segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Karen Chorou no Ônibus, Mas Sorriu pra Vida



Voltando do curso de Metrô, resolvi dar um pit stop em Botafogo, terra dos filmes alternativos, não comerciais, aqui no Rio.

Assim, me chamou a atenção o cartaz de " Karen Chora no Ônibus", comprei o ingresso 15 min antes da sessão, passei no Burguer King ao lado pra forrar o estômago, e estava pronto pra luta.

Sim, fiz isso pois tava a fim de relaxar vendo um filminho, mas o problema do cinéfilo é que, por gostar tanto de cinema, já tinha visto todos os filmes que me interessavam...assim, só me restava ir pra Botafogo.

O filme é Colombiano, e por gostar tanto de filmes argentinos, meus ouvidos já estão se acostumando a escutar o idioma sem precisar ler as legendas...gracias, Ricardo Darin.

Karen vivia há muito tempo com o maridão, um cara sem sal, que só vive para o trabalho, algo a ver com corretagem de seguros.

Vivia só pra ele, não estudou, cuidou apenas dos afazeres domésticos...ainda bem que não teve filhos.

Cansada da vidinha que levava, resolve largar tudo, o que para ela, não foi fácil:

Sem emprego, conseguiu alugar um quarto num muquiço do centro de Bogotá, sem água quente, e com banheiro coletivo com uma permanente "cucaracha" : A barata fez Karen ficar dois dias sem conseguir tomar banho ali...é o tipo da situação em que se sente falta de um homem.

Dinheiro acabando, ela se fazia de vítima de assalto, e ficava pedindo dinheiro de passagem nos pontos da cidade, além de pequenos furtos em supermercados.

Pra tomar um banho decente, ia a casa da mãe, mas evitava isso, pois esta vivia insistindo pra voltar ao lado ao lado do maridão:

" Eu e seu pai, mesmo com problemas, ficamos juntos até o fim", dizia, ao qual Karen retrucava:

"Mas mal se falando e dormindo em quartos separados, mãe".

Ir pra casa da mãe, definitivamente, não era uma boa pra Karen.

Até que um dia as coisas mudaram:

Karen enfim consegue um emprego decente, numa livraria, ao mesmo tempo que pinta um amor ameaçador:

O cara é escritor de peças, e pede pra que Karen largue tudo e vá com ele pra Argentina:

" Eu banco tudo, vc não precisa trabalhar".

E pede para que ele pegue o terno dele, exatamente como o ex maridão fazia.

Karem precisa então tomar uma decisão:

Recomeçar sua vida, agora que finalmente as coisas parecem engrenar, ou voltar ao cômodo, mas ameaçador, estado de dependência financeira.

A vida de karen é igual a de milhares de mulheres que passam por esse estágio, em algum momento da vida:

Vivem uma vida dedicada a alguém, sob a dependência econômica deste, mas não tem coragem de tomar uma atitude para mudar, e ser feliz:

Karen disse ao marido: " O nosso maior erro, foi termos nos casado".

Karen pagou um alto preço, não aceitou pressão da família e amigos, comeu o pão que o diabo amassou para sobreviver, mas continuou firme em sua decisão:

No dia em que Karen chorou no busão, a vida começou a sorrir para ela.

Existem muitas karens chorando nos coletivos da vida. Mas poucas com coragem para tentar uma mudança, e ser feliz

Lee