terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Taxista de Cristo e o Taxista sem Cristo


Estava lendo um texto da” Época” em que uma jornalista atéia passava um perrengue danado com um Taxista evangélico:


Este, queria de todas as formas que esta se convertesse dentro do Táxi, mandando um “Deus me livre” quando esta afirmou ser atéia.


Ser ateu para um evangélico, é pior que ser Católico, Espirita,Testemunha de jeová, etc...


Só não é pior que ser macumbeiro. Ser ateu é ser “secretário do capeta”, enquanto ser macumbeiro é ser o próprio capeta.


O Taxista evangélico já tinha sido da “Bola de Neve”(um dos nomes mais ridículos que ouvi para Igreja), mas agora era da “Novidade de Vida”.


Ao final da tensa viagem, o Taxista evangélico mandou um “Vê se passa lá na Igreja”, como" até logo";


E recebeu, também como um "até logo" da jornalista, um “vê se vira ateu”.


Essa semana, em minhas aventuras como passageiro de Táxi (eu adoro Táxis: é a única forma de andar de carro novo todos os dias, dos mais variados modelos), soube de outra história.


Dessa vez, era um “Taxista sem Cristo”, mas quando ele ouviu o meu destino (Colégio Batista) me contou uma história de evangelho, e não “evangélica”.


Este fez questão de dizer que não era evangélico, antes de mais nada.


Ele pegou como passageiro o Pastor de uma grande Igreja Batista, que conheço.


Este, na hora de sair do carro, deixou em cima do banco um envelope.


O taxista sabia onde era a igreja dele(pois tinha conduzido ele de uma igreja a outra).


Quando este abriu o envelope, tinha 350 pratas dentro (vários Pastores tem o hábito de presentear o outro com esse tipo de 'envelopinho', quando estes vão pregar em suas igrejas – quem paga é a Igreja, claro).

E resolveu fazer a festa com a grana extra:


Parou em um supermercado, e já estava colocando as coisas dentro do carrinho.


Mas algo, súbitamente, o deixou incomodado...


Numa crise de consciência, ele largou o carrinho, pegou o carrão, e voltou a igreja onde havia deixado o tal Pastor.


Encontrou-o almoçando na cantina, e perguntou: “Você lembra de mim”?


Claro, foi o Taxista que me trouxe”, respondeu.


E devolveu o envelope, dizendo que havia tido a “liberdade de ver o que havia dentro”.


O Pastor nem sabia que tinha dinheiro ali...


E deu 50 pratas como forma de agradecimento á devolução efetuada.


Aí eu pergunto:


Quem foi mais “Cristão”, o Taxista de Cristo que queria empurrar este goela adentro da jornalista atéia, tratando-a de forma descortês;


Ou o Taxista sem Cristo, mas que agiu como se o tivesse dentro do coração?


Talvez muita gente – Cristã como o primeiro taxista – venha a dizer que este estava “salvo” e que fazia o seu papel, e isso é o que importa.


São pessoas que já foram soterradas pela pequena “bola de neve”, que virou uma imensa avalanche, que virou o pensamento neopentecostal.


Gente que acham que tem que sair convertendo tudo a força, quebrando imagem de santo, desencapetando os outros como espetáculo tosco, pulando, berrando;


São pessoas em que tudo é do diabo, desde uma música não evangélica, ao símbolo de um McDonalds;


Pessoas que queimam o Alcorão como Protesto a "religião de terroristas";


Pessoas que dão o que o Pastor pedir, ainda que falte energia em casa, e pão para os filhos.


Estas, são “evangélicas”, apesar de não haver nada de evangelho nisso.


Pois colocaram uma imensa corrente em seus punhos, pescoço e pernas,e acham isso o máximo, pois pensam que estão em “Novidade de Vida”.


Lee

Hoje, A Parábola do Bom Samaritano seria assim: Dois Taxistas seguiam pelo mesmo caminho.


Um, Cristão, dono de seu próprio carro, viu um homem ferido na rua, mas acelerando, partiu em direção á sua igreja, pois já estava atrasado para o culto de domingo, e não queria deixar de dar seu dízimo para não correr o risco de Deus pesar a mão, conforme seu pastor dissera.


O Outro, ateu,pagando diárias de 140 reais por dia, sendo o domingo um dos dois únicos dias em que não pagava diária, parou o carro, e colocou o homem ferido dentro do mesmo.


Levou-o a uma clínica particular, pagando do próprio bolso, pois sabe como é a realidade dos hospitais públicos brasileiros.


Qual dois dois Taxistas teve verdadeira compaixão Cristã?