reuniões, e quando estava num mau dia, de mau humor, demitia funcionários sem mais nem menos, só por passarem na frente dele (e todo mundo corria quando via ele);


Em algumas subsidiárias, os funcionários eram massacrados com cargas horárias tipicamente de fábricas chinesas -pareciam “ escravos pagos”;


Adulterava a placa do carro quando queria correr com ele, fosse na rua ou na estrada.


Sim, Steve foi um idealizador, um dos gênios de nossa época...


Mas assim como estes, possuía, como todo ser humano, falhas.


Steve Jobs nunca foi perfeito...Steve Rogers, sempre foi, pois é da ficção.


Por isso, é duro vê-lo na capa da Veja dessa semana numa nuvem em forma de maçã, símbolo de sua empresa:

Daqui há pouco, vai ter gente esperando o santo ressuscitar.


Lee