quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Call Center da Fé


Fechando o Festival de Filmes do Rio, fui ver "Gonzalez", filme mexicano.

Esse ano só vi oito filmes, contrastando com os 22 do ano passado...e não consegui ver nenhum documentário (ano passado vi uns 4).

Mas sempre tem um filme ou doc que marca...esse ano, no caso, foi esse Gonzalez.

Gonzalez está desempregado, e a única coisa que aparece para ele trabalhar é num call center de uma igreja estilo Universal, lá no México.

O "Macedo" da ocasião atende por Pastor Elias. Gonzalez, ateu, mas duro de grana, vai trabalhar para ele.

Lá é ensinado como consolar por telefone quem liga, mas acima de tudo, é ensinado como pedir dinheiro para o pobre coitado que liga em desespero, que vai de doença, drogas, desemprego, etc.

Nisso também conhece uma atendente do call center, por quem se apaixona.

Gonzalez vê que o negócio é bom, e se disponibiliza a virar pastor pro Macedão de lá, O tal Pastor Elias.

Humilhado por ele, Gonzalez prepara sua vingança:

Assaltar a tesouraria da igreja, e levar o tal Pastor Elias, o líder da igreja, como refém.

"Gonzalez" vai nas entranhas da teologia da prosperidade, do comércio da fé, de se aproveitar de pessoas em desespero, de mostrar o sistema de pirâmides religiosa.

De como uma pessoa com um mínimo de expressão vocal, corporal, mesmo sendo "ateu", pode decorar palavras chave, e se transformar num pastor-vendedor, comerciante da fé, como aconteceu com Gonzalez.

É impossível não comparar com a igreja Universal: Até o logo da Igreja é uma pomba, só que em posição diferente.

Queria eu que todos esses aproveitadores da fé tivessem o mesmo fim do que o Macedão de lá teve.

Filme bom, que nos faz entender os bastidores do "Reino do comércio de Deus".

Lee